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Ray Fisher publica carta aberta contra presidente da DC Films e confirma demissão de The Flash

Por Evandro Lira

Por meio de uma extensa carta aberta, Ray Fisher revelou que a Warner Bros. o removeu oficialmente do futuro filme da DC, The Flash. Segundo o ator, embora ele não concorde com a decisão, ela não lhe é surpreendente.

Dessa forma, Fisher decidiu lançar um texto mordaz sobre a conduta do atual presidente da DC Films, Walter Hamada, que na semana passada teve seu contrato com a empresa renovado.

O intérprete do Ciborgue não nega seu desapontamento e afirma que seu personagem era parte significativa do filme do Flash, mas que diante da decisão da Warner, ele não estaria voltando para encarnar o herói.

Walter Hamada, presidente da DC Films, é a quem boa parte das críticas de Ray Fisher são direcionadas

Abaixo, você pode ler a carta aberta postada no Twitter, traduzida em português:

Recebi a confirmação oficial de que a Warner Bros. Pictures decidiu me remover do elenco de The Flash. Discordo totalmente da decisão deles, mas não é surpreendente. Apesar do equívoco, o envolvimento do Ciborgue em The Flash era muito maior do que uma participação especial – e enquanto eu lamento a oportunidade perdida de trazer Victor Stone de volta à tela, expor as ações de Walter Hamada provará ser uma contribuição muito mais importante para o nosso mundo.

 

Em 30 de dezembro de 2020, deixei claro que não posso – com a consciência limpa – participar de qualquer produção associada ao atual presidente da DC Filmes, Walter Hamada. O raciocínio por trás dessa declaração foi dupla:

 

1) A tentativa intencional de Walter de minar a investigação de Liga da Justiça a fim de proteger seu amigo e ex-copresidente Geoff Johns.

 

2) A tentativa de Walter de se proteger contribuindo para a disseminação pública de mentiras e desinformação sobre mim e sobre a investigação de Liga da Justiça na Warner Bros. Pictures.

 

Tenha em mente que a interferência de Walter Hamada na investigação de Liga da Justiça é uma questão completamente distinta da investigação em si. E embora o comportamento de Walter não tenha sido uma prioridade da investigação das refilmagens de Liga da Justiça, suas ações perigosas e habilitadoras durante o processo de investigação devem ser responsabilizadas.

 

Em 7 de julho de 2020, durante um telefonema de quinze minutos com Walter, fiz várias tentativas para que ele levasse em consideração minhas alegações de má conduta contra Joss Whedon, Geoff Johns e Job Berg pelos canais apropriados.

 

Em vez de explanar a situação quando perguntado inicialmente, Walter menosprezou Joss Whedon e Jon Berg em uma tentativa de encobrir Geoff Johns. Quando alertei Walter que Geoff era, de fato, um grande contribuidor para os problemas vividos – incluindo racismo flagrante – Walter tentou, mas sem sucesso, fazer com que eu revelasse os nomes de testemunhas e outros detalhes que poderiam ser usados para alertar Geoff de todas reivindicações que poderiam ser movidas contra ele. Walter chegou ao ponto de rejeitar severamente certas afirmações minhas como falsas por causa de sua experiência de trabalho e relacionamento pessoal com Geoff.

 

Walter indicou que foi informado sobre o comportamento problemático de Joss Whedon bem antes de minha denúncia em 1 de julho de 2020. Essa informação provavelmente veio de Geoff Johns, com quem Walter atuou como co-presidente da DC Films. Independentemente de como ele foi informado, Walter sabia que havia legitimidade em minhas reivindicações contra Joss Whedon, mas ele persistiu em tentar minimizar e rejeitar a situação – alegando que é trabalho do produtor “proteger o diretor” e que ele estava procurando “ir além” de qualquer coisa com a Liga da Justiça de Zack Snyder.

 

Nada aconteceu até eu argumentar com Walter de que ele concordou em levar minhas reivindicações – citando que isso estava “acima de seu nível salarial”. Entendendo que ele havia ultrapassado os limites e que eu não tinha intenção de recuar, Walter piorou as coisas ao fazer uma piada de mau gosto autoconsciente sobre não querer que eu o colocasse “isso no Twittter”.

 

Bem, aqui estamos…

 

Apesar dos melhores esforços de Walter, a investigação de Liga da Justiça foi capaz de expor o comportamento racista, coercitivo, discriminatório e retaliatório de Geoff Johns durante seu mandato com afiliado da WarnerMedia. Também levou a uma separação mais imediata entre a WarnerMedia e Joss Whedon.

 

Embora seja legalmente e financeiramente mais seguro eliminar silenciosamente Geoff Johns ou deixar Joss Whedon “sair” por conta própria – não compartilho nenhuma dessas responsabilidades.

 

Minhas responsabilidades são, e têm sido:

 

1) Tentar proteger aqueles que foram corajosos o suficiente para emprestar sua voz à investigação da Liga da Justiça.

 

2) Usar o pouco poder que possuo para garantir que o comportamento no local de trabalho exibido durante as refilmagens da Liga da Justiça (e durante sua investigação) nunca mais aconteça.

 

Ninguém, em qualquer profissão, merece ter que discutir com seu empregador por causa de alegações de abuso, racismo e discriminação para que ele assuma a postura adequada. E ninguém, em qualquer posição de liderança, deve tentar dissuadir aqueles que desejam relatar tais alegações de fazê-lo.

 

As ações de Walter transformaram esta narrativa de uma investigação de má conduta no set em 2017 para um grande exemplo da cultura atual de encobrimento de Hollywood. Sua contribuição para a declaração da Warner Bros. Pictures ao The Wrap foi falsa, covarde e imprudente.

 

Afirmo que Walter Hamada é inadequado para uma posição de liderança – e estou disposto, a qualquer momento, a ir a um teste de polígrafo para apoiar minhas reivindicações contra ele. Não sei quantos casos de abuso no local de trabalho Walter tentou cobrir no passado, mas espero que a investigação de Liga da Justiça seja a última.

 

E se o fim do meu tempo como Ciborgue é o custo para ajudar a trazer consciência e responsabilidade para as ações de Walter Hamada – pagarei com prazer.

 

Avante!

 

Com gratidão,

 

Ray

 

Responsabilidade acima de Entretenimento

Ray Fisher estará na nova versão de Liga da Justiça lançada no HBO Max por Zack Snyder, diretor original do longa cujas refilmagens resultaram nesta imensa confusão. Quanto a The Flash não ficou claro se o Ciborgue será cortado definitivamente da trama ou se a Warner Bros. escalará um novo ator para interpretar o personagem.

E aí, o que você achou da carta de Fisher? Deixe seu comentário!

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira