Capa da Publicação

Será que o reinado da Netflix chegou ao fim?

Por Guilherme Souza

Há cerca de uma década, parecia impossível imaginar consumir conteúdo de entretenimento via streaming da maneira como fazemos hoje, mas a Netflix conseguiu redefinir os hábitos de grande parte da população mundial, além de ser a pioneira no que viria a ser uma verdadeira mina de ouro. 

Desde que começou a dar seus primeiros passos em 2007 (no ramo de streaming), a Netflix se consolidou como uma das maiores distribuidoras de conteúdos via streaming do mundo, concorrendo diretamente com o YouTube, que na época, era o pioneiro do ramo. 

Acontece que diferentemente do YouTube, a Netflix distribuía filmes e séries produzidos por grandes estúdios do cinema e da TV, algo que se tornou muito popular rapidamente entre os consumidores e selou de vez o fim das videolocadoras

Por anos, a Netflix se manteve como soberana e ela soube aproveitar muito bem esse posto, passando a produzir seus próprios conteúdos e agregando ainda mais valor para seu catálogo, mas como esperado, é óbvio que a concorrência surgiria e os impactos disso já estão bem visíveis. 

Mesmo fazendo com que seus conteúdos originais se tornassem extremamente populares e queridos pelo público, a maior parte do catálogo da Netflix é composta por conteúdos de outros estúdios e isso é um ponto fraco da plataforma, afinal, a partir do momento que os estúdios decidirem que não querem mais que seus conteúdos sejam distribuídos pela plataforma, a Netflix é obrigada a removê-los do catálogo e é exatamente isso o que está acontecendo. 

Depois que a Netflix se consolidou, os estúdios perceberam que eles também poderiam entrar nesse ramo e vriar plataformas com seus próprios conteúdos, que levam multidões aos cinemas e que quebram recordes de audiência na televisão, sem ter que dividir os lucros disso com ninguém.

Além de plataformas como o Hulu e a Amazon, que de certa forma, já começaram a comer alguns pedaços do mercado de streaming, que antes pertenciam inteiramente à Netflix, em breve, teremos a chegada de outras quatro plataformas novas, que podem significar a derrocada da Netflix. 

A primeira delas, é a Disney+, que como o nome indica, é dedicada exclusivamente aos conteúdos dos estúdios Disney, que englobam produções Disney, Lucasfilm, Marvel Studios, Pixar e National Geographic. Não é preciso falar muito para entender que isso realmente pode revirar o mercado, afinal, é só acompanhar os anúncios sobre os conteúdos originais da plataforma, bem como as demais produções que já pertenciam à esses estúdios e que estavam espalhados em outras plataformas, mas que agora só poderão ser encontrados na Disney+, para perceber o quão ansioso o público está para o lançamento.

Além disso, a Disney investiu em uma campanha de marketing agressiva, bem como já divulgou os planos de expansão da plataforma para outros países, algo que fez com que os acionistas entrassem em êxtase. 

Por falar em ações, as ações da Netflix têm apresentado uma queda constante desde o anúncio da Disney+, além de outros fatores como aumento de preço da mensalidade, saída de itens importantes do catálogo e perda de inscritos, chegando ao ponto de fecharem o ano fiscal no negativo, algo que nunca havia acontecido antes. 

Quem também contribuiu para a queda de ações da Netflix foi a NBCUniversal, que em breve também lançará sua plataforma de streaming, a Peacock. Um dos maiores trunfos em sua manga é a série The Office, uma das mais populares da Netflix, que em breve terá de deixar o catálogo para ser distribuída exclusivamente pela Peacock. 

Outra que vem chegando forte ao mercado é WarnerMedia, que em breve, lançará a HBO Max, uma plataforma de streaming que contará não só com filmes clássicos da Warner, como também todas as séries e filmes produzidos para os canais do grupo Turner (HBO, Cartoon Network, Boomerang e entre outros). 

Por fim, temos a Apple TV+, que também vem chegando forte ao mercado, com foco em produções originais de grande investimento e contando com renomados nomes da indústria cinematográfica e televisiva, além é claro de ter a vantagem de oferecer benefícios para aqueles que já consomem os produtos eletrônicos da Apple. 

Quando as quedas de ações da Netflix foram anunciadas, Reed Hastings, CEO da empresa, declarou que estava ciente de que a competição seria dura daqui em diante e que os consumidores teriam muitas opções de escolha. 

De fato, os consumidores terão de fazer muitas escolhas, afinal, a tendência é que os conteúdos se tornem cada vez mais diluídos, com cada plataforma lutando para chamar a atenção. Enquanto muita gente terá de decidir se quer assinar mais de uma plataforma, outros terão de optar por apenas uma ou nenhuma, o que pode aumentar ainda mais o consumo de conteúdo obtido de maneira ilícita

O que parece ficar cada vez mais claro é que plataformas como Netflix, Amazon Prime Video e Apple TV+ terão que aprender a “caminhar com suas próprias pernas”, focando-se em conteúdos originais e perdendo a vantagem de catálogos mais robustos e completos, mas será que isso é o bastante para bater de frente com grandes estúdios como Disney e Warner?

Vale lembrar que mesmo sem os conteúdos terceirizados, ao longo dos últimos anos, a Netflix fez uma série de aquisições importantes de franquias renomadas como The Witcher, Magic The Gathering, Avatar: A Lenda de Aang e Resident Evil, que serão transformadas em conteúdos originais exclusivos da plataforma, além de ter fechado contratos de exclusividade com diretores renomados como Matt Reeves e os criadores de “Game of Thrones”, o que deve prender a atenção do público. 

Outros dados que provam uma queda substancial nos lucros da plataforma são os custos das produções originais, que de acordo com Ted Sarandos, Chefe de Conteúdo da Netflix, passarão a ser “focados em compras econômicas”, o que significa que a plataforma dará prioridade para produções que tenham um custo menor, o que pode ser um outro fator negativo perante os concorrentes, que estão apostando em produções com orçamentos astronômicos. 

A mudança no mercado já pode ser sentida, mas o que isso significa a longo prazo ainda não está claro, contudo, podemos ter certeza de que a Netflix vai ter que batalhar bastante para se manter no topo.

Fique com nossa lista:

Imagem de perfil
sobre o autor Guilherme Souza

Outra grande manchete: 'Água, molhada!'