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Loki 1×06: Por Todo Tempo. Sempre.

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Nesta quarta-feira (14), o último episódio de Loki se materializou no Disney+. Ou melhor, o último episódio dessa primeira temporada, uma vez que a série já foi renovada – como bem pontuado pela cena pós-créditos mais cafajeste da história do Universo Cinematográfico da Marvel. Muita expectativa estava sendo colocada em torno da produção – levando em conta que até Kevin Feige disse que seria a obra mais impactante para o futuro da franquia.

E ele não estava tão errado assim.

No capítulo, vemos Loki e Sylvie finalmente atravessando o limite do tempo e adentrando na Cidadela do Fim dos Tempos, o cenário bem bonito que já havia sido mostrado nos trailers e através de vislumbres do capítulo 5. Aqui, eles são saudados pela Senhorita Minutos, que conta um pouco sobre a pessoa que está presente por trás da Agência de Variação Temporal e pela construção da Linha Temporal Sagrada…

E para a surpresa de muitos, trata-se d’Aquele Que Permanece. Nos quadrinhos, essa figura é um ser centenário que de fato ajudou a fundar o AVT. Só que na série, temos uma grande reviravolta ao descobrir que se trata de uma das Variantes de Kang, o Conquistador – sim, interpretado por Jonathan Majors, mesmo depois do ator ter desmentido sua participação na série.

Papo vai, papo vem, temos um gigantesco monólogo do personagem, contando basicamente tudo o que já sabíamos sobre a construção da linha do tempo. A diferença é que aqui, ele se insere na narrativa e explica como suas várias Variantes (importante notar que o nome Kang nunca é citado, e nem Nathaniel Richards) entraram em uma grande guerra e que, para isso, ele precisou unificar as linhas temporais e criar uma agência que regulasse infratores.

Ao fim, ele está consciente de que seu próprio fim está perto e alguém precisa assumir seu lugar. Loki inicialmente aceita a proposta, mas isso causa atritos com Sylvie. A Variante feminina do Deus da Trapaça o trai e faz com que ele seja jogado de volta ao AVT – sem saber que, dessa vez, ele está em um AVT de outra realidade, outra linha do tempo (algo que parece ter sido provocado pelos vários eventos nexus acontecendo simultaneamente).

Sylvie não quer ouvir desculpas: ela se ressente d’Aquele Que Permanece por ter tido sua vida roubada, e o mata sem pensar duas vezes. Porém, com isso ela coroa o destino supremo: agora, o Multiverso está florescendo novamente e as várias terras alternativas trarão graves consequências para o futuro do MCU – e nisso, podem esperar para ver as repercussões em What If…?Homem-Aranha: Sem Volta para Casa Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.

Mas bem, vamos falar do episódio em si. Eu honestamente não gostei. A verdade – e acho que refleti até pouco disso nas reviews anteriores – é que Loki já tinha enfraquecido (ao menos para mim) no terceiro episódio. A série teve que lutar com vários problemas de ritmo e episódios muito anticlimáticos, que acabavam em cliffhangers gigantescos que eram ignorados ou resolvidos logo nos primeiros minutos do capítulo seguinte.

E foi tolice da minha parte achar que não seria assim com a season finale. O episódio como um todo, é um grandioso “vem aí” para diversas produções, tanto os filmes e a série que mencionei acima, quanto seu próprio segundo ano – que ainda não tem data para ser lançado. E nesse sentido, é empolgante ver todos os ganchos deixados para essas produções, especialmente quando pensamos no que tudo isso pode significar.

De um lado, temos a construção de Kang, o Conquistador como o próximo grande vilão do MCU – e é curioso que, dessa vez, ele não chegou já em um rompante aparecendo em algum filme dos Vingadores ou de algum herói central (como foi com Thanos). Em vez disso, ele surge quietinho, em uma série – sem nem mostrar seu rosto, ao menos não o Kang que pode representar essa ameaça – antes de retornar em Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania.

Isso já empolga porque mostra como o vilão será desenvolvido aos poucos e vai amarrar todo o MCU desde cedo para algo maior no futuro. Por outro lado, o episódio também dá um gostinho das possíveis Guerras Secretas, já que o Multiverso está se abrindo e em breve teremos uma grande guerra entre as realidades. Talvez a saga seja adaptada antes mesmo do que esperamos, com Kang tomando o papel que é do Doutor Destino nos quadrinhos.

E por mais que isso seja ótimo – teorizar e especular sobre o futuro da franquia -, eu honestamente sinto que Loki falhou em seu princípio mais básico: ser uma série. O começo foi espetacular, apresentando elementos novos e nos dando um gostinho do que estaria por vir. O segundo episódio ganhou força com a inclusão de Sylvie, mas os que vieram depois não conseguiram chegar nesse mesmo gás.

O quinto até dá seus respiros com a inclusão de várias Variantes do Loki e um clímax modesto, mas divertido. Só que essa final não consegue manter o nível, mesmo com a inclusão de um personagem tão importante para as HQs da Marvel. No fim, a impressão que fica é que a primeira temporada veio incompleta, servindo mais como um teaser de futuras produções do que como uma obra independente e que tem seus próprios méritos.

Se pararmos para pensar bem, nem mesmo a jornada de Loki foi bem desenvolvida. O personagem passou por uma grande transformação graças a Sylvie, mas isso não é explorado além da superfície. E quanto a ela, terminamos a série com a personagem voltando exatamente para o ponto em que estava quando a conhecemos – é quase como se não tivesse passado por nenhuma evolução.

Há cerca de um mês, escrevi uma defesa apaixonada aqui sobre como as séries estavam sendo a melhor adição ao MCU em anos. Olhando em retrospecto, concordo com muito do que escrevi, mas também preciso fazer um mea culpa pois passei esse mês inteiro notando o que me incomodava em Loki e como esses mesmos desvios estavam presentes em WandaVision Falcão e o Soldado Invernal.

Talvez, o que falte mesmo a Kevin Feige e companhia é se manter fiel às suas palavras. Quando essas produções foram anunciadas, todos fizeram questão de dizer que as séries seriam tão importantes quanto os filmes. Só que o que vemos agora é que as séries parecem mais uma “escadinha” para tramas que realmente serão grandes na saga, servindo apenas para dar aos fãs um gostinho do que está vindo. E embora isso seja divertido, são produções que definitivamente mereciam mais.

Loki está disponível no Disney+. A série também vai retornar para uma segunda temporada.

Abaixo, confiram os easter-eggs e referências do sexto episódio da série:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux