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Cavaleiro da Lua: Quais Deuses egípcios aparecem na série?

Por Chris Rantin

O terceiro episódio de Cavaleiro da Lua trouxe muitas reviravoltas para a história de Marc Spector/Steve Grant e Khonshu em sua tentativa de impedir Arthur Harrow de ressuscitar Ammit. Mais do que isso, o novo capítulo serviu para introduzir novas divindades egípcias no Universo Cinematográfico Marvel, ampliando ainda mais esta mitologia.

Para que você não fique perdido com quem apareceu, especialmente Hathor, a que ganhou mais destaque na trama, preparei esse artigo com tudo o que você precisa saber. Bora lá?

Quais Deuses aparecem em Cavaleiro da Lua? 

O salão da audiência dos Deuses

Durante a audiência invocada por Konshu para discutir as ações de Arthur Harrow, Marc Spector é enviado para dentro da Pirâmide de Gizé. Lá ele é recebido por outros avatares divinos que avaliam o que é dito, e vemos os Deuses literalmente falando através deles. 

Mas quem é que está presente? Graças a uma breve apresentação no início da cerimônia, isso é revelado ao público. Trata-se de Hórus, o Deus dos céus; Ísis, a Deusa da magia; Tefnut, a Deusa leoa da umidade; Osíris, o Deus da fertilidade; e Hathor, Deusa do amor, essa última recebendo mais destaque do que os demais, tendo alguma amizade com Khonshu.

Contudo, em um dos cantos da câmara em que eles se encontram, podemos ver uma mesa com diversas estatuetas o que, considerando o que acontece com Khonshu no final do episódio, pode indicar que os demais Deuses egípcios também estão por ali, condenados em sua prisão por interferirem na humanidade. 

Algumas estátuas dos Deuses que apareceram nos créditos do episódio

Quem é Hathor na mitologia egípcia? 

Hathor — também conhecida como Hator — é uma das principais divindades da mitologia egípcia, motivo pelo qual ela acumula diversos títulos. Ela é Deusa do amor, da beleza, da alegria, da música, da dança, das mulheres, do sol, do céu, do sexo e fertilidade, tendo ligação com o destino, nascimento e vida após a morte. Segundo os mitos, era filha de Rá, o Deus Sol.

São vários os motivos pelos quais Hathor é vista como a Deusa de tantas coisas. O egiptólogo Robyn Gillam sugeriu que Hathor assimilou outras divindades locais, que, após a popularidade da Deusa, foram consideradas um aspecto Dela. Por isso, ele defende que Hathor é mais um tipo de divindade do que uma única Deusa.

Estátua de Hathor

Já a tese da pesquisadora Lana Troy, de que Hathor era multifacetada pois esta era a maneira que os egípcios interpretavam as muitas formas de feminilidade, motivo pelo qual ela compartilha tantas características com outras Deusas daquela cultura — como os aspectos ligados à maternidade, fertilidade e sexo. 

O animal associado com Hathor é a vaca, que possuía diversas características ligadas à maternidade. Assim, a Deusa era representada tendo a cabeça de vaca, mas algumas regiões utilizavam uma leoa ou serpente para descrevê-la. Apesar disso, na grande maioria das vezes Hathor aparece na iconografia como uma mulher com chifres de vaca e o disco solar.

Hathor recepcionando o Faraó Seti I na pós-vida

Muito cultuada e valorizada no Egito, ela foi a Deusa que mais possuiu templos, sendo venerada sozinha ou em templos com os Deuses com quem ela se relacionou nos mitos — como Rá, Hórus e KhonshuNem mesmo quando o culto de outras divindades se tornou mais famoso, eclipsando diversos dos aspectos pelos quais Hathor era reverenciada, a Deusa do amor deixou de ser venerada.

Relacionada com as terras estrangeiras e distantes, bem como as riquezas das culturas alheias ao Egito, ela também foi cultuada fora da terra dos Faraós. Quando os gregos conheceram a cultura egípcia, Hathor foi diretamente associada com Afrodite

O olho de Rá 

(Hathor por Jezika)

Mesmo sendo uma Deusa de aspectos tão positivos como alegria e amor, Hathor também era conhecida por sua ferocidade. Ela é descrita em diversos mitos como uma das entidades consideradas Olho de Rá, uma grande protetora do Deus Sol. Chamada de Hathor de Quatro Faces nesse aspecto, a Deusa era representada como quatro cobras cercando o Sol, vendo a ameaça que poderia surgir de qualquer direção. 

Hathor também era enviada para administrar punições em nome de Rá, como é descrito no texto funerário conhecido como O Livro da Vaca Celeste, descoberto em 1881. Segundo o mito — que tentava explicar o motivo pelo qual a humanidade estaria passando por dificuldades — Rá havia ficado desgostoso com a rebeldia dos humanos e enviou a Deusa do amor para puni-los. 

Chegando entre os mortais, Hathor assume o aspecto da Deusa leoa Sekhmet — Deusa da peste, guerra, vingança e cura — e simplesmente massacra todos que estão em seu caminho. Furiosa, ela se torna uma ameaça para toda a humanidade e, por isso, Rá decide que ela precisa parar. Contudo, Sekhmet não ouvia o Deus Sol, nem mesmo o apelo dos sobreviventes.

Aegis de Sekhmet

Por isso Rá ensinou os humanos a como aplacar a sede da Deusa leoa, fazendo com que tingissem cerveja de vermelho, fazendo com que o líquido parecesse sangue e dessem para ela beber. Após ficar inebriada, Sekhmet finalmente se acalmou e voltou a assumir o aspecto pacífico de Hathor, o que permitiu que a humanidade sobrevivesse ao ataque furioso da Deusa. 

Outro mito mostra que Hathor, sendo o olho de Rá, decidiu seguir seu próprio caminho. Voltando a assumir seu aspecto mais violento, ela dominou regiões que cercavam o Egito, enquanto Rá enfraquecia. Por isso, o Deus Sol pediu que outra divindade tentasse aplacar a fúria de sua amada, fazendo com que ela voltasse para o lado dele — o que funciona.

Segundo a doutora Carolyn Graves-Brown, a dualidade entre a ferocidade e a doçura de Hathor era um indicativo de como os egípcios viam as mulheres em sua sociedade, com elas sendo capazes, na mesma intensidade, tanto da fúria violenta quanto do amor.

Qual a relação de Hathor e Khonsu na mitologia egípcia?

Khonshu, Hathor e Sobek

Como mencionamos anteriormente, mitos e representações mostram o relacionamento de Hathor com várias divindades, como Rá, Atum e Hórus. Além de ser uma maneira de demonstrar o seu poder e importância, isso também destaca seus aspectos de Deusa da fertilidade e amor. Um dos Deuses com quem Hathor se envolveu foi Khonshu

No mito de criação do período Ptolomaico, é Khonshu, o Deus da Lua, que é colocado como o grande criador. Em uma das passagens ele se deita com Hathor, continuando o processo de criação. 

Em outras representações, como no templo de Sobek e Hórus de Kom Ombo, Khonshu é retratado como filho de Hathor

Quem é Hathor nos quadrinhos da Marvel?

Sekhmet nos quadrinhos da Marvel

Nos quadrinhos da Marvel, Hathor não aparece com muito destaque. Assim como a maioria dos Deuses egípcios, ela não possui tantas histórias, mas quando aparece vemos a versão do mito do Olho de Rá. Assim, Sekhmet, a Deusa Leoa, que brilha na trama, com Hathor surgindo apenas quando a Deusa da vingança é aplacada ou sedada. 

A Deusa surge em Heroic Age: Prince of Power #3, publicada em julho de 2010, após Amadeus Cho e Thor conseguirem sedar Sekhmet, a leoa se transforma em Hathor, que adota características de uma gata, e fica se esfregando no Deus do Trovão. 

Após ser transformada, Sekhmet se transforma em Hathor

Hathor também já foi mencionada rapidamente como uma contraparte de Bast, a Deusa pantera que é a regente de Wakanda. 

Quem é Hathor no MCU? 

Durante a audiência invocada por Khonshu, Hathor é uma das divindades de maior destaque. A personagem aparece através do seu avatar, Yatzil, interpretada por Díana Bermudez. Ela é a primeira a encontrar Marc Spector e se mostra muito amigável. “Sou Yatzil, avatar de Hathor. Deusa da música e do amor? Com certeza Khonshu a mencionou…”

Quando Marc nega, dizendo que Khonshu não costuma falar dos Deuses, ela continua: “Nem mesmo quando são são velhos amigos?” É então que ouvimos um som e Yatzil sorri, ouvindo o que Hathor disse, contando para Marc: “Ela diz que não faz muito tempo que Khonshu apreciava as melodias de Hathor.”

Díana Bermudez

Antes da cerimônia começar, Yatzil tenta explicar para Marc o que irá acontecer, aconselhando que ele não lute contra Khonshu quando o Deus falar através dele: “Eu tento não lutar contra isso. É uma sensação estranha, mas você se acostuma.”

Durante a audiência, Hathor assume o controle sobre o seu avatar e apresenta os outros Deuses, dando início ao processo. Quando Arthur é chamado para ser julgado e revela que Marc é um homem doente e que estaria sendo manipulado pelo Deus da lua, Hathor demonstra simpatia por ele, ressaltando que ali ele pode falar como se sente sem temer Khonshu. 

Após a audiência, é Yatzil quem, contrariando os outros avatares, revela uma maneira que Marc poderia rastrear a tumba de Ammit. No fim do episódio, o poder de Hathor volta a aparecer, auxiliando os outros Deuses a invocar e prender Khonshu em pedra. 

E aí, será que veremos mais de Hathor e dos outros Deuses no futuro do MCU?

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FONTES: 

Pinch, Geraldine. Egyptian Mythology: A Guide to the Gods, Goddesses, and Traditions of Ancient Egypt. 2004. 

Gillam, Robyn A. Priestesses of Hathor: Their Function, Decline and Disappearance. 1995. 

Troy, Lana. Patterns of Queenship in Ancient Egyptian Myth and History. 1986.

Cruz-Uribe, Eugene. The Khonsu Cosmogony. 1994. 

Hill, Jenny. Ancient Egypt Online

Com Oscar Isaac e Ethan Hawke no elenco, Cavaleiro da Lua já está disponível na Disney+.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"