What If…? 1×04: O que aconteceria se… O Doutor Estranho perdesse seu amor e não suas mãos?

Capa da Publicação

What If…? 1×04: O que aconteceria se… O Doutor Estranho perdesse seu amor e não suas mãos?

Por Gabriel Mattos

A cada semana, What If…? abre a porta para uma nova realidade no mar de mundos alternativos criado por Sylvie no final da série Loki. Mas nem todas são boas ou mesmo felizes. No quarto episódio desta antologia animada, mergulhamos fundo na escuridão do lado místico do MCU para desafiar os limites do multiverso.

Sob o título “O que aconteceria se… O Doutor Estranho perdesse seu amor e não suas mãos?”, temos uma prévia do que podemos esperar de Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura, próximo filme estrelando o herói. Este curta explora o processo de luto de um homem arrogante que não está acostumado a perder — uma versão alternativa de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch).

O início resume os acontecimentos do filme solo do Doutor Estranho com uma pequena mudança em sua história de origem: no acidente de carro que motiva o cirurgião a procurar as artes místicas, Christine Palmer é quem acaba morrendo. O resto da trama segue sem grandes novidades, incluindo o confronto com Dormammu, mas quando Strange percebe que pode usar o Olho de Agamotto para salvar a sua amada, as coisas começam a se complicar.

Insistir em Crème Brulê pode ter consequências absurdas…

Este episódio mostra que é possível buscar inspiração no enredo de um filme de origem sem limitar sua criatividade. Após a introdução, o roteiro leva Strange para caminhos completamente novos que não se assemelham em nada ao que vimos nos filmes, mas que ainda fazem bastante sentido para o personagem e o seu papel no universo dos cinemas.

Apesar disso, o grande trunfo deste episódio não é sua narrativa, que por vezes pode beirar o superficial, mas sim o quanto ele enriquece a mitologia do MCU, preparando o terreno para os grandes temas da Fase 4. O luto de Strange serve como uma âncora emocional para discutir as regras que regem o multiverso e as artes místicas. De certo modo, este é o episódio que mais se assemelha a um prólogo de Loki.

A própria cena que repete o encontro de Stephen com Christine evidencia esta preocupação em digerir conceitos estranhos de maneira visual. Em sua paranoia para reverter o destino, Strange percorre diferentes possibilidades de maneira similar ao que é descrito em Vingadores: Guerra Infinita. Se o Mago Supremo ficou preso em um ciclo similar ao procurar um modo de deter Thanos, percorrendo dezenas de milhares de possibilidades, isso explicaria sua tranquilidade ao entregar o Olho de Agamotto.

Objetivo do episódio é construir conhecimento

Outro momento enriquecedor para entender o multiverso é a explicação da Anciã sobre Pontos Absolutos, deixando mastigadinho as leis que impedem a ocorrência de paradoxos e as consequências de quebrá-las. Com a chegada de Kang, o Conquistador no horizonte, formas de esclarecer as regras temporais são sempre bem-vindas.

Já o mundo místico roubou o holofote na visita à Biblioteca de Cagliostro, um dos cenários mais bonitos desta série. Em filmes como Thor: O Mundo Sombrio e Doutor Estranho, o Marvel Studios demonstrou certo receio em apresentar magia sem uma explicação científica plausível, mas este curta deixou claro o comprometimento em abraçar o lado mais estranho dos quadrinhos.

Pactos e feitiços antigos são usados sem nenhuma cerimônia, mostrando como nunca que o Mago Supremos tem algumas cartas na manga. Foi inteligente associar as consequências deste poder à loucura do personagem, de um modo que ajuda a diferenciar do vilão do episódio anterior, que também passou dos limites devido ao luto.

Conflito entre Doutores Estranhos mostra o potencial do multiverso

O final é agraciado com uma batalha de proporções épicas pelo destino deste universo entre as duas versões do Doutor Estranho. Apesar de intensa, acabou sendo curta demais para quem esperava por um pouco de ação. Felizmente o desfecho consegue condizente, surpreendendo de forma bastante positiva.

O fim da história consegue ser tão sombrio quanto o desenvolvimento da narrativa. De modo geral, este episódio abraça uma visão amargurada de como o processo de luto pode destruir uma pessoa. Aceitar a perda de alguém é muito doloroso, mas quanto mais tempo levar para seguir em frente, mais severas são as consequências. Uma mensagem impactante que acaba se perdendo devido a preocupação prioritária em construir conceitos que podem ser aproveitados pelo MCU. Se os próximos episódios continuarem em bater nesta tecla, esta pode acabar se tornando a grande ruína de What If…?.

Pelo menos tivemos finalmente uma participação mais incisiva do Vigia, que a cada episódio parece estar mais envolvido com os universos que acompanha. Resta saber se eventualmente veremos sua interferência na história. Quem sabe no final da temporada?

Os novos episódios de What If…? serão lançados às quartas-feiras, no streaming Disney+.

Fique com:

Imagem de perfil
sobre o autor Gabriel Mattos

Repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse