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[Crítica] The Division 2 – Atirando e Pilhando e Seguindo a canção!

Por Lucas Rafael

A Ubisoft trouxe uma sequência para seu popular looter shooter The Division, desta vez ambientada em uma Washington D.C. desolada e fragmentada entre três milícias que disputam por poder.

Em meio ao caos, você precisa unificar o município sob a bandeira da Division.

 

Junte-se à Divisão e seja a última esperança da humanidade! #TheDivision2 já está disponível para XONE, PS4 e PC.

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Ficha Técnica

Nome: Tom Clancy's The Division 2;

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC;

Gênero: RPG eletrônico de ação, Jogo de sobrevivência, Tiro em terceira pessoa;

Modos de jogo: Multiplayer;

Estúdio: Ubisoft

Data de lançamento: 15 de março de 2019

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Eventualmente na vida a gente adquire novos gostos. Passamos a abraçar coisas que costumávamos odiar, nos damos por vencidos ou pensamos melhor a respeito de algo que desprezávamos e agora amamos. E o que isso tem a ver com The Division 2, afinal?

Para mim, pessoalmente, tudo.

Eu sempre tive uma certa aversão aos jogos “Looter Shooters”, nos quais você anda e atira para conseguir equipamento, dar tiros melhores e seguir adiante. Não era minha praia, por assim dizer. Para entender melhor o histórico desse tipo de jogo, recomendo essa leitura suplementar.

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Tendo de jogar The Division 2 por razões profissionais e vestindo um olhar neutro que visa deixar de lado meu preconceito com o gênero (eu acredito que a vida vale mais a pena se a gente focar nas coisas positivas daquilo que consome), eu terminei minha primeira jogatina com olheiras, dedos cansados e surpreendido. Desliguei o PS4 pensando “nossa, não é ruim.”

The Division 2 não é um jogo que vai lá revolucionar a indústria, mas deveria se tornar o expoente de um gênero. Não é um novo Red Dead Redemption, mas deveria fazer escola como Destiny fez.

Mas vamos aos fatores do jogo que foram, pouco a pouco, me ganhando.

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A jogabilidade

Controlar o seu boneco em The Division 2 é prazeroso. Trocar de arma é rápido; o sistema de cobertura é simples e eficiente e eliminar um inimigo traz um sentimento de satisfação ímpar.

Isso se dá por conta do relacionamento entre as mecânicas e o gráfico. Existe uma sensação genuína de caos ao seu redor, de que a única coisa separando seu personagem de uma morte rápida é a cobertura na qual ele se esconde.

Eliminar um a um seus ofensores e sair dessas situações intensas vivo sempre causa um forte alívio. E o equilíbrio entre o caótico e o contemplativo faz de The Division 2 uma experiência única.

Se você não está trocando tiros, buscando sobreviver nas ruas de Washington; está explorando ruínas urbanas durante o entardecer, enquanto cachorros correm ao seu lado e a luz do sol poente se infiltra pelas silhuetas de concreto. Se parece masturbação poética, é porque os cenários do jogo fazem jus à isso.

Existe uma clara melancolia estampada nesta versão fraturada e abandonada de Washington, com a natureza reclamando carros e estacionamentos e placas de socorro tampando janelas, sinais de abandono. Pensem Gears of War com a desolação cênica de Last of Us.

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Inimigos e missões te dão itens como recompensa. Aqui entra o fator RPG de The Division 2, um elemento fundamental para te fisgar na proposta do jogo. Mochilas, coldres, máscaras; existe uma vasta gama de itens que melhoram constantemente os atributos de seu personagem.

Não só isso, existe uma grande variedade de armas com recuos diferenciados, cadência de tiros e miras que variam. É melhor não se apegar a uma arma, eventualmente você ajunta algo melhor.

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Mas nem só de armas e equipamentos são feitos os personagens de The Division 2. Existem níveis aqui, através dos quais você ganha pontos para o desbloqueio de habilidades. Nessa parte, entra uma maleabilidade legal de estilos para combate. Explico.

Você pode desbloquear torretas e drones com bombardeio para uma abordagem extremamente ofensiva ao inimigo. Você pode fazer com que seu drone recupere a vida de aliados próximos e investir em itens de resistência. Quem define é você, e é interessante explorar todas as vertentes de habilidades para ver o que melhor casa com sua dinâmica de jogabilidade, ainda mais tendo em mente o fator multiplayer de The Division 2.

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O multiplayer de The Division 2 é um espetáculo à parte. Jogar com amigos torna a coisa toda mais divertida. Os estilos de jogo complementam um ao outro e o game é facilitado, visto que um jogador pode levantar o outro em caso de morte e duas pessoas podem cobrir mais pontos de vantagem no mapa para eliminar inimigos.

Existe um modo versus bem padrãozinho para quem curte, mas o brilho está, de fato, no modo cooperativo.

Claro, existem também as Dark Zones, áreas de combate intenso contra inteligência artificial que rendem bons equipamentos para o seu agente.

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Não bastasse um mapa aberto contemplativo, um gameplay estimulante e um multiplayer bem azeitado, The Division 2 traz ainda upgrades para seus pontos de controle e base principal, desbloqueados através da progressão e coleta de recursos. Essa parte é uma das que menos me chamou atenção, mas tá ali.

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The Division 2 não é um jogo perfeito. Ele sofre das moléstias que looter shooters geralmente sofrem. Isto é: necessidade de conexão constante (se sua internet for meia-boca é melhor não arriscar), e o fato do gameplay se resumir a um ciclo que, por mais bem executado que seja, tende a cansar.

Sim, existem bugs. Os mais severos já foram arrumados por atualizações enquanto essa análise é escrita.

O destaque aqui é que, para mim, duas horas neste tipo de jogo bastavam para guardar o controle e deixar de lado (salvo Destiny 2, após todas suas atualizações). The Division 2 conseguiu a proeza de me fazer admirar um gênero pelo qual eu não tinha tanto carinho. Gastei dezenas de horas nele e pretendo afundar algumas a mais.

Eu não gostava desse tipo de jogo. Agora eu aprendi a curti-lo. Não são games perfeitos, mas se esse gênero é a sua praia, eu ousaria dizer que The Division 2 se trata de um título essencial. Atirar em inimigos, pilhar itens e seguir a canção nunca foi tão prazeroso.

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Nota.

The Division 2 dificilmente vai converter aqueles que não apreciam esse gênero de jogos, mas é inegável que existe um polimento e cuidado na construção desse mundo e na maneira que ele dialoga com o gameplay. Talvez seja o ápice de um gênero um tanto moderno, mas isso só o tempo dirá.

Não é um game perfeito, mas é extremamente eficaz dentro da sua proposta de combater ondas de inimigos estrategicamente para conseguir mais itens que vão deixando seu personagem melhor. Tudo isso fica melhor aliado a um multiplayer que instiga cooperatividade tática.

Nota: 4/5

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Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais