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Marvel’s Iron Man VR: Conversamos com os criadores do jogo

Por Cristiano Rantin

Lançado no começo de julho, Marvel’s Iron Man VR é o novo jogo da Casa das Ideias, apresentando uma aventura em Realidade Virtual que coloca o jogador na armadura do Homem de Ferro, tendo que enfrentar os vilões e lidar com seu passado conturbado, enquanto dispara rajadas de energia e lança mísseis. Para entender como foi o processo criativo do game, conversei com Ryan Payton, o diretor do projeto, e Christos Gage, roteirista do jogo, conhecido por seu trabalho em inúmeras HQs da Marvel e da DC Comics, que também possui uma vasta experiência com séries de TV. 

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Para a criação da história, Gage conta que Ryan Payton e Brendan Murphy, junto da equipe criativa composta por roteiristas e designers da Camouflaj, tiveram a ideia em colaboração com a Marvel Games. Segundo ele, sua participação no projeto foi mais focada nos diálogos do jogo, trabalhando “como alguém que já escreveu um pouco do Homem de Ferro nos quadrinhos, para garantir que tudo fosse verdadeiro para o personagem que os fãs conhecem e amam”, algo que resultou em diversas referências e easter eggs de outros personagens e eventos das HQs. 

Demônio na Garrafa

E é justamente uma das histórias mais aclamadas do Homem de Ferro que acabou influenciando a criação do jogo. De acordo com Gage, Demônio na Garrafa, quadrinho que mostra a batalha de Tony Stark contra o alcoolismo, foi utilizado como inspiração. “O jogo começa bem cedo na carreira do Homem de Ferro, quando ele decide parar de fazer armas, então temos um salto de cinco anos. Tony é uma pessoa diferente, mas seu passado volta para assombrá-lo de diversas formas diferentes,” revela. “Ele tem que se perguntar se ele realmente mudou, e se ele é forte o bastante para lidar com todo o estrago que causou. Demônio na garrafa nos inspirou nesses temas, mas não na trama”.

O roteirista conta que o lado mais emotivo da HQ foi trabalhado no jogo, uma vez que esse confronto com seu passado não será agradável para o herói. “De uma forma muito real, ele precisa superar o ‘Velho Tony’ e realmente começar a ser o homem que ele quer ser, não importa o quão difícil isso seja,” comenta Gage, reforçando que isso é um processo necessário para que Tony reconheça os erros que cometeu, pois só assim ele terá a chance de corrigi-los e conseguir salvar a si mesmo, juntamente com aqueles que ele mais ama.

Payton conta que sempre gostou de Demônio na Garrafa ser uma história mais focada nos elementos psicológicos e emocionais, fugindo um pouco das HQs de ação. O diretor afirma que o quadrinho ressoou com ele e a equipe criativa do jogo justamente por esse motivo e foi uma parte importante para a criação do projeto. “Isso ajudou a fazer o Tony mais relacionável [com os fãs], e criar o caminho para as décadas de histórias incríveis do Tony sendo seu pior inimigo,” diz Payton. “Com a ajuda de Bill Rosemann da Marvel, nós realmente mergulhamos nessa essência para a história de Iron Man VR”. 

 

Os desafios do projeto

Mas desenvolver um jogo não é tarefa fácil, ainda mais um jogo em realidade virtual que te coloca literalmente na pele do personagem. Junte o desafio de trabalhar na jogabilidade do game, para que seja uma experiência divertida e desafiadora, ao lado da criação de uma história que faça sentido e seja interessante, e você tem uma longa jornada pela frente. 

Gage conta que teve que lidar com alguns desafios no roteiro, citando como exemplo a repetição do diálogo quando um novo inimigo entra em batalha. O roteirista precisou ser criativo para criar algo que não fosse genérico, mas que pudesse ser encaixado em qualquer momento do jogo. “Escrever para um video game é provavelmente mais similar com escrever um roteiro para TV ou para um filme,” conta Gage, que recentemente trabalhou no roteiro da série do Demolidor. “Mas, no fim, você tem o mesmo objetivo em qualquer mídia quando está trabalhando com personagens bem conhecidos, como é o caso do Homem de ferro. Você tem que garantir que o diálogo é verdadeiro com o personagem,” finaliza.

“Todo jogo tem seus desafios únicos, e com Marvel’s Iron Man VR não foi diferente,” revela Payton. “Um desafio específico na direção desse jogo foi que nós tivemos poucos materiais para usar como referência durante a criação do game”. O diretor conta que a equipe criativa teve dificuldades para definir a estrutura do projeto, entendendo qual seria a progressão da história, a estrutura das missões e, é claro, a principal jogabilidade do game, uma vez que se tratava de um projeto em Realidade Virtual. 

“Pessoalmente, eu acredito que dirigir um jogo em realidade virtual da PlayStation é muito diferente de dirigir um jogo de ‘tela plana,’” define. Segundo o diretor, em jogos que não são VR, há uma espécie de livros de regras, um conjunto de informações bem detalhadas dos projetos anteriores que podem ajudar a criação de um novo game. Contudo, por ser uma mídia relativamente nova, os jogos em realidade virtual não possuem isso. “O livro de regras [de um jogo VR] é como um passaporte… É fininho, muitas páginas estão em branco e, para deixar a metáfora mais profunda, ele mostra pra onde você pode ir, mas tem poucas informações sobre como você realmente pode chegar lá”. 

Você no comando!

Payton comenta que, na superfície, o jogo parece bastante simples para jogadores que ainda não tem muita experiência com jogos VR, mas na verdade o jogo levou anos para ser criado. “Chegar no ponto em que os jogadores podem usar a armadura do Homem de Ferro e voar com tranquilidade foi o resultado de anos de tentativa e erro,” explica. “Entregar um jogo de ação de alta qualidade, com momentos pessoais da história de Tony Stark, foi o resultado do incrível trabalho que a Camouflaj fez”.

Apesar de não ser uma tarefa fácil, Payton achou a experiência extremamente inovadora e divertida, ressaltando que havia um novo nível de satisfação sempre que a equipe conseguia descobrir uma nova maneira de realizar o projeto. “Eu simplesmente amei dirigir Marvel’s Iron Man VR. Foi uma honra,” finaliza. 

Os vilões

Fantasma da Vingança!

Em Marvel’s Iron Man VR, Tony precisa enfrentar a Fantasma, que no game tem sua origem diretamente ligada ao herói, uma vez que as armas que ele vendia foram usadas para machucar inocentes e isso acabou criando a antagonista. A personagem chega para obrigar o Homem de Ferro a encarar seu passado e destruí-lo. 

Nós sabíamos que queríamos contar uma história de Tony sendo seu maior inimigo,” diz Payton, “então nós decidimos que ele teria que lutar com inimigos do seu passado – as armas mortais que ele criou e foram vendidas quando o Tony ainda era um traficante de armas. Mas isso não resolvia o problema de definir quem seria nosso maior vilão”. 

O diretor comenta que viajou até Los Angeles para pedir ajuda para Bill Rosemann, da Marvel, e seus colegas. Payton perguntou: “Qual vilão clássico do Homem de Ferro você acha que poderia ‘ressuscitar’ as armas antigas de Tony hackeando elas e as utilizando contra ele? Quem você gostaria que assombrasse Tony por seus pecados do passado?” Segundo ele, Bill e seus colegas responderam, no mesmo instante, o nome da Fantasma, e foi assim que eles definiram que ela seria a grande antagonista do jogo. 

Gage concorda que ter a Fantasma como vilã foi uma ótima escolha, sendo muito efetiva para a história do game: “Como todos os incríveis vilões da Marvel, se você olhar as motivações dela, você entende o porquê dela fazer o que está fazendo, mesmo que você não concorde com os métodos dela”. Ele conta que mesmo que ela seja diferente do que vimos nos quadrinhos, a essência da personagem continua sendo a mesma:“Fizemos questão de manter alguns aspectos originais na personagem, como o fato dela ser hostil à corporações”. 

Mas Fantasma não será a única inimiga aparecendo no jogo. Laser Vivo, vilão clássico do Homem de Ferro, também surge para antagonizar o herói. O roteirista conta que ama o personagem, elogiando seu visual e apontando que a inclusão dele no jogo permitiu a criação de desafios baseados em energia. “E ele é meio que um reflexo do Tony… Ele é tão obcecado com sua própria tecnologia que perdeu sua humanidade”. 

Payton explica que, no meio do projeto, eles foram encorajados a adicionarem um segundo vilão pra história. De início, o diretor se opôs a esta ideia, mas acabou cedendo após encontrar o Laser Vivo, se encantando com o lado cômico do personagem. “A partir disso, nós começamos a pensar em maneiras de integrá-lo para a história e tudo começou a se encaixar,” conta, elogiando o trabalho dos roteiristas Brendan Murphy, Christos Gage e James Clinton Howell pelo diálogo hilário do vilão. “Depois disso, o Laser Vivo se tornou o grande favorito na Camouflaj. Eu ainda dou risada quando penso nas missões do Laser Vivo”. 

Independente do MCU e dos Quadrinhos

Nick Fury no jogo!

Assim como os outros jogos da Marvel, Iron Man VR não faz parte do MCU, mesmo que algumas referências e similaridades estejam presentes. 

“A Marvel Games sempre deixou claro que nós não deveríamos nos preocupar muito com os quadrinhos ou com os filmes, nós deveríamos nos focar em fazer o mesmo jogo possível,” revela Gage, apontando que a equipe teve total liberdade na criação. Como resultado, o jogo possui uma mistura única: “Algumas coisas foram mais parecidas com as HQs, outras ficaram mais parecidas com os filmes, e algumas coisas foram feitas de forma inédita para o jogo”. 

Payton ressalta que o fato do jogo não ser parte de nenhum universo já estabelecido da Marvel foi essencial na criação do jogo, permitindo, inclusive, que a equipe pudesse aproveitar os pontos fortes de uma história contada através da Realidade Virtual. Mesmo assim, a imensa popularidade do Homem de Ferro, que atingiu níveis ainda maiores após Vingadores: Ultimato, acabou sendo uma pressão para a equipe: “Nós sabemos que o Homem de Ferro é um fenômeno mundial e que milhões de pessoas se importam profundamente com ele, então nós nos esforçamos para entregar um jogo do Homem de Ferro e do Tony Stark que pudesse satisfazer os fãs”. 

Depois de um grande projeto como esse, tanto Gage quanto Payton estão mais que prontos para uma nova empreitada em Realidade Virtual. Quando questionados sobre qual personagem da Marvel eles gostariam de criar um jogo em VR, a resposta de Gage imediata: “Bom, nós já fizemos um personagem que voa, então minha próxima escolha seria – saca só – o Motoqueiro fantasma! Imagine o quão legal seria ter um jogo em Realidade Virtual onde você pode pilotar uma moto em um cenário sobrenatural, e ainda poder atirar fogo infernal de suas mãos?!”

Já Payton, seguiria para outro personagem aclamado pelos fãs: “Eu já falei disso para a Marvel em inúmeras ocasiões, mas se eles decidirem dedicar um jogo em VR ao Velho Logan, eles precisam falar comigo!”

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"