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[REVIEW] The Dark Man: O horror e a poesia de Stephen King

Por Gus Fiaux

Stephen King é, sem a menor sombra de dúvidas, o maior mestre do horror contemporâneo. Com mais de setenta obras publicadas, entre livros, contos, antologias e quadrinhos, o autor revolucionou o gênero do horror, criando personagens e monstros que são facilmente identificáveis.

Afinal de contas, quem não conhece o palhaço Pennywise? Ou Christine, o carro assassino? Já ouviram falar de Carrie, a estranha? Ou dos perigos que habitam o Hotel Overlook? Todos esses são vilões e criaturas que conquistaram a força seu lugar de direito na cultura pop.

Mas você já ouviu falar do Homem de Preto?

Ele atende por vários nomes, como Randall Flagg, Walter Padick, Rudin Filaro, Richard Fry, Nyarlathotep… E é, provavelmente, o maior vilão já criado nas obras de King.

O personagem já apareceu em diversas obras do autor, seja como inimigo central ou apenas em uma participação especial – e ele representa a escuridão da humanidade, as trevas que todos carregamos dentro de nós. Algumas das obras que o apresentaram são A Dança da Morte e a saga da Torre Negra. 

Mas você conhece mesmo o Homem de Preto?

O vilão surgiu na época em que King ainda estava na universidade. Sem conseguir tirar um pensamento da cabeça, ele escreveu um breve poema, chamado The Dark Man, que finalmente trouxe esse personagem à vida, livrando o autor de mais um demônio em sua cabeça.

Agora, a Darkside Books – editora parceira da Legião dos Heróis – acaba de soltar uma edição muito especial dessa obra rara do escritor. Em The Dark Man: O Homem que Habita a Escuridão, temos o poema na íntegra com ilustrações de Glenn Chadbourne.

Antes de mais nada, é importante ressaltar: The Dark Man não é a melhor obra para quem quer começar a ler Stephen King. Na verdade, até mesmo para os entendidos da obra do escritor, é difícil se guiar nessa ideia sem ter um conhecimento prévio de quem é o Homem de Preto/Randall Flag.

A melhor opção é primeiro ler A Dança da Morte e a saga da Torre Negra antes de se debruçar sobre esse material.

Tendo dito isso, vamos ao que interessa: Quem procura um enredo ou uma história aqui vai se decepcionar, mas não por falta de aviso. O livro todo é baseado em um único poema de apenas cinco estrofes, o que faz com que essa estória não tenha uma narrativa clara, linear ou convencional.

A distribuição dessa história é feita da forma mais inventiva possível. O livro traz um verso para cada página, acompanhado de uma das belíssimas ilustrações de Glenn Chadbourne. Essas ilustrações não necessariamente “recriam” cada verso, mas estabelecem uma pequena narrativa que nos coloca diretamente na mente sombria e distorcida do Homem de Preto.

Por conta disso, a leitura é mais do que fluida. Mesmo com suas 160 páginas, o livro pode ser lido em menos de 10 minutos – isto, é claro, se você apenas folhear em busca dos versos poéticos. Quem gosta de apreciar e absorver a arte deve levar um tempo maior.

Ainda assim, é mais uma prova de que King, apesar de nem sempre acertar na construção de suas histórias, sabe criar personagens únicos e excepcionais. Em The Dark Man, mesmo que as ilustrações ocultem sabiamente o rosto do Homem de Preto, é como se pudéssemos sentir sua presença através dos versos delicados e etéreos do autor.

Em suma, isso é tudo o que eu posso dizer sobre a obra – inclusive, é possível que eu tenha passado mais tempo escrevendo esta review do que lendo o livro em si, dado à sua fluidez. The Dark Man: O Homem que Habita a Escuridão é mais uma boa obra de King, e mesmo que esteja longe de ser uma leitura obrigatória para os fãs, é certamente uma forma excelente de conhecer mais de um dos maiores vilões da mente sobrenatural de Stephen King.

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A seguir, fique com imagens da edição da Darkside Books:

The Dark Man está disponível nas livrarias. Você pode adquirir o seu volume no site oficial da Darkside Books.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux