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Todos os filmes da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel, do pior ao melhor

Por Chris Rantin

Durante a San Diego Comic-Con, Kevin Feige confirmou que a Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel estará chegando ao fim com a estreia de Mulher-HulkPantera Negra: Wakanda Para Sempre. Mas enquanto nos preparamos para as grandes novidades que estão vindo por aí, este é um ótimo momento de avaliarmos o que assistimos.

Com seis filmes já lançados, em uma agenda extremamente afetada pela pandemia, as produções da fase 4 estão dividindo os fãs. Enquanto muitos consideram este um dos momentos mais fracos da Marvel Studios, outros defendem que este momento de transição — surgindo depois conclusão da Saga do Infinito e dando os primeiros passos na Saga do Multiverso — está dentro do esperado.

Mas afinal, quais foram os melhores filmes deste momento?

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Doutor Estranho No Multiverso da Loucura

Doutor Estranho No Multiverso da Loucura foi vendido como um dos maiores filmes do MCU, especialmente por ser o primeiro longa que realmente exploraria os universos alternativos da Marvel. Mas na prática isso não aconteceu. Tivemos uma sequência que apresentou universos interessantes, cada um por apenas dois ou três segundos, e os únicos que foram trabalhados (a futurista Terra-836 e o destruído pelas Incursões) deixaram a desejar.

Para piorar, o filme parece desconexo com o próprio MCU, ignorando grandes arcos de desenvolvimento dos personagens. Apesar do primeiro trailer sugerir que o Multiverso estaria se rompendo por conta de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, não vemos nenhuma consequência disso. A elogiada WandaVision e seu trabalho com a Feiticeira Escarlate também é ignorada, praticamente repetindo o mesmo arco da personagem para transformá-la em vilã.

O grande mérito do filme é o trabalho de Sam Raimi, que imprime toda sua identidade ao abraçar o exagero e os elementos de horror, trazendo algumas das cenas mais violentas e criativas do MCU. Entretanto, nem mesmo ele consegue salvar o filme dos seus maiores defeitos: o roteiro fraco e a maneira que o filme não cumpre o que foi prometido em toda sua divulgação.

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Viúva Negra

Viúva Negra chegou tarde demais. Após anos sendo sexualizada e subaproveitada nos filmes do MCU, a personagem de Scarlett Johansson acabou morrendo em Vingadores: Ultimato. Somente então tivemos um filme contando sobre seu passado, trazendo uma família que nunca sequer havia sido mencionada até aquele momento. Mas aí já era tarde.

Essa demora para que a Marvel tivesse coragem de explorar uma das suas maiores heroínas nos cinemas custou caro, uma vez que o filme tem o árduo trabalho de tentar justificar porque seria relevante nos interessarmos por ele. Para piorar, ele foi lançado durante a pandemia, chegando para muitas pessoas através do Disney+ -- ou seja, ele foi analisado de forma minuciosa e todo erro ou ponto fraco fosse amplificado nas redes sociais.

Fugindo de uma trama megalomaníaca, Viúva Negra entrega uma história bastante pessoal e contida de espionagem, o que resulta em um filme de ação explosivo que finalmente desenvolve o potencial da sua protagonista.

Aprofundando o legado das Viúvas e abordando temas difíceis como tráfico de mulheres, e discussões sobre a importância do livre-arbítrio, a produção consegue se manter emocionante e bem interessante. Além disso, o grande trunfo do filme está sustentado no grande carisma do seu elenco, especialmente com Florence Pugh como Yelena Belova, que conquistou todo o fandom com seu bom humor e charme.

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Thor: Amor e Trovão

Desde o lançamento de Thor: Ragnarok, Taika Waititi tem se tornado um nome cada vez mais popular em Hollywood. Muito disso se deve para sua criatividade caótica e senso de humor bem peculiar, algo que pode ser visto em praticamente todas as suas obras. Retornando para a quarta aventura do Deus do Trovão, o diretor parece mais confortável em seu estilo, criando um filme que é, de muitas formas, cafona.

E não há nada de errado em ser cafona, muito pelo contrário. Thor: Amor e Trovão funciona por abraçar o absurdo e se entregar totalmente para a comédia. Sei que a experiência pode ter sido frustrante por conta do arco envolvendo Jane Foster, ou por termos um vilão tão sombrio quanto Gorr, mas em momento algum nos foi prometido que o filme não seria pura galhofa.

Com cenas lindas, momentos marcantes e muito bom humor, o filme expande a cosmogonia do MCU, introduzindo novas mitologias e entidades cósmicas dos quadrinhos. Na prática, isso pode ter repercussões bem interessantes para todo o MCU. Mas ele não funciona apenas pelo fator “vem aí”, ele é uma boa experiência para aqueles que escolheram se divertir com um filme cheio de ação e bobagem.

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Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Shang-Chi não é um dos personagens mais populares dos quadrinhos da Marvel, ainda que tenha um grupo fiel de fãs, ele foi muito subutilizado pela editora, não sendo aproveitado como poderia. Por esse motivo, foi uma grande surpresa quando o MCU anunciou que o herói ganharia um filme solo.

Assim, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis teve a difícil missão de introduzir um novo herói não muito popular, e garantir que ele não apenas fosse relevante para o público, como também conquistasse seu espaço em meio a tantos personagens que já são adorados pelo público. Por sorte, o filme dirigido por Destin Daniel faz isso com maestria!

Entregando lutas bem coreografadas, visuais belíssimos, personagens cativantes e um protagonista que esbanja carisma, Shang-Chi rapidamente se tornou um dos filmes queridinhos do fandom, de forma mais que merecida.

Isso porque ele consegue expandir a mitologia do MCU e mergulhar nos elementos místicos -- algo que somente recentemente temos visto nos filmes da Marvel --, sem perder a ação eletrizante pela qual os filmes deste universos são conhecidos.

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Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Atualmente temos visto que a nostalgia e o fanservise são formas fáceis de conseguir dinheiro do público. Um dos maiores exemplos disso é Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que trouxe os antigos vilões das franquias anteriores do personagem, bem como Tobey Maguire e Andrew Garfield, para contracenar com Tom Holland e, com isso, arrecadou a grandiosa bilheteria de 1,901 bilhões de dólares.

Mas então o que faz com que Doutor Estranho No Multiverso da Loucura esteja em último lugar e Homem-Aranha 3 fique em segundo? A diferença está na maneira em que ele utiliza as participações especiais para construir uma história emocionante e, ao mesmo tempo, honrar o legado deixado pelas três franquias anteriores.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa abusa do fanservise e da nostalgia, mas faz isso enquanto cria a tão aguardada origem do Peter Parker que os fãs dos quadrinhos tanto clamava. É um filme de amadurecimento tardio que trabalha o que significa ser o Homem-Aranha, o impacto que ele tem na vida das pessoas e os valores que o Teioso recebeu de sua família.

No fim, as participações especiais não estão jogadas em uma cena aleatória, mas bem amarradas com a trama. Afinal não estamos apenas revendo atores queridos em papéis marcantes, eles estão ali por um motivo e, por causa disso, enriquecem ainda mais a experiência dos fãs.

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Eternos

Eu sei que Eternos foi provavelmente o filme mais divisivo da Fase 4 do MCU, mas é impossível fingir que este não é um dos filmes mais corajosos e impactantes deste universo compartilhado. Trazendo doze novos heróis -- com somente quatro deles sendo homens caucasianos -- a produção conseguiu trazer parte da diversidade que Kevin Feige prometeu tornar mais frequente no MCU.

Ainda que muitos critiquem a ousadia em termos tantos personagens sendo introduzidos de uma única vez, o filme toma seu tempo para explorar detalhes da personalidade e da relação que foi estabelecida entre os membros desta família cósmica disfuncional. Assim, você sai do filme encantado por vários heróis, sentindo a necessidade de que eles retornem logo para mais projetos.

Eternos brinca com o modelo já estabelecido ao longo dos anos pela Marvel Studios, ao mesmo tempo em que continua seguindo sua fórmula. Com uma história que se passa através de milhares de anos, ainda temos uma grande batalha no final e uma ameaça terrível que precisa ser impedida, mas ele escolhe trabalhar esses elementos de uma forma mais delicada, focando principalmente nos arcos dramáticos e na emoção dos protagonistas.

E é isso que faz com que Eternos se destaque em meio a tantos outros projetos grandiosos do MCU. Sua delicadeza e vulnerabilidade, tão bem personificadas por Sersi, a grande protagonista, cujo principal poder é ter empatia pela humanidade, subvertem expectativas.

Muito disso se deve ao trabalho incrível da Chloe Zhao, que conseguiu equilibrar a grandiosidade dos aspectos cósmicos do MCU, sem perder de vista seu objetivo em contar uma história sobre amor e família.

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Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"