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[Crítica] Crise nas Infinitas Terras é uma carta de amor aos fãs da DC Comics

- – Repleto de participações especiais, crossover consolida o multiverso da editora.

Por Cristiano Rantin Já virou tradição aguardar pelo grande crossover anual do Arrowverso, o universo compartilhado das séries da DC Comics da CW. O que começou com pequenas participações dos personagens titulares em episódios com histórias cruzadas, evoluiu para se tornar um evento pra lá de especial, adaptando grandes HQs da editora, trazendo dezenas de heróis trabalhando juntos e toda a loucura que os fãs de quadrinhos adoram. 

Desde o crossover de 2018, quando tivemos Elseworlds, já estava claro que caminhávamos para a Crise Nas Infinitas Terras, talvez o maior e mais memorável evento dos quadrinhos da editora. Em 2019 vimos os heróis do Arrowverso começando a se preparar para o que estava por vir, lidando com sua possível morte e tentando pensar em formas criativas para impedir a destruição do multiverso. Mesmo assim, nada poderia preparar o telespectador para o crossover. 

Logo de cara, Crise nas Infinitas Terras já deixa claro que não será um especial comum. O evento é na verdade uma grande carta de amor aos fãs da DC Comics, homenageando tudo que a editora já fez na TV e nos cinemas. 

Repleto de participações especiais, o crossover solidifica o legado da editora, levando os fãs por uma viagem no tempo (ou nesse caso no multiverso) e prestando homenagem aos filmes e séries clássicas do Batman, Superman, passando por Smallville e Birds of Prey – traduzida aqui no Brasil como Mulher-Gato, ainda que a personagem não apareça na série – e até as modernas Titãs, Patrulha do Destino, Stargirl e todas as produções em live-action da editora.

Além disso tivemos as inesperadas presenças de Lúcifer, que é um personagem da DC Comics, ainda que sua série não seja parte do universo da editora, garantindo a deliciosa interação com Constantine, e se os fãs achavam que essa seria a única surpresa, Ezra Miller chegou para mostrar o encontro dos velocistas escarlates.

O encontro do Universo Cinematográfico com a TV

A pedido da própria Warner, Ezra foi encaixado no crossover, em um momento de pura loucura que combinou perfeitamente com o evento – homenageando o recente universo cinematográfico da editora e dando aos fãs um gostinho do Flash de Miller, que teve a última aparição em 2017 com Liga da Justiça.

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Ainda que tudo isso seja apenas fan-service, tudo é feito de uma maneira incrível mostrando o real alcance da destruição que é o principal tema da Crise, ou seja, tem sua importância para a história – além de canonizar todas as produções da DC Comics como parte do multiverso, e expandir o universo “compartilhado” da editora – o que permitiu o Arrowverso explorar as terras alternativas que vemos ser devastadas nos quadrinhos. 

A trama do crossover é bem simples: Conforme vimos o Monitor dizendo há um bom tempo, uma onda de anti-matéria está apagando todo o multiverso. Apesar dos seus melhores esforços, parece impossível contê-la, por isso os heróis do Arrowverso precisam se reunir em uma última tentativa de salvar a própria existência. 

Mesmo tendo alguns engasgos ao longo da narrativa, o crossover se desenvolve de uma forma muito boa. Apesar de alguns deslises, sa trama avança muito bem, crescendo a ideia dos Paragons e na ameaça do Anti-Monitor – que aparece pouco, mas que consegue atrapalhar muito os heróis. 

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Talvez o principal problema do evento seja o fato de que, muitas vezes, um personagem acaba agindo de uma forma estranha, quase como se a equipe que estava responsável pelo episódio não compreendesse muito bem como o herói costuma agir na sua série. Assim, temos momentos mais exagerados e alguns diálogos que não combinam tão bem com os personagens.

Mesmo assim, cada um dos cinco episódios – sendo cada um deles trabalhado por uma equipe das cinco séries do Arrowverso – possui uma identidade muito única e os roteiristas souberam trabalhar muito bem os seus próprios personagens

Os pilares do Arrowverso

No primeiro, que é da Supergirl, temos um foco maior na humanidade e no drama da série, trazendo algo mais grandioso com a heroína precisando salvar o seu próprio mundo; O segundo, que da Batwoman, nos mostra uma narrativa mais sombria e pesada, com o Batman corrompido aparecendo e gerando discussões sobre o que é ser herói, e como até qualquer pessoa pode cair na escuridão, uma discussão recorrente na série da heroína, que lida com a própria irmã transformada na perigosa vilã Alice; A terceira hora, do Flash, destaca o sacrifício do velocista, concluindo a trama que temos acontecendo em segundo plano desde o piloto, quando descobrimos que o Flash desapareceria durante a Crise. 

Depois de um hiatus de algumas semanas, chegamos na reta final com Arrow trazendo a despedida de Oliver Queen, com a trama girando em torno de diversos momentos em que o Arqueiro Verde cresceu e mudou, se abrindo para novas pessoas, criando laços importantes com outros personagens e servindo como base para a união dos heróis; Por fim, Legends of Tomorrow chegou com sua loucura e bom humor, na minha opinião sendo uma excelente escolha para lidar com toda a confusão que é o novo multiverso criado por Oliver, trazendo a leveza e alívio cômico que precisávamos depois de um crossover tão tenso e pesado, tudo isso, claro, sem deixar a evolução de Sara Lance de lado. 

RIP Arqueiro

Além de marcar a adaptação de uma história memorável, a Crise nas Infinitas Terras chegou marcando o fim da jornada de Oliver Queen, o herói mais importante deste universo. Mesmo sem poderes – e com muitas temporadas que são sofríveis – foi Arrow que deu início para todo esse universo compartilhado, que foi batizado em homenagem a série do Arqueiro Verde. Depois de muitas aventuras, o herói encontrou seu fim de forma heróica, se sacrificando duas vezes (uma pela vida de Kara, a outra pela vida de Barry?) para salvar o multiverso. 

Podem falar o que quiser, mas assim como Smallville foi de extrema importância para introduzir uma nova geração ao mundo dos quadrinhos, Arrow tem um mérito inegável em permitir que as séries da DC Comics pudessem acontecer. Se temos a chance de ver grandes sagas sendo adaptadas na Tv (mesmo com todas as limitações) foi por causa do Arqueiro. Nada mais digno que seu final acontecesse de forma grandiosa e tivesse a homenagem de todos os heróis do Arrowverso. 

Mas como todo fim é apenas um novo começo, depois de toda a destruição causada no evento, vimos o universo florescer novamente, trazendo novas terras e a aguardada unificação do Arrowverso. Agora Supergirl e Raio Negro fazem parte da mesma realidade que Legends, Flash e Arrow – que ainda tem mais dois episódios antes de ser finalizada e uma série derivada que irá explorar o futuro de Mia Smoak, a filha de Oliver, junto das Canários Negros.

 Isso por si só já é um recomeço promissor, afinal temos a chance de explorar novas histórias nesse universo realmente conectado, contudo diversas mudanças na realidade das séries do arrowverso foram feitas. Com o retorno de Sara, a filha de John Diggle em Arrow, podemos imaginar que todo o Flashpoint foi desfeito nesse universo; Lex Luthor é idolatrado pela humanidade em Supergirl e Superman agora possui dois filhos, uma trama que deve ser desenvolvida na série Superman e Lois Lane, que já foi confirmada

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Ou seja, o futuro é extremamente promissor, como fica claro com o início da Liga da Justiça do Arrowverso, honrando os pilares desse universo, e finalmente criando uma sede em comum para todos os heróis em caso de crossover.

No fim, o Crossover é a prova de que o Arrowverso não tem medo de ser uma adaptação dos quadrinhos – como pudemos ver com a última cena introduzindo Gleek, o macaco dos Super-Gêmeos. Todo o exagero, cafonice e grandiosidade absurda das páginas das HQs são transportadas para as telinhas, ainda que com adaptações, o que é um verdadeiro presente para os fãs. 

Mais do que as participações especiais – que foram ÉPICAS – foram os momentos tirados dos quadrinhos que me deixaram extremamente feliz, pois é isso que eu espero ver em algo baseado nas HQs. Nada de ser pé no chão ou tentar deixar mais “realista”, o que faz do Arrowverso um lugar incrível é que temos um Beeboo gigantesco atormentando os heróis e um vilão caricato megalomaníaco, é um multiverso que não tem medo de ser tão fantástico quanto seu material de origem. E que venha o próximo crossover. 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Bruxo • Twitter: @ChrisRantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"