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Percy Jackson: Rick Riordan condena ataques racistas e defende Leah Jeffries como Annabeth Chase

Por Chris Rantin

Desde que foi escalada para viver Annabeth Chase na série live-action de Percy Jackson e os Olimpianos, a jovem atriz Leah Sava Jeffries tem sofrido diversos ataques racistas. Após se pronunciar sobre o caso logo que a escalação foi anunciada, Rick Riordan, o criador da personagem, decidiu utilizar seu blog oficial para condenar os ataques e reafirmar que ela é Annabeth.

Em sua longa fala, Riordan rebateu que as reclamações são sim racistas e explicou isso de forma bem didática. Em seguida, ele aproveitou para reforçar mais uma vez que está muito satisfeito com a escalação de Leah — e do restante do trio –, afirmando que não importa quantas vezes alguém leu seus livros se eles não conseguem entender a mensagem simples de sua obra: Todo mundo pode ser um herói.

Confira a declaração completa de Rick Riordan abaixo:

Este post é especificamente para aqueles que tem um problema com a escalação de Leah Jeffries como Annabeth Chase. É uma vergonha que posts como esse precisem ser escritos, mas vamos fazer isso. Primeiro, deixe-me ser claro, eu estou falando apenas por mim mesmo. Esses são meus pensamentos apenas. Eles não necessariamente refletem ou representam as opiniões de ninguém na Disney, da série, da produção ou da família Jeffries.

 

A resposta para a escalação de Leah tem sido esmagadoramente positiva e alegre, como deveria ser. Leah traz muita energia e entusiasmo para este papel, partes da força da Annabeth. Ela vai ser um modelo para a nova geração de garotas que verão nela o tipo de heroína que querem ser.

 

Se você tem um problema com essa escalação, qualquer que seja, trate isso comigo. Você não tem mais ninguém para culpar. O que quer que você tire deste post, nós devemos concordar que cometer bullying e assediar uma criança na internet é completamente errado. Por mais forte que Leah seja, por mais que nós tenhamos discutido o potencial deste tipo de reação da pressão que este papel traz, esses comentários negativos que ela tem recebido passaram do ponto. Eles precisam parar. Agora.

 

Eu fui muito claro um tempo atrás, quando anunciamos que estávamos abrindo nossa chamada de elenco, que estaríamos seguindo a política da Disney de não discriminação: Estamos comprometidos com um elenco diversificado e inclusivo. Para cada função, envie artistas qualificados, independentemente de deficiência, gênero, raça e etnia, idade, cor, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero ou qualquer outra base proibida por lei. Nós fizemos isso. O processo de escalação foi longo, intenso, massivo e exaustivo.

 

Eu fui muito claro, enquanto escritor, que eu estava procurando pelos melhores atores para personificar e dar vida aos personagens, e que suas aparências físicas eram secundárias para mim. Nós fizemos isso. Nós levamos um ano para fazer esse processo com muita atenção e encontramos os melhores dos melhores. Esse trio é o melhor. Leah Jeffries é Annabeth Chase.

 

Alguns de vocês aparentemente se sentem ofendidos ou irritados quando suas reclamações são chamadas de racistas. “Mas eu não sou racista,” você diz. “Não é racismo querer um ator que é parecido com a descrição que esse personagem tem no livro!”

 

Vamos examinar essa declaração.

 

Você está irritado/desapontado/frustrado/com raiva porque uma atriz negra foi escalada para interpretar uma personagem descrita como branca nos livros. “Ela não parece com o que eu sempre imaginei.”

 

Ou você não está ciente, ou ignorou, os anos de trabalho duro de Leah aprimorando sua arte, seu talento, sua tenacidade, seu foco, sua presença na tela. Você se recusa a acreditar que a escolha dela pode ter sido baseada no mérito. Sem tê-la visto desempenhar o papel, você teve um pré-conceito (pré + conceito = preconceito) e decidiu que ela deve ter sido contratada simplesmente para preencher uma cota ou marcar uma caixa de diversidade. E, a propósito, essas críticas vieram de todo o espectro político, da direita e da esquerda.

 

Você decidiu que não havia a menor chance de eu estar sendo sincero no que dizia: Que a verdadeira natureza da personagem está na sua personalidade. Você sentiu que eu fui coagido, sofri lavagem cerebral, fui subornado, ameaçado, ou o que quer que seja, ou que eu, um escritor branco, jamais escolheria uma atriz negra para um papel que é canonicamente de uma garota branca.

 

Você recusou a acreditar em mim, o cara que escreveu os livros e que criou esses personagens, quando eu disse que esses atores são perfeitos para esses papéis por causa do imenso talento que eles trazem e a maneira que eles utilizaram sua audição para expandir, improvisar e dar vida para as falas que lhes foram dadas. Assim que você ver a Leah como Annabeth, ela será exatamente da maneira que você imaginou Annabeth, contanto que você dê uma chance a ela, mas você se recusa a considerar que isso pode ser verdade.

 

Você está julgando a adequação dela para este papel apenas e exclusivamente baseado na aparência dela. Ela é uma garota interpretando alguém que é descrita como branca.

 

Amigos, isso é racismo.

 

E antes que você recorra à velha reação instintiva — “Eu não sou racista!” — vamos examinar essa afirmação também.

 

Se eu puder citar um excelente artigo recente publicado no Boston Globe sobre Dr. Khama Ennis, que criou um programa sobre preconceito implícito para o Massachusetts Board of Registration for Medicine em Boston: “Dizer que uma pessoa não tem preconceito é dizer que essa pessoa não é humana. É como navegamos no mundo… com base no que nos é ensinado e em nossas próprias histórias pessoais.”

 

Racismo/Colorismo não é algo que temos ou não temos. Eu tenho. Você tem. Todos nós temos. E não apenas pessoas brancas como eu. Todas as pessoas. Ou é algo que nós podemos reconhecer e tentar trabalhar isso, ou é algo que negamos. Dizer “eu não sou racista!” é simplesmente declarar que você não nega seus próprios preconceitos e recusa a trabalhá-los.

 

A mensagem central de Percy Jackson sempre foi que as nossas diferenças são nossa força. O poder está na pluralidade. As coisas que nos distinguem uns dos outros são, muitas vezes, marcas da nossa própria grandeza individual. Você nunca deveria julgar alguém baseado no quão bem elas se encaixam suas noções pré-concebidas. Que uma criança neurodivergente que foi expulsa de seis escolas, por exemplo, pode muito bem ser o filho de Poseidon. Qualquer pessoa pode ser um herói.

 

Se você não entendeu isso, se você ainda está bravo com a escalação deste trio maravilhoso, então não importa quantas vezes você leu meus livros. Você não aprendeu nada deles.

 

Assista a série ou não. Essa é sua escolha. Mas essa vai ser uma adaptação da qual eu estou orgulhoso, e que realmente honra o espírito de Percy Jackson e os Olimpianos pegando a história de ninar que contei ao meu filho vinte anos atrás para fazê-lo se sentir melhor por ser neurodivergente e melhorando isso para que crianças de todo o mundo possam continuar a se ver como heróis no Acampamento Meio-Sangue.

Rick Riordan junto do seu trio de protagonistas: Leah Jeffries, Walker Scobell e Aryan Simhadri.

A produção de Percy Jackson e os Olimpianos, que conta com a presença de Rick e Becky Riordan, está prestes a começar. O lançamento da série está previsto para 2023.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"