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13 personagens LGBTQ+ mais marcantes dos jogos

Por Gabriel Mattos

Como você pode ter notado pela enxurrada de marcas usando as cores do arco-íris, em junho é celebrado o Mês do Orgulho LGBTQIA+. Mais do que um momento de celebrar a diversidade, é um momento de reflexão, em que lembramos tudo que a comunidade conquistou com muita luta e resistência. E foi a trancos e barrancos que desenvolvedores queer conseguiram conquistar um espaço no mundo dos jogos.

Com muito barulho entre os jogadores LGBTQ+, novos personagens começaram a surgir nas principais franquias da indústria trazendo a complexidade e profundidade que vem com o surgimento de histórias diversas. Assim, ícones gays, lésbicos, bissexuais e trans surgiram em franquias de sucesso, como Life is Strange, Apex Legends e Mortal Kombat.

Ainda há muito a ser feito — personagens assexuais e não-binários continuam sendo muito escassos, enquanto a representação intersexual segue inexistente. A luta não acabou, mas não é por isso que não devemos celebrar o quanto avançamos. Então segue uma lista com os 13 personagens LGBTQIA+ mais marcantes dos jogos.

Ellie (The Last of Us)

Durante a E3 2018, o evento de games mais importante de todos, Ellie roubou a cena ao protagonizar um beijo belíssimo com outra mulher — Dina — em frente a milhares de espectadores de todo o mundo. A sexualidade da garota, que é lésbica, havia sido brevemente revelada na expansão Left Behind, mas foi em The Last of Us: Part II que isso foi devidamente explorado pelo roteiro.

Nesta história, temos a oportunidade de ver as dinâmicas naturais do casal — encontros, serenatas, discussões e tudo mais que um casal comum vivencia. A naturalidade é a chave para tornar esta dupla tão amada entre os fãs. O jogo ainda conta com mais personagens LGBTQ+, como Lev, um garoto transgênero que luta ao lado da divisiva Abbie.

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Dorian Pavus (Dragon Age: Inquisition)

Dorian Pavus é um homem gay muito charmoso e um poderoso mago de Dragon Age: Inquisition, um dos jogos com o elenco mais diverso da última geração. Mesmo vindo de uma franquia com personagens muito complexos, ele consegue se destacar por sua história trágica, que funciona como metáfora para a vida de muitos jovens LGBTQ+ no mundo real.

Por ser herdeiro de uma poderosa linhagem, seu pai não ficou muito feliz ao descobrir sua sexualidade. Queria que Dorian escondesse sua verdade, casasse com uma mulher e vivesse o resto da sua vida infeliz, fadado a ser algo que não é. E quando Dorian se negou, tentou usar magia de sangue para mudá-lo, quase como uma terapia de conversão.

Apesar desse passado sombrio, Dorian conseguiu se afastar deste ambiente opressor e viver orgulhosamente como o homem extravagante, afeminado e gay que ele é. Sem se diminuir para caber na vida de ninguém.

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Liara T'Soni (Mass Effect)

Liara T'Soni, da saga Mass Effect, é uma cientista especialista em tecnologia antiga que cumpre um papel muito importante ao longo da jornada de Shepard. Ela evolui de uma garota tímida e introvertida em uma mulher poderosa, assertiva e perigosa, conquistando uma legião de fãs.

Liara é pansexual, uma pessoa que sente atração por múltiplos gêneros, e pertence a de uma raça alienígena de aparência feminina. Mas ela marcou história por protagonizar uma cena de sexo, potencialmente com outra mulher. Na época, este pequeno momento do jogo virou uma polêmica enorme, que levou ao banimento em Singapura e a ataques de alas conservadoras do governo americano.

Mas quando a poeira abaixou, a diversidade de Mass Effect e Dragon Age influenciou toda a indústria de RPG, que passou a apresentar opções mais inclusivas de relacionamentos como norma.

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Tyler Ronan (Tell Me Why)

Tyler Ronan marcou a história como o primeiro protagonista trans de um jogo de alto orçamento. Em Tell Me Why, um spin-off de Life is Strange exclusivo de Xbox, o reizinho investiga mistérios sobrenatural junto de sua irmã que acabam desenterrando um passado doloroso para ambos.

Diferente de outros títulos que tratam assuntos LGBTQIA+ como uma nota de rodapé, o fato de Tyler ser transgênero é essencial para desenrolar da trama e sua experiência ajuda a desmistificar muitas questões da comunidade trans. Ao longo do jogo, ele revela ser bissexual, desvinculando a ideia de que identidade de gênero tem relação com sexualidade.

Por fim, uma curiosidade incrível sobre o cuidado que a Microsoft teve ao lidar com este jogo é que todos os dubladores de Tyler, nos diferentes idiomas, também são homens trans. No Brasil, ele recebeu a voz do ator Gabriel Lodi.

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Leo Kliesen (Tekken)

Leo Kliesen é especialista no estilo de luta Baji Quan e apareceu pela primeira vez em Tekken 6. Segundo o produtor Katsuhiro Harada, este combatente não é ligado na questão de gênero — Leo é apenas Leo, uma personagem não-binária.

Durante o desenvolvimento, foi originalmente idealizado como menina, mas seu gênero foi estabelecido como neutro na edição final. Assim, as versões japonesas do jogo se esforçam para usar termos neutros ao falar de Leo, enquanto no ocidente optou por pronomes masculinos, o que é relativamente comum entre pessoas da comunidade.

Em Tekken 6, Leo pode usar tanto acessórios categorizados como masculinos quanto femininos, já que não se vê totalmente contemplado por ambas categorias. Recentemente, cada vez mais jogos, como Animal Crossing e Cyberpunk 2077, tem deixado de lado a ideia de limitar penteados, roupas e outras opções de personalizações a algum gênero, deixando a cargo do jogador escolher como expressar seu gênero.

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Parvarti (The Outer Worlds)

Parvati se tornou uma das personagens mais populares de The Outer Worlds, jogo original dos desenvolvedores de Fallout New Vegas. Mas sua relevância vai muito além de ser apenas a mulher mais interessante do jogo inteiro — Parvati é a primeira, e única, personagem assexual de jogos de grande orçamento.

A assexualidade ainda permanece invisível nas principais histórias do entretenimento — seja livro, filmes, séries ou jogos — o que torna ainda mais marcante que Outer Worlds tenha apresentado uma representação tão natural deste grupo, sem cair em estereótipos.

A sexualidade de Parvati vem à tona em uma missão em que você pode ajudá-la a superar seus problemas com sua amada. É uma forma bem doce de mostrar que existem relacionamentos que não são centrados na atração sexual, mas sim em um forte carinho e afeto.

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Soldado: 76 (Overwatch)

Overwatch se tornou persona non grata entre os gamers — tanto pelo abandono dos desenvolvedores, que não trazem grandes atualizações, como às polêmicas recentes da Blizzard. Mesmo assim, é inegável o esforço da equipe em trazer diversidade em seu elenco principal. Depois do lançamento, os roteiristas revelaram que seus personagens em maior destaque eram LGBTQ+: a garota da capa, Tracer, é lésbica e o Soldado: 76 é gay.

O caso do Soldado é ainda mais especial. Primeiro porque ele representa o típico protagonista de jogos de tiro, geralmente bastiões da masculinidade tóxica, mostrando que sexualidade não tem influência com sua masculinidade. Além disso, ele é o líder da organização Overwatch e toda a história principal do jogo é consequência de um crush do passado que deu errado, como foi mostrado no evento Retaliação.

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Leona (League of Legends)

League of Legends é um dos maiores fenômenos culturais do mundo dos jogos, lotando estádios ao redor do mundo para celebrar partidas eletrizantes. Entre suas centenas de personagens, era impossível que todos fossem heteros e ao longo do tempo a Riot Games vem representando e acolhendo a comunidade LGBTQ+ por meio de contos, mostrando a história de seus campeões queer.

Ano passado foi a vez de Leona, uma grande paladina dos Solari, que teve seu amor pela herege Diana revelado. Ambas são mulheres lésbicas que protagonizaram contos, contando sobre sua juventude, e curtas animados, mostrando como suas desavenças ideológicas lhe mantém afastadas. É uma história trágica com momentos doces que marcou os jogadores LGBTQ+ do eSport.

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Kanji Tatsumi (Persona 4)

Apesar de polêmico, Kanji Tatsumi não poderia ficar de fora da lista. O jovem delinquente de Persona 4 tem uma das construções mais interessantes de sexualidade em um game, pelo menos inicialmente. Em um jogo que as inseguranças das pessoas se transformam em fases jogáveis, há um nível inteiro dedicado navegar em aceitar o fato de que sente atração por homens.

Apesar dos próprios personagens do jogo, como muitos adolescentes da vida real, reagirem com piadas homofóbicas, esta representação fica polêmica quando uma garota entre em cena. Kanji desenvolve sentimentos por um garoto que, mais tarde, descobre ser uma menina.

Assim, apesar de ser inicialmente introduzido como gay, Kanji se consolida como um personagem bissexual (ou pan). Conturbado, mas um passo importante em jogos de anime.

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Poison (Final Fight/Street Fighter)

Poison, uma mulher trans, estreou em Final Fight, mas ficou realmente popular quando entrou para o elenco de Street Fighter. Sua trajetória é envolta em polêmicas e anda em paralelo aos avanços sociais no acolhimento das pessoas trans.

Ela só foi escrita como transgênero para tentar burlar a censura da época, que não via com bons olhos jogos em que homens batessem em mulheres. Este olhar preconceituoso era comum entre os jogadores na época. Mas recentemente sua popularidade aumentou em jogos como Street Fighter V e Poison se tornou a favorita de muita gente.

Inclusive, nesse jogo, ao vencer ela comenta sobre como ser alvo de fofoca por tanto tempo só a tornou mais forte.

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Zagreus (Hades)

Zagreus é um dos personagens mais recentes dessa lista, protagonista do indie Hades (2020). O game é um roguelike que força o jogador a reviver fases geradas aleatoriamente até vencer, mas contextualiza tudo sob a mitologia grega. E como não poderia deixar de ser, na Grécia Antiga a bissexualidade era a norma.

Assim, Zagreus é um Deus bissexual (ou pansexual) que pode entrar em um relacionamento com a Megara ou o Tânato, Deus da Morte. A relação com este acaba sendo a mais interessante porque, de certo modo, Zagreus representa a vida, então o casal acaba sendo aquele clássico caso em que os opostos se completam.

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Birdo (Super Mario Bros.)

Birdo é a primeira personagem transgênero dos games. Nas primeiras gerações de videogame, a história dos jogos era contada pelos manuais. E nos manuais de Super Mario Bros. 2, tanto no ocidente quanto no oriente, a descrição de Birdo dizia que era "um homem que queria ser uma mulher".

Claro que esta descrição, para os padrões de hoje, seria considerada ofensiva, mas em 1988, esta é uma das formas mais explicitas de trangeneridade descrita nos games. Nas versões posteriores, o passado de Birdo não seria mais referenciado e ela seria tratada apenas pelo que ela é — uma mulher.

Curiosamente, a identidade de gênero de Birdo voltou a ser explorada no jogo Captain Rainbow, em 2008, mostrando um drama que a comunidade trans infelizmente sofre até hoje. Ela havia sido presa por usar o banheiro feminino e o jogador precisa ajudá-la a escapar, provando que ela é uma mulher e que merece ser respeitada como tal.

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Mileena (Mortal Kombat)

Mileena é uma das lutadoras mais clássicas da franquia Mortal Kombat. Presente desde MK 2, de 1993, a personagem só foi ser oficializada como LGBTQ+ em Mortal Kombat 11 Ultimate, de 2020.

Sua história pessoal nunca havia sido muito abordada nos jogos, que preferiam focar na disputa territorial entre os diferentes planos. Ela só foi ter uma chance de mostrar interesse em outra mulher em Mortal Kombat X. E em Mortal Kombat 11, ela finalmente pôde ter o seu final feliz, cuidando de seu filho junto de sua amada Tanya em uma realidade alternativa.

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Gabriel Mattos

Editor, repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse