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[CRÍTICA] Frozen 2 é mais ambicioso, mas cativa menos que o original

Por Evandro Lira

Chegou aos cinemas de todo o Brasil, Frozen 2, sequência do gigantesco sucesso da Disney lançado em 2013. Nessa nova aventura, as irmãs Anna e Elsa se preparam para lidar com uma situação de escala ainda maior que aquela apresentada no primeiro filme.

E agora, você confere o que achamos da nova produção, lendo a nossa crítica.

Ficha Técnica

Título: Frozen II

Direção: Jennifer Lee e Chris Buck

Roteiro: Jennifer Lee

Ano: 2019

Data de lançamento: 2 de janeiro de 2020 (Brasil)

Duração: 1h 43m

Quando crianças de todos os lugares passaram a cantarolar a canção Let it Go sem sequer saber uma única palavra em inglês, uma coisa era fato: uma sequência de Frozen era inevitável. E dá para dizer que ela chegou definitivamente tarde, já que se passaram 6 anos desde que conhecemos a Princesa Anna e a Rainha Elsa de Arendelle. Neste novo filme, os diretores Jennifer Lee e Chris Buck reforçam tudo o que deu certo no megassucesso de 2013, mas são ainda mais ambiciosos em sua temática. O resultado é um filme mais denso e complexo que o primeiro, mas também um pouco menos cativante.

Abrindo novamente com um flashback absurdamente fofo da infância das irmãs – não tinha como dar errado! -, seus pais contam uma história de ninar verdadeiramente aterrorizante sobre a floresta encantada do norte que ficou misteriosamente nublada depois que os nativos e o povo de Arendelle travaram uma épica batalha por lá anos atrás. Corta para o presente, com a Rainha Elsa agora comandando seu reino e tendo total controle sobre seus poderes, mas abalada por ouvir uma voz que apenas ela parece escutar. Esse canto a convida a explorar o desconhecido, e se no início ela resiste, logo ela se vê forçada a sair de Arendelle e encarar o chamado.

Ao lado de Anna, Kristoff, Olaf e Sven, a Rainha embarca em uma jornada em direção a mesma floresta das histórias da sua infância, em busca de desvendar o mistério por trás da sua origem e de uma solução para salvar seu reino dos furiosos espíritos da natureza.

Frozen 2 é feliz em continuar explorando suas aventuras emocionais através do profundo desejo de Elsa em encontrar seu lugar no mundo, além de desenvolver ainda mais a relação única entre Elsa e Anna, que é sem dúvida o coração dos dois filmes da franquia. É definitivamente tocante e poderoso assistir aos momentos das duas irmãs em cena. Elas carregam um amor tão grande que é difícil lembrar de alguma história romântica da Disney que se aproxime da força que gravita entre estas protagonistas.

As mesmas subversões que ajudaram a fazer do primeiro o maior sucesso de todos os tempos da Disney, também permanecem aqui. Frozen 2 não deixa de ser um “filme de princesas”, e ele abraça a fórmula de forma muito consciente, se desfazendo de conceitos há muito estabelecidos nessas histórias, colocando as suas protagonistas em meio a ação.

É provável que um dos pontos mais interessantes de Frozen 2 seja exatamente sua auto-consciência. Há algumas cenas – talvez as mais divertidas de todo o filme – em que o longa aproveita para zoar a si mesmo de maneira brilhante. Em uma delas, Olaf resume o primeiro filme e arranca verdadeiras gargalhadas da plateia, pois o jocoso boneco de neve ironiza várias passagens do longa, incluindo o clássico número musical de Elsa, “Let it Go”. Numa segunda cena, Kristoff estrela um número solo totalmente inspirado num clipe musical romântico cafona dos anos 80. E ainda há espaço para voltarmos ao primeiro filme, onde mais uma vez o rebolado de Elsa em Let it Go ganha destaque de forma irônica.

Aqui, há uma certa riqueza de temas que, com certeza deixará os pequenos mais confusos ou desinteressados. Uma mensagem acerca da reparação histórica, por exemplo, permeia todo o filme e é feita com uma responsabilidade admirável.

Mas apesar de todos os méritos, não dá para se sentir aconchegado por Frozen 2 da mesma maneira que nos sentimos com o primeiro. Devido ao sucesso de seu solo no filme passado, Elsa ganha aqui dois números musicais poderosos de libertação, mas eles parecem mais com tentativas de evocar o mesmo sentimento, do que algo genuíno.

Infelizmente, toda a parte mitológica do filme não se faz muito consistente e nem mesmo clara o suficiente, tornando o longa muito melhor quando se permite focar nos dramas reais dos seus personagens do que quando está explicando sua parte fantástica.

É claro que quando se trata do visual, temos mais um trabalho deslumbrante da Disney. A fotografia do filme se faz menos viva e colorida que a do seu predecessor, pois traz aquele tom outonal menos brilhante, mas perfeito para refletir a narrativa. O destaque fica para a tentativa de Elsa de domar um cavalo feito de água, que é realmente um dos mais espetaculares momentos da animação.

Frozen 2 é mesmo uma aventura mais adulta que Frozen, porém se mostra mais uma daquelas sequências que saem perdendo em quase todos os aspectos se comparada ao filme original. Dito isso, o longa está longe de ser ruim, e certamente deve agradar os admiradores do primeiro, que reencontrarão várias coisas pelo qual elas se apaixonaram seis anos atrás.

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira