[REVIEW] Love Kills – Sangue e vampirismo no Brasil

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[REVIEW] Love Kills – Sangue e vampirismo no Brasil

Por Gus Fiaux

O mito do vampiro é algo que já foi desbravado centenas de vezes na cultura pop. Desde o amedrontador Drácula de Bram Stoker às incursões mais populares desses seres sanguinários, seja em franquias como Crepúsculo e The Vampire Diariesos vampiros definitivamente vieram para ficar. E eles não vão nos deixar tão cedo.

O que varia, de história para história, é sempre a abordagem – e a capacidade dos criadores e autores de transformar um mito tão antigo em algo tão envolvente até mesmo para os padrões atuais. Felizmente, o nosso querido Danilo Beyruth, um quadrinista muito influente – que já trabalhou na linha Graphic MSP e em revistas da Marvel, consegue criar seus vampiros com perfeição em Love Kills. 

graphic novel acaba de ser publicada pela Darkside Books, a nossa editora parceira – e nós já pudemos dar uma conferida nessa história que desafia o bem, o mal, a vida e a morte.

A história segue Helena, uma vampira vivendo em São Paulo, caçando à noite em busca de presas e diversão, enquanto foge de uma gangue vampiresca bem violenta, composta por inimigos poderosos que procuram vingança contra nossa protagonista.

No meio disso tudo, dois personagens rondam essa trama pela tangente, e possuem papeis muito grandes na jornada de Helena. O primeiro é Marcus, um humano comum, que trabalha em um restaurante e logo fica interessado na mulher misteriosa e enigmática, diferente de tudo que ele já viu.

O segundo… bem, falar sobre o segundo talvez seja entregar um pouco demais da trama, mas basta dizer que os esgotos definitivamente não são um lugar seguro, conforme uma ameaça muito mais perigosa – e antiga – espreita nos encanamentos, se alimentando de qualquer coisa que se aventure pelo literal submundo.

Porém, o que realmente torna Love Kills uma história empolgante, do início ao fim, é a abordagem que Danilo Beyruth confere aos seus personagens. Embora, em essência, seja apenas uma história vampiresca como qualquer outra, misturando elementos de horror com sobrevivência e vingança, o quadrinista – que escreve desenha a graphic novel – sabe criar ação e tensão de um modo espetacular.

Os diálogos são ágeis e carregados de brasilidade, e os quadros são detalhados, ao mesmo tempo que economizam firulas e se atêm apenas ao necessário. O resultado é uma narrativa frenética, carregada de sangue e gore, com ação sem limites. Isso é ainda mais explicitado pela arte em preto-e-branco, que torna São Paulo em uma cidade tirada diretamente dos grandes film noir. 

E Beyruth não se limita apenas na ação. Escondidas nas entrelinhas, temos vários sutis questionamentos existenciais, que certamente derivam de seus trabalhos nas Graphic MSP do Astronauta. 

Além disso, os fãs mais oldschool dos vampiros também terão um prato cheio. A graphic novel não poupa referências, explícitas e implícitas, a diversas histórias clássicas de vampiros, desde Nosferatu aos livros de Anne Rice, em especial Entrevista Com o Vampiro. 

No fim, Love Kills é mais uma prova de nossa riqueza narrativa e de como os quadrinhos não precisam ser palco apenas para os super-heróis. Em vez disso, há lugar para uma história de horror com vampiros, situada nas ruas de São Paulo e que lida com amor, tragédia, sangue e vida. Em uma palavra, essencial.

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Na galeria abaixo, fique com algumas imagens da graphic novel:

Love Kills está à venda em várias livrarias. Você também pode adquirir seu volume na loja oficial da Darkside Books, clicando aqui.