Por que Liga da Justiça: Mortal, de George Miller, nunca foi produzido?

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Por que Liga da Justiça: Mortal, de George Miller, nunca foi produzido?

Por Raphael Martins

Quando se fala em Liga da Justiça hoje em dia, é impossível não lembrar do malfadado filme de 2017, que teve uma produção altamente conturbada. Zack Snyder abandonou o posto de diretor no meio do caminho devido a uma tragédia familiar, sendo substituído quase imediatamente por Joss Whedon, o que transformou o filme em uma colcha de retalhos difícil de engolir.

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Mas por muito pouco não tivemos um filme da Liga da Justiça bem antes de isso tudo acontecer. Trata-se de Justice League: Mortal, que seria dirigido por George Miller, criador e diretor da franquia Mad Max. O projeto, apesar de promissor, nunca viu a luz do dia.

Qual era o elenco do filme?

Justice League: Mortal já estava em avançado estado de desenvolvimento antes de ser cancelado, inclusive já tendo todo o seu elenco devidamente escalado. Armie Hammer seria Batman, enquanto DJ Cotrona seria Superman e Megan Gale viveria a Mulher-Maravilha. O filme também traria Adam Brody como Flash, Santiago Cabrera como Aquaman, o rapper Common como o Lanterna Verde John Stewart e Hugh Keays-Byrne como o Caçador de Marte.

Do lado dos vilões, teríamos Jay Baruchel como Maxwel Lord e Teresa Palmer como Talia Al Ghul, que assim como nos quadrinhos, teria uma ligação com o Batman.

Imagem vazada de um teste de câmera de Justice League: Mortal

Qual seria a trama do filme?

O filme, que seria inspirado nos arcos Torre de Babel e Projeto OMAC, mostraria os heróis da liga já totalmente estabelecidos em nosso mundo, cada um no auge de sua carreira. A taxa de criminalidade em Gotham estaria baixa como nunca, a Mulher-Maravilha seria mostrada como embaixadora das Nações Unidas e tudo mais. Mas ataques misteriosos explorando as fraquezas de cada um os colocariam em rota de colisão uns com os outros.

Vilões como Talia Al Ghul e Maxwell Lord apareceriam no longa como as mentes por trás do plano maligno, que envolveria o Superman tendo sua mente dominada e lutando contra a Mulher-Maravilha em um duelo para deixar a cidade abaixo.

No fim do filme, Maxwell Lord revelaria algum tipo de arma secreta para destruir o mundo, sendo impedido pelo Flash, que se fundiria à Força de Aceleração e mandaria o vilão para outra dimensão, morrendo no processo. Após um merecido funeral, Wally West substituiria Barry Allen como o velocista escarlate e o filme terminaria.

Tudo isso parecia muito promissor, o elenco já estava escalado e as gravações estavam prestes a começar, e aí… silêncio. O projeto estava cancelado.

Storyboard da luta entre Superman e Mulher-Maravilha: um dos pontos altos do filme

O que deu errado?

Primeiramente, Justice League: Mortal tinha um orçamento absurdo até para os dias de hoje, cerca de $300 milhões, o transformando no filme mais caro já feito. Outro aspecto a ser apontado é que a Warner estaria preocupada em ter dois Batman diferentes no cinema, uma vez que Christian Bale já interpretava o cavaleiro das trevas em sua própria trilogia.

Além disso, a indústria do cinema e da TV passava por uma crise: em 2007, a grande greve dos roteiristas começou, forçando não só o filme da liga, como outras produções esperadas serem paralisadas e, posteriormente, canceladas. Quando a greve terminou, em 2008, o diretor George Miller havia tentado mudar o local das gravações para a Austrália, mas o combinado acabou sendo Vancouver, no Canadá. Neste mesmo ano, estreava Batman: O Cavaleiro das Trevas, filme que mudou não só a maneira como filmes de super-heróis eram feitos, mas também o destino de Justice League: Mortal.

Com o sucesso do filme, que tinha um orçamento bem menor do que os $300 milhões do filme da Liga, a Warner passou a não achar mais que era uma boa ideia aquele filme, ou qualquer outro, ter um investimento desse tamanho. Fora que o Batman de Christian Bale já estava marcado para o público, e o estúdio não queria confundir as pessoas com dois morcegos ao mesmo tempo no cinema.

E assim, Justice League: Mortal foi engavetado, para nunca mais ver a luz do dia. Mas nem tudo está perdido, uma vez que um documentário sobre o longa está sendo produzido, com a promessa de resolver todos os mistérios do filme que jamais foi.

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael