Flashpoint: Tudo sobre o arco da DC que será adaptado no filme do Flash

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Flashpoint: Tudo sobre o arco da DC que será adaptado no filme do Flash

Por Gus Fiaux

Recentemente, durante o DC FanDome 2021, foram divulgados vários teasers e prévias dos próximos projetos do Universo Estendido da DC – dentre eles, uma prévia bem curiosa de The Flash, filme que deve sair no ano que vem e trará a primeira história “solo” de Barry Allen dentro da franquia, depois de ter sido um dos protagonistas de Liga da Justiça.

Curiosamente, o filme promete ser bem inspirado pelo Ponto de Ignição – ou o Flashpoint – das HQs da DC. Para quem não sabe, esse foi um evento de 2011 que ajudou a revitalizar e reformular todo o universo da editora durante anos – e se algo parecido for seguido aqui, podemos esperar várias mudanças no universo compartilhado dos filmes. Agora, reunimos aqui tudo o que você precisa saber sobre o Flashpoint!

Ponto de Ignição foi a última saga da DC Comics na fase pós-Crise.

Qual a trama de Flashpoint?

Lançada entre maio e agosto de 2011, Ponto de Ignição foi uma saga dos quadrinhos da DC Comics, escrita por Geoff Johns e com arte de Andy Kubert. Trata-se do último evento da editora na fase pós-Crise nas Infinitas Terras e foi a responsável por uma grande reformulação editorial, gerando um novo reboot. Na trama original, nós vemos Barry Allen voltando no tempo para salvar sua própria mãe, que seria assassinada pelo Flash Reverso.

Ele decide fazer isso por uma série de motivos – o que inclui livrar seu pai da cadeia, já que ele foi preso pela morte da esposa. Contudo, ao retornar para o presente, ele acaba notando como suas ações mudaram todo o rumo de seu universo, criando uma nova realidade mais sombria e mergulhada no caos. Ah, e enquanto isso acontece, o Flash também perde seus poderes, já que nessa realidade nunca foi atingido por um raio e ganhou supervelocidade.

No novo universo, Atlantes (liderados por Aquaman) e Amazonas (lideradas pela Mulher-Maravilha) entraram em uma sanguinária guerra, que não afeta apenas seus reinos mas também todo o mundo humano. O Superman não caiu no Kansas quando era um bebê, mas sim em Metrópolis, então nunca foi criado pelos Kent e se torna alvo de vários experimentos do governo. O Ciborgue se torna o maior herói da Terra, mas suas tentativas de unir outros como ele fracassam.

Porém, a figura mais emblemática é o Batman dessa realidade – que é Thomas Wayne, já que foi Bruce quem morreu no Beco do Crime. Ele se torna um vigilante violento e desinibido, enquanto precisa enfrentar outra versão do Coringa (que, na verdade, é Martha Wayne, enlouquecida após a morte do filho). É o Cavaleiro das Trevas quem ajuda Barry a reconquistar seus poderes e restaurar sua própria realidade.

A saga começa com Barry sem memórias, tendo poucos flashes do que aconteceu. Ao recobrar sua consciência e ver tudo que ele causou, ele precisa correr contra o tempo para restaurar a realidade, enquanto luta contra o Flash Reverso, que quer matá-lo. Nessa saga, ele também absorveu toda a Força de Aceleração para si, e acabou se transformando em um Paradoxo Vivo.

Após o Ponto de Ignição, vieram os Novos 52.

As consequências da saga

Ao fim, o Flash consegue voltar no tempo e “se impede” de salvar sua mãe – na verdade, ele é fundido com a versão anterior que havia salvado Nora Allen, e acaba desistindo do plano. Ao retornar para seu tempo, ele acaba vendo que três universos distintos estavam se unindo – a Nova Terra da DC Comics (o universo criado pós-Crise), o universo Vertigo (de onde vinha Constantine e Sandman) e o universo Wildstorm (de onde vem o Meia-Noite e o Apolo).

Uma figura encapuzada chamada Pandora revela que esses três universos precisavam se unir para impedir uma grande ameaça que ainda estava por vir – e que, anos depois, foi revelada como sendo o Doutor Manhattan, na saga Relógio do Juízo Final. Porém, ao chegar à sua realidade “normal”, ele percebe que algumas coisas foram alteradas, tudo graças às ações de Manhattan (que só foram reveladas depois).

Assim sendo, um novo universo foi criado, conhecido como Terra-Prime. Esse foi o primeiro passo do reboot dos Novos 52, que acabou vindo ainda em 2011 e trouxe grandes mudanças e reformulações para a editora. Além das justificativas apresentadas na saga, esse “novo universo” foi criado para seguir uma nova linha de leitores que “não sabiam por onde começar a ler” as HQs da DC.

Embora vários aspectos dos personagens e suas histórias tivessem se mantido, muita coisa foi alterada e trouxe mais novidades para a editora, além de uma completa reformulação visual dos heróis e vilões (foi aqui que o Superman perdeu as cuecas por cima das calças e também a Mulher-Maravilha ganhou um novo visual). Contudo, outras grandes mudanças foram sentidas, por exemplo, na formação da Liga da Justiça – que agora trazia o Ciborgue como um dos membros principais.

Os Novos 52 acabaram sendo bem polarizados para os fãs de quadrinhos. Por um lado, muitos gostaram da nova fase da editora e da forma como ela “simplificava” as histórias para novos leitores. No entanto, também vieram muitas e muitas críticas sobre a falta de planejamento e coesão editorial da empresa, algo que ficou ainda mais evidenciado nos anos seguintes e que só seria resolvido com o Renascimento, de 2016.

A saga foi adaptada em Liga da Justiça: Ponto de Ignição, filme animado de 2013.

Outras adaptações

Ainda que seja uma saga bem recente, Ponto de Ignição acabou marcando muito os fãs da DC Comics e do Flash de forma geral. Mesmo com toda a dinâmica do reboot dos Novos 52, a história em si é muito boa, original e ousada, criando um terreno fértil para ideias e para discussões sobre a amplitude dos universos que compõem o Multiverso da editora.

Por isso, o evento chegou a ser adaptado algumas vezes em produções audiovisuais, além de ter inspirado alguns jogos (como o próprio Injustice: Gods Among Us, além de ter um evento próprio no DC Universe Online). Porém, a principal e mais conhecida adaptação saiu em 2013 e se chama Liga da Justiça: Ponto de Ignição, e fez parte do Universo de Filmes Animados da DC.

O longa original segue com bastante fidelidade a saga de Geoff Johns Andy Kubert, fazendo com que o Flash encontrasse uma nova realidade após salvar sua mãe da morte no passado. Entretanto, o mais interessante sobre o desenho é como ele acabou criando um “universo compartilhado” das animações da DC. Antes, todos os filmes animados eram produções meio independentes de si.

Porém, após Liga da Justiça: Ponto de Ignição, tivemos um universo com vários longas compondo uma trama maior – até o fim desse universo no ano passado, com o lançamento de Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips. Embora tenha sido pontuado por altos e baixos, o universo animado de filmes originais recebeu altos elogios pela coesão de suas produções e pela construção de uma narrativa mais abrangente.

Ponto de Ignição também foi “adaptada” em The Flash, a série live-action que faz parte do Arrowverse. Porém, a história ficou contida apenas ao primeiro episódio da terceira temporada da série, sem trazer muitas consequências para esse universo. Isso acabou deixando muitos fãs enraivecidos, já que todas as complexidades, nuances e a grandiosidade do evento foram perdidas apenas para dar um fanservice barato.

The Flash vai adaptar elementos de Ponto de Ignição.

Flashpoint no filme do Flash?

No ano que vem, teremos o lançamento de The Flash, o décimo segundo filme do Universo Estendido da DC. E até agora, sabemos pouco sobre a trama ou sobre seu desenrolar – mas já sabemos que será uma adaptação “vaga” da trama de Ponto de Ignição, algo que já havia sido confirmado pelos produtores e que foi explicitado pelo diretor do longa, Andy Muschietti.

No primeiro teaser divulgado no DC FanDome, podemos inclusive ver o momento em que Barry Allen volta ao passado para salvar sua mãe – e isso deve gerar uma grande mudança na realidade “presente”, onde ele terá que se unir a outros heróis como a Supergirl (interpretada por Sasha Calle) e uma “nova” versão do Batman (vivido por Michael Keaton, reprisando seu papel de Batman Batman: O Retorno).

Ainda não sabemos se o filme mostrará a guerra dos Atlantes e das Amazonas ou se o Superman vai aparecer em algum momento, mas ao que tudo indica, Barry Allen também conhecerá outra versão de si mesmo que deve ajudá-lo em sua equipe – e esse personagem também aparece na prévia, também vivido por Ezra Miller. Tudo isso nos leva a crer que a Warner tem grandes planos para esse projeto.

A maior especulação por parte dos fãs é que o filme terá um propósito similar ao que Ponto de Ignição teve nos quadrinhos da DC Comics, ajudando a redefinir o universo e criando uma espécie de soft reboot para adequar o público às novas histórias e fases. Se seguir o conceito dos Novos 52, essa nova “era” seria composta por franquias já estabelecidas, mas mudaria alguns detalhes que precisam de uma repaginada.

Provavelmente, isso vai servir para “limpar” o Universo Estendido da DC de qualquer traço criado por Zack Snyder em seus filmes, seguindo um novo rumo que já parece ter sido estabelecido nos últimos anos. Além disso, como o futuro de Ben Affleck Henry Cavill ainda é muito incerto nessa franquia, faria todo o sentido que o evento trouxesse novos atores para o papel de Batman e Superman em um futuro não muito distante.

The Flash chega aos cinemas em novembro de 2022.

Abaixo, confira também tudo o que você precisa notar no primeiro trailer do filme do Velocista Escarlate:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux