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10 personagens LGBTQ+ revolucionários nos animes

Por Márcio Jangarélli

Junho é mês do Orgulho LGBTQ+ e, ainda que não seja um caso tão recorrente assim, a comunidade está bem representada no universo dos animes!

Entre uma polêmica e uma criação mal feita, vários personagens pertencentes à sigla foram bem escritos e se destacaram como um grande avanço da representatividade nas nossas histórias japonesas favoritas.

Para celebrar esse início do mês do Orgulho, separei aqui 10 personagens que foram revolucionários em sua representatividade LGBTQ+ nos animes! Se o seu favorito não está na lista, deixa aí nos comentários para enriquecermos ainda mais esse tema!

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Emporio Ivankov (One Piece)

One Piece faz duas coisas muito bem: criar personagens e situações bizarras e cômicas e, logo em seguida, pegar todo esse contexto e transformá-lo em político de uma maneira sem igual. E assim surge uma das maiores representações LGBTQ+ dos animes e mangás, Emporio Ivankov e o Reino Kamabakka.

Sendo sincero, a primeiro momento parece meio ofensivo quando você encontra o Bon Clay - primeiro okama a aparecer na história. Mas logo você lembra que isso é One Piece e entende a intenção daquilo. Tanto Bon Clay, quanto Ivankov e os membros do Reino Kamabakka, são uma celebração à cultura LGBTQ+, representando pessoas gays, lésbicas, trans e até a não-binaridade - que na época ainda nem era um assunto tão em pauta.

Ivankov em específico é um líder revolucionário, preso político e governante do seu próprio país - isso sendo uma pessoa sem gênero definido e uma drag queen, inspirado no Dr. Frank-N-Furter do musical mais gay da face da Terra, The Rocky Horror Picture Show.

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Dio Brando (JoJo Bizarre Adventure)

A cada ano que passa, JoJo Bizarre Adventure se torna mais e mais popular - e, com isso, o visual homoerótico assumido e bizarro da obra fica menos estranho para o mainstream. É um anime e um mangá revolucionário por si só, referência de outras tantas histórias que amamos e nem sabíamos.

Para completar o pacote, a essência de todo o mal da obra e um dos personagens mais queridos dos fãs, Dio Brando, é bissexual assumido e está longe de ser uma representação estereotipada ou ofensiva.

Pois é, a sexualidade do Dio não tem nada a ver com a sua vilania - e é disso que gostamos. Na parte VI do mangá, ele tem um relacionamento com Enrico Pucci, um padre negro que também é o grande antagonista dessa saga.

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Sailor Urano e Netuno (Sailor Moon)

Quando se fala em um relacionamento LGBTQ+, não tem como não citar Sailor Moon e a relação entre Sailor Urano e Sailor Netuno, o casal lésbico mais famoso dos animes.

Mesmo com a tentativa de censura da dublagem em inglês, quando tentaram transformar as duas em primas, Urano e Netuno resistiram e nas versões mais atuais elas são reconhecidas.

Em Sailor Moon Crystal, Haruka Tenoh (a Sailor Urano) foi adaptada mais fiel ao mangá, onde ela se identifica como gênero fluido - enquanto nas versões mais antigas ela mantinha um visual masculinizado, mas se identificava apenas com o gênero feminino.

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Shinji e Kaworu (Neon Genesis Evangelion)

Um dos animes mais aclamados de todos os tempos, Neon Genesis Evangelion contou com um breve relacionamento gay entre o protagonista, Shinji, e o favorito dos fãs - que apareceu bem pouco nessa história - Kaworu.

Durante a história, Shinji tem suas tentativas de romance com mulheres, mas nunca se sai muito bem. Quando Kaworu aparece, bem no fim da trama, ele se apaixona pelo protagonista e os dois tem uma relação breve.

O mais legal disso, além do fato do protagonista ser bi, é que o Kaworu se tornou um dos favoritos, mesmo com a aparição rápida, e foi melhor trabalhado em outras aventuras.

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Yuri e Victor (Yuri on Ice)

Tem quem goste de animes com ação, magia e grandes heróis, mas séries esportivas possuem uma grande, grande base de fãs. Dentro desse universo, uma das histórias mais famosas é Yuri!!! on Ice e essa é uma história com um protagonista gay.

Yuri on Ice tem um foco maior no público feminino hétero, porém a forma como Yuri e Victor foram desenvolvidos deixou uma abertura para a comunidade LGBTQ+ se identificar e engajar com o anime.

São personagens realistas, com dramas, emoções e vivendo situações mais próximas do real que em qualquer outro anime queer- além de trazer uma perspectiva otimista para a coisa toda, algo ótimo perto de todas as histórias trágicas de personagens queers na mídia em geral.

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Fire Emblem (Tiger & Bunny)

Tiger & Bunny não é tão famoso quanto poderia ser aqui no Brasil, mas traz uma história excelente, personagens cativantes e, para completar, tem o Fire Emblem, um super-herói queer.

Ainda que, de início, existam alguns estereótipos e situações de revirar o olho, a progressão da história de Nathan Seymour o torna verdadeiramente heroico e uma representação incrível para jovens gays, negros, gênero fluido e que talvez precisem lidar com pirocinese.

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Motoko (Ghost In The Shell)

Uma das histórias mais aclamadas do universo de animes e mangá - e da cultura pop em geral - Ghost In The Shell é protagonizado por uma personagem no mínimo bisexual.

Por que “no mínimo”? Bom, é difícil definir a sexualidade de alguém que pode transitar entre corpos cibernéticos, mas a Major Motoko assume um corpo feminino e tem relações com outras mulheres no mangá - algo que sofreu censura no ocidente.

Toda a história de Ghost In The Shell, na verdade, pode ser lida como uma alegoria à transexualidade e a não-binaridade, algo que atraiu a comunidade LGBTQ+ para a trama desde o início. Até o famigerado filme com a Scarlett Johansson mostra a Motoko tendo relações com outra mulher (nos trailers), então parte da comunidade ela é.

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Ryo (Devilman)

Devilman foi um marco quando foi lançado nos anos 70. Na história, Ryo é um anjo, o que, em tese, o torna sem gênero. Porém, como humano ele assume um corpo masculino e se apaixona por um homem, então podemos dizer que sim, ele é gay.

Para quem não conhece a história insana de Devilman, Ryo é o grande vilão e é literalmente Satan - mas um Satan diferente, que se apaixona pelo herói da trama, Akira, o Devilman, que tem como missão eliminá-lo.

Talvez você conheça melhor a versão atualizada dessa obra pela Netflix, Devilman Crybaby, que traz ainda mais personagens assumidamente LGBTQ+ e toda uma alegoria sobre a perseguição à comunidade com os Devilmen sendo caçados por autoridades religiosas. Uma das melhores produções de anime da Netflix, inclusive, vale à pena gastar um tempinho assistindo.

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Touya e Yukito (Sakura Card Captors)

Mais um casal clássico quando se fala de representatividade LGBTQ+ nos animes, muita gente só foi entender o relacionamento entre Touya e Yukito em Sakura Card Captors depois de adulto. Isso porque a tradução do anime para o ocidente censurou muita coisa do original, principalmente o conteúdo gay.

No fim das contas, Sakura é uma história com público alvo feminino, mas, por aqui, mutilaram a trama ao máximo para tentar fazê-la atrativa ao público masculino. Assim, a relação entre Touya e Yukito foi transformada ao máximo, ainda que muita coisa não dê pra esconder.

Para quem não lembra, Sakura tem um crush no Yukito no começo, mas o Yukito está mais interessado no irmão mais velho da protagonista, o Touya. Vale lembrar que grupo CLAMP, responsável pelo mangá, começou a carreira escrevendo yaoi, então não tinha como essa história ser diferente.

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Ymir e Christa, Reiner e Hange (Attack on Titan)

Falando em algo BEM atual, para uma obra com apelo tão grande ao público masculino hetero, Attack on Titan traz uma representatividade LGBTQ+ expressiva. Críticas ao anime à parte, a história traz várias vezes alusões à perseguição religiosa e política de minoridades, entre outras tantas pautas importantíssimas.

Sobre os personagens, a relação mais aberta é a da Ymir com a Christa/Historia. Ymir demonstra sua paixão e cuidado pela outra desde o início e o relacionamento das duas só cresce, sem estereótipos ou fetichização.

Além delas, vale citar a Comandante Hange, que é gênero fluido no mangá, quando o autor só usa pronomes neutros para se referir a ela. O anime, porém, a adaptou como uma mulher.

Ainda tem o caso do Reiner, que afirma não se interessar por mulheres e leva um relacionamento platônico com o Berthold, além de vários personagens - incluindo o próprio protagonista - que possuem uma sexualidade dúbia.

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Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.