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Khonshu: Tudo que você precisa saber sobre a divindade que dá poderes ao Cavaleiro da Lua

Por Gus Fiaux

Em pouco menos de uma semana, finalmente poderemos conferir Cavaleiro da Lua, a mais nova produção do Universo Cinematográfico da Marvel, que segue a história de um homem com várias personalidades, e que está descobrindo, aos poucos, que também é um super-herói. O personagem possui uma complexa história nas HQs, e está diretamente ligado a uma divindade da mitologia egípcia.

Khonshu é o nome dessa deidade que garantiu poderes e um objetivo de vida para Marc Spector, e isso acaba trazendo muitas consequências para a vida do personagem. Porém, Khonshu também busca um avatar para que possa caminhar novamente no mundo dos vivos – e por isso, ele não é o deus bonzinho que muitos imaginam. E neste artigo, você vai saber quem é Khonshu e qual é o seu papel na mitologia do Cavaleiro da Lua!

Khonshu nos quadrinhos da Marvel

Como muitos sabem, o Cavaleiro da Lua fez sua estreia nos quadrinhos em Werewolf By Night #32, lançada em 1975. Originalmente um inimigo do Lobisomem, ele só apareceu esporadicamente em alguns quadrinhos de outros heróis, mas foi ganhar seu primeiro título solo apenas em 1980. E é justamente aí que vemos mais das suas origens e daquele que o criou.

Khonshu apareceu pela primeira vez em Moon Knight Vol. 1 #1, e foi criado por Bill Sienkiewicz Doug Moench, em uma história que detalha mais das origens de Marc Spector. Originalmente, Khonshu tinha uma presença mais secundária, sendo quase que uma divindade oculta para qual Marc rezava, mas aos poucos acabou ganhando mais destaque dentro das HQs do herói.

Engana-se, no entanto, quem acha que Marc Spector foi seu único avatar ao longo dos anos. Por não ser capaz de adentrar o plano terreno, ele sempre convocava um campeão, desde os tempos do Egito Antigo, para se tornar um “representante” dele entre os mortais. E assim nasceu a lenda do Cavaleiro da Lua, até que esse posto foi tomado por Marc Spector na idade contemporânea.

Quem é Khonshu?

Como já ficou muito bem estabelecido, o Universo Marvel sempre tentou dar origens mais “realistas” para os deuses de outras mitologias. Assim como os Asgardianos, os Olimpianos e até mesmo os Romanos, os deuses egípcios são seres de uma raça muito antiga, os Heliopolitanos. Eles existem em uma realidade adjacente à Terra e eram vistos como divindades pelos povos do Egito Antigo.

Khonshu era um desses seres. Filho de Amon-Rá Amunet, o deus do Sol e a deusa do Ar, respectivamente. Ele, por sua vez, era o deus da Lua, mas que também tinha uma relação próxima com os mortos e com a vingança. Por isso, muitos temiam sua influência, já que ele era tido como uma divindade bem impiedosa e furiosa. Ao longo dos anos, Khonshu tentou entrar na Terra de diversas formas, até através dos Vingadores Pré-Históricos.

Por não ter muita conexão com o plano terreno, ele acabou selecionando discípulos para se tornarem seus avatares em meio aos humanos, desde tempos imemoriais até o presente. Sabemos que ele já teve avatares na Roma Antiga, no começo dos anos 1920 e até mesmo na Londres Vitoriana. E foi assim que ele eventualmente acabou encontrando Marc Spector.

A relação de Khonshu com o Cavaleiro da Lua

Embora muitos saibam que Marc conheceu Khonshu no período em que era mercenário, a história dos dois começa muito antes disso, quando Spector ainda é criança. Certo dia, Khonshu o viu, ainda pequeno, e decidiu que ele seria o seu próximo avatar. Assustado com a forma monstruosa da divindade, o pequeno Marc sempre foi atormentado e foi internado em um hospital psiquiátrico por seus pais, para lidar também com suas múltiplas personalidades.

Eventualmente, ele se tornou um mercenário e viajou até o Egito para uma expedição, onde foi traído por um de seus aliados, Raul Bushman. Deixado para morrer aos pés de uma estátua de Khonshu, Marc teve um encontro com o deus no pós-vida, e prometeu servir como seu avatar caso tivesse a chance de retornar à vida e se vingar daquele que o traiu. Dito e feito, o novo Cavaleiro da Lua nascia ali.

Com o passar dos anos, a noção de que Khonshu era um deus “bondoso” foi completamente destroçada pela própria Marvel. Ainda que tenha ressuscitado Spector, ele o fez por motivos muito egoístas – e conforme o tempo passava, ele demandava uma sede de sangue maior de seu campeão. O ápice disso vem em Moon Knight Vol. 8, de Jeff Lemire e Greg Smallwood, onde o próprio Khonshu começa a pregar peças com a mente já fragmentada de Marc.

Khonshu na mitologia

Apesar de sua versão na Marvel ter ficado ainda mais famosa que os mitos originais. Khonshu também é um deus da mitologia egípcia. Ele possui vários nomes, como Khonsu, ChonsChonsuKhensu e até Quespisiquis, em traduções abrasileiradas. E assim como a maior parte das divindades egípcias, seu poder e influência não era algo “fixo”, e variava de culto para culto.

Por exemplo, em Tebas, ele era parte de uma “santa trindade” junto com seus pais, Mut Amon. Em outros locais, ele era venerado junto com Toth, como sendo responsável pela passagem do tempo. A única coisa fixa em seus mitos era a conexão com a lua. Em certo período histórico, ele foi tido como o “Grande Deus dos Grandes Deuses“, de modo que o popular tempo de Karnak foi construído, em grande parte, em sua homenagem.

Em sua forma humana, ele é retratado com uma trança lateral de cabelo e usando o Cajado e o Mangual, símbolos de poder que eram usados pelos faraós. Em sua forma antropomórfica, ele tem a cabeça de uma águia e está sempre segurando um Ankh. Nas duas versões, sua cabeça é adornada com uma lua crescente e o disco solar. Conhecido como “O Viajante“, ele protegia contra animais selvagens e ajudava em curas à luz do luar. Na fase crescente da lua, ele era o responsável pela fertilidade de mulheres e do gado.

Cavaleiro da Lua estreia no dia 30 de março, no Disney+.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux