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[CRÍTICA] Jumanji: Próxima Fase é um DLC simples, mas muito divertido

Por Gus Fiaux

Recentemente, chegou aos cinemas brasileiros Jumanji: Próxima Fase, o terceiro filme da série e continuação de Bem-Vindo à Selva (lançado em 2017). O filme traz de volta o elenco do filme anterior, encabeçado por The Rock, Karen Gillan, Kevin Hart Jack Black, além de novos nomes.

Com a proposta de dar continuidade à franquia – em um tom despretensioso e divertido -, o filme até pode soar como uma sequência desnecessária e genérica, mas surpreende por seu clima de aventura e pela interação entre seus personagens. E aqui, você pode ler a nossa crítica do novo longa.

Créditos: Sony

Ficha Técnica

Título: Jumanji: Próxima Fase (Jumanji: The Next Level)

 

Direção: Jake Kasdan

 

Roteiro: Jake Kasdan, Jeff Pinkner e Scott Rosenberg

 

Ano: 2019

 

Data de lançamento: 16 de janeiro de 2020 (Brasil)

 

Duração: 123 minutos

 

Sinopse: Em Jumanji: Próxima Fase, o grupo está de volta – mas o jogo mudou. Conforme eles retornam para Jumanji, para resgatar um amigo, os jogadores terão que desbravar áreas inóspitas, desde desertos áridos às montanhas geladas, para escapar do jogo mais perigoso do mundo.

Quando a Sony anunciou que daria continuidade a Jumanji em um novo filme, lançado em 2017, os fãs do filme original observaram com descrença, pensando em como essa seria apenas uma jogada comercial para ganhar dinheiro em cima da nostalgia dos fãs. O resultado final surpreendeu, deixando a nostalgia de lado e criando um universo rico e vasto.

Agora, dois anos depois do lançamento de Bem-Vindo à Selva, a descrença retornou com o lançamento de Jumanji: Próxima Fase. A sequência parecia desnecessária e sem sentido, já que o longa anterior “fechava as pontas” com um encerramento simples. No entanto, mais uma vez, o estúdio nos surpreende com uma aventura divertida, emocionante e, ao mesmo tempo, despretensiosa.

O filme se passa cerca de dois anos após os eventos do longa anterior, e segue o grupo de amigos estabelecidos em Bem-Vindo à Selva. Spencer, Martha, Fridge Bethany seguiram rumos diferentes depois do Ensino Médio. Cada um foi para seu canto, com Spencer estudando em Nova York e se distanciando dos demais colegas – inclusive de Martha, com quem ele namorava.

Ainda assim, o quarteto combina de se encontrar no feriado natalino. Mas as coisas vão de mal a pior quando Spencer entra novamente no mundo mítico de Jumanji, forçando seus amigos a irem atrás dele. Porém, dessa vez tudo está muito diferente. Além deles entrarem com avatares diferentes de sua última aventura, além de estarem acompanhados por dois novos companheiros – Eddie, o avô de Spencer, e seu velho amigo/rival Milo. 

Mas mais do que isso, o mundo de Jumanji mudou. Agora, eles têm que lidar com uma nova missão, com novas ameaças e com outro “chefão” – enquanto descobrem também novas habilidades e novas fraquezas. Com essas cartas colocadas na mesa, assim se inicia uma nova aventura. E já de início, o que mais se destaca no novo filme é como ele soa novo e interessante, mesmo sem inovar em nada.

O longa aproveita para repetir alguns elementos de Bem-Vindo à Selva, seja na estrutura narrativa da “jornada” dos heróis ou até mesmo em pequenos momentos da aventura, como o momento em que os heróis entram no jogo, descobrem suas habilidades e fraquezas e partem para a ação, passando por vários “checkpoints” até chegar no destino final. Por conta disso, Próxima Fase é mais um DLC que uma campanha nova e original.

Mas isso está longe de ser algo ruim – já que o longa nunca tenta “fingir” que está fazendo algo novo. É justamente sua honestidade em se reconhecer como uma “versão 2.0” do filme anterior que torna Jumanji: Próxima Fase um longa extremamente divertido. O tempo todo, nos pegamos comparando o filme com seu antecessor, notando o que está sendo feito de diferente desta vez.

E a principal resposta para isso está na relação entre os personagens, já que os heróis estão com avatares diferentes. Dessa vez, Fridge vira o Professor Shelly, o especialista em mapas; Martha continua como Ruby Roundhouse, a guerreira badass. Eddie vira o Dr. Xander Bravestone, o cara durão que “lidera” a equipe, e Milo assume o lugar de Mouse Finbar, o zoólogo baixinho.

Quanto a Bethany e Spencer, eles só aparecem posteriormente no jogo – e na pele de outros personagens um tanto quanto surpreendentes. O elenco aqui surpreende bastante. Kevin Hart é quem mais brilha, trazendo uma atuação mais comedida e que absorve todos os trejeitos de Milo no “mundo real”. Karen Gillan Jack Black se mantém ótimos, e The Rock talvez seja o único elo “fraco” no elenco, já que ele está apenas interpretando a si mesmo. Ainda assim, o astro compensa por seu carisma e presença física.

Porém, o filme carrega em si um grande diferencial em relação ao anterior: o elenco “fora” do jogo. Se os astros juvenis pareciam desconfortáveis e estavam ali apenas para preencher um espaço antes da ação, aqui eles estão muito mais presentes e carismáticos. A trama “de fora” é convincente e se liga muito bem com o que acontece no game, o que deixa a história mais amarrada e instigante.

Além disso, vale parabenizar a presença de Danny DeVito Danny Glover, que estão hilários em seus papéis. Além deles, Awkwafina é uma outra adição excepcional no elenco, transitando bem entre a comédia escrachada e um drama leve. Tudo isso torna a segunda aventura ainda mais coesa e divertida que a primeira, melhorando tudo o que foi estabelecido anteriormente.

Claro, há defeitos – especialmente na parte técnica. Os efeitos digitais parecem menos polidos e mais “empobrecidos”, e até mesmo os cenários não são tão bem trabalhados imageticamente. Há também falhas pequenas no roteiro, que por ser apenas um “remix” do anterior, acaba deixando algumas reviravoltas um pouco óbvias e previsíveis. Mas se você consegue ignorar isso, a chance de embarcar em uma jornada divertida é ainda maior.

Porém, talvez o que Jumanji: Próxima Fase tenha como sua maior qualidade é deixar de lado a “nostalgia” em prol de algo novo. Se Bem-Vindo à Selva ainda tinha algumas pequenas homenagens e referências ao Jumanji original, o novo filme não tenta ficar vivendo à sombra do passado, deixando claro que os dias são outros e que a franquia pode seguir em frente com novos ares.

Essa é uma lição que deveria ser aprendida por diversos estúdios, em especial à Disney, tendo em vista as críticas recentes que recebeu com filmes como O Rei Leão Star Wars: A Ascensão Skywalker. Tudo bem que o clássico deve ser respeitado, mas é necessário sair da bolha de segurança e fazer algo novo, coisa que o novo Jumanji faz com louvor, mesmo repetindo as mesmas batidas narrativas do longa anterior.

Além disso, o filme abre as portas para mais uma continuação – através de uma divertida cena pós-créditos (que por sua vez, não deixa de soar bastante como o longa original de 1995). Ainda não há notícias sobre um quarto longa na franquia, mas se a Sony tiver interesse, toda a ambientação já está jogada na mesa.

Em suma, Jumanji: Próxima Fase é um filme de aventura decente e divertido – e um respiro para quem gosta de blockbusters descompromissados, mas já se cansou dos super-heróis que inundam as salas de cinema todos os anos. Não é o longa mais inovador ou original, mas é descompromissadamente cheio de emoções e momentos hilários, além de contar com uma jornada instigante para o público.

Graças ao seu elenco – principalmente o quarteto principal, ou seja, Kevin Hart, The Rock, Karen Gillan Jack Black -, o filme tem uma dinâmica bem gostosa e ainda nos traz uma aventura para toda a família (mesmo que algumas piadas soem “pesadas demais” para os mais pequenos). Inclusive, confira nosso papo com a atriz clicando aqui!

Se você gostou de Bem-Vindo à Selva, vai gostar bastante da Próxima Fase. É um DLC, sem dúvidas, mas não deixa de ter uma campanha agradável, com bons personagens, uma ambientação encantadora e sequências bem divertidas. Em outras palavras, é um filme “Sessão da Tarde” muito bem feito.

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Na galeria abaixo, fique com cartazes do filme:

Jumanji: Próxima Fase está em cartaz nos cinemas.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux