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Quem foi o primeiro personagem a se chamar Flash nas HQs?

Por Junno Sena

Barry Allen, Wally West, Bart Allen, Zolomon Hunter. A lista de velocistas da DC é extensa, mas existe um que se destacou entre os outros: Jay Garrick, também conhecido como Joel Ciclone no Brasil. Sendo o Flash original, ele foi determinante para construir o universo da editora, além de ser um dos pilares para a elaboração da Crise das Infinitas Terras.

Criado por Gardner Fox e Harry Lampert, sua primeira aparição se deu em 1939, apenas um ano após o lançamento de Superman em Action Comics #1. Em sua edição de introdução, Flash Comics #1, conhecemos o jogador de futebol americano e estudante da Universidade de Keystone, Jay, e sua namorada e futura esposa, Joan.

Trabalhando como assistente de laboratório do pai de Joan, Jay decide passar do horário e terminar um trabalho. É então que, ao invés de um raio cortando o céu e lhe dando poderes, Jay derruba um frasco contendo uma amostra de um misterioso líquido conhecido como água pesada. Os vapores emitidos pela substância fizeram com que desmaiasse e entrasse em um profundo coma.

Após sua recuperação, Jay descobriu que o contato com a água pesada fez com que seu Meta-Gene latente fosse ativado, lhe dando a capacidade de correr à velocidade da luz. É então que o rapaz coloca seu capacete com asas, o uniforme colado e adota o nome de Flash.

Com uma arte que se destacava ao redor de edições do Superman e Flash Gordon, Jay Garrick terminou sua primeira história salvando Joan e marcando aquele como o início de uma linhagem de velocistas.

Jay Garrick e a Crise das Infinitas Terras

Depois de sua criação, ele se tornaria recorrente na editora, sendo uma adição importante na Sociedade da Justiça da América, formada por outros personagens icônicos como Mulher-Maravilha, Superman e Batman. Porém, com o fim da Segunda Guerra Mundial, a cultura dos quadrinhos caiu no desuso, engavetando esses personagens.

Nos anos seguintes, a DC Comics entrou em uma revitalização da marca. Desta forma, novas versões dos seus clássicos personagens foram feitas e histórias de origem recontadas. Já em 1956, Jay apareceu mais uma vez nos quadrinhos, desta vez como um personagem fictício, estampado na capa de um quadrinho encontrado no mundo de Barry Allen.

A ficção se tornou realidade em 1961, em The Flash #123. Em “Flash of Two Worlds”, os fãs do personagem descobriram que Garrick era, na verdade, o Flash de outra dimensão, sendo mais específico, da Terra-2. O conceito foi revolucionário para a editora na época e permitiu revitalizar um personagem clássico sem precisar recriá-lo.

Entre as aproximações dos dois personagens, diversos eventos foram criados, expandindo a lógica por trás de múltiplas Terras existirem. Foi assim que arcos como Crise das Infinitas Terras deram espaço para que a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça se encontrassem.

Já no mundo das séries, Jay Garrick veio após Barry Allen. Interpretado por John Wesley Shipp, que deu vida a Barry Allen na série clássica do Flash, Jay é doppelganger de Henry Allen e esteve preso no covil do vilão Zoom por um bom tempo. Mesmo com menor destaque, o retorno do ator e a adição desse personagem foi motivo de alvoroço para os fãs da série. Garrick também deu as caras na série Stargirl, da HBO Max.

Sua presença foi capaz de expandir, mais uma vez, o “multiverso” da DC Comics, se tornando um artifício para levar a Crise das Infinitas Terras para a televisão.

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sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.