[RESPAWN] The Medium no PS5 traz horror e melancolia em uma história instigante

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[RESPAWN] The Medium no PS5 traz horror e melancolia em uma história instigante

Por Leo Gravena

Estamos na semana do Halloween e, com o Dia das Bruxas chegando, que tal revisitar alguns jogos excelentes de terror, cheios de tensão, para você passar essa semana completamente aterrorizado? Estreando a nova coluna de games da LH, o Respawn, falaremos de The Medium, jogo lançado no inicio do ano que chegou recentemente ao PlayStation 5.

Na Respawn falaremos sobre jogos que não são lançamentos, porém que ganharam uma segunda vida, seja entrando no Xbox Game Pass, PS Plus, se tornando um sucesso na Steam, sendo dado de graça pela Epic Games, ou somente porque gostamos muito desse título e queríamos muito falar dele. Além de uma breve review do jogo, daremos algumas sugestões de títulos no mesmo estilo e também apresentaremos um pouco dos criadores por trás do game. Vamos começar?

Responsável pelo excelente Layers of Fear de 2016, Observer de 2017 e pelo assustador Blair Witch em 2019 a Bloober Team é uma desenvolvedora de jogos polonesa que traz em The Medium seu maior título até o momento, misturando horror com muito suspense e melancolia, em um jogo divisivo que acaba de chegar aos PS5.

The Medium foi lançado para Microsoft Windows e Xbox Series X/S em 28 de janeiro de 2021, porém chegou no PlayStation 5 apenas em 3 de setembro. O jogo conta a história de Marianne, uma médium que consegue ver os mortos e os ajuda a seguir em frente, estando dividida entre o mundo dos humanos e o dos espíritos.

Além de ver a crítica do jogo, você também pode conhecer mais sobre o estúdio e descobrir outros jogos semelhantes:

The Medium conta a história de Marianne, uma jovem dividida entre dois mundos.

The Medium é um jogo de terror belo e triste, mas lento

O jogo se passa na Polônia em 1999 e apresenta um ar melancólico, ele começa com uma chuva e um funeral, com tons cinzas e tristes que parecem nunca abandonar a história. É como se você estivesse sempre com uma fina chuva ao fundo enquanto joga. Mesmo nos momentos mais tensos, quando um ser demoníaco corre atrás de você e é necessário se esgueirar pelo labirinto formado pelo hotel, o jogo ainda possui uma atmosfera de melancolia e tristeza tão grande que parece que a qualquer momento o local vai desabar com todo esse peso.

Como Marianne, você deve explorar o mistério do Hotel Niwa, no qual anos atrás houve um grande massacre e várias pessoas foram mortas e assassinadas. Sem dar muitos spoilers sobre a história, que no fim acaba sendo bem simples e familiar para qualquer um que já jogou Silent Hill ou os Layers of Fear, tudo acaba sendo bem mais simples do que parece ser de início e no fim, o horror do jogo nasce da natureza humana.

Diferente dos outros títulos da Bloober, The Medium não é em primeira pessoa e se utiliza de câmera fixa e terceira pessoa, semelhante aos jogos de Silent Hill e aos primeiros Resident Evil. Aqui, esse recurso é utilizado principalmente para que possamos acompanhar os dois mundos através de uma mesma perspectiva em diversos momentos do jogo, nos quais a tela se divide e devemos controlar Marianne tanto no mundo normal, quanto o dos espíritos.

Mesmo achando a câmera fixa um recurso bastante interessante e que deveria retornar mais em jogos além dos títulos indie, aqui ele acaba atrapalhando em alguns momentos, principalmente devido a movimentação e jogabilidade de Marianne pelos locais, que pode acabar sendo frustrante para o jogador quando você fica preso em um canto ou não consegue explorar completamente um local.

No PlayStation 5 o título apresenta uma qualidade visual incrível e ele consegue aproveitar bem os recursos do DualSense, principalmente fazendo com que o jogador sinta uma imersão ainda maior ao explorar o Hotel Niwa. No DualSense, sons, vozes e os passos de Maw são sentidos de uma forma que tudo se torna bastante aterrorizante, principalmente quando você está jogando sozinho na calada da noite.

O principal antagonista de The Medium é Maw, um ser demoníaco que persegue Marianne.

Quando o jogo foi lançado no início do ano para PC e Xbox a maioria das notas foram positivas ou mistas, porém, o que vi foi boa parte dos jogadores ficando bastante divididos com a história e a narrativa, principalmente sobre ele ser, ou não, um jogo de terror.

Recentemente, cada vez mais estamos vendo filmes, séries e outras narrativas envolvendo o terror que não abusam de jump scares e outros elementos mais comuns do gênero. Seja em filmes como A Bruxa ou O Silêncio dos Inocentes, ou nas séries Missa da Meia-Noite e A Maldição da Mansão Bly, é muito comum ouvir comentários como “isso é um drama, não terror”, na maior parte das vezes por elas se afastarem dos sustos e do grotesco, focando em outros elementos do gênero.

The Medium faz bastante isso; o jogo apresenta uma narrativa mais lenta, focada na investigação dos horrores que ocorreram no Hotel Niwa enquanto traz uma forte presença de Marianne como uma protagonista enfrentando seu passado, suas habilidades e quem ela é como pessoa. Tem um ou outro susto aqui e ali? Claro, mas o título é mais do que isso e seu terror é mais focado na experiência do jogador em se sentir desconfortável com a narrativa apresentada.

Se você quer apenas sustos fáceis com muitos jump scares e corpos mutilados sendo jogados na tela, provavelmente The Medium não vai te agradar. Não que tenha problema em querer isso, afinal, quem não gosta de um bom susto de vez em quando, não é mesmo? Mas o horror de The Medium se encontra em outro lugar, ele está no psicológico e no horror da natureza humana, dos demônios que criamos em nossas mentes e de como o trauma e a solidão podem nos afetar de uma forma devastadora.

É justamente com essa melancolia e tristeza que o jogo consegue construir uma narrativa bem forte, que demora para ser desvendada, mas quando você percebe sobre o que a história realmente se trata, é como se desde o início ela estivesse inteiramente ali, apenas esperando para ser descoberta no melhor momento.

Nota: 8/10

The Medium é um jogo sobre muitas coisas, e em alguns momentos – seus melhores – lembra bastante os games iniciais de Silent Hill. Mesmo tendo um final que não vai agradar todos que acompanham a jornada de Marianne, ele consegue entregar uma história robusta, complexa e cheia de nuances.

 

Não é um título que vai agradar a todos, mas para aqueles que gostam de histórias com um ar gótico e melancólico, é a pedida certa. Seja fugindo de demônios, ou ajudando espíritos conflituosos a seguirem em frente, a jornada de Marianne é excelente e vale muito a pena ser conferida.

O horror da Bloober Team

A Bloober Team, responsável por desenvolver The Medium, é uma empresa polonesa que há alguns anos vem criando vários grandes jogos de horror. Um de seus maiores sucessos foi Layers of Fear, lançado em 2016 para PC, PlayStation 4 e Xbox One; o título, que é uma narrativa em primeira pessoa, leva o jogador a andar por um estúdio, ajudando um artista a completar vários quebra-cabeças para descobrir pistas em cada um dos seis capítulos, que formam uma ótima história cheia de sustos.

Logo depois do sucesso do Layers of Fear, o estúdio lançou mais um jogo de terror psicológico no ano seguinte: Observer, que segue um detetive que pode “hackear” a mente dos suspeitos que interroga. O jogo também é em primeira pessoa e foi bem recebido pela crítica, mantendo a tradição da desenvolvedora.

Em 2019, a Bloober Team lançou dois de seus maiores títulos: Layers of Fear 2, no qual agora o jogador controla um ator chamado para filmar no exterior e deve resolver os puzzles em um navio; e Blair Witch, um jogo baseado em A Bruxa de Blair, também em primeira pessoa mas que, diferente dos jogos anteriores do estúdio, não teve uma recepção muito boa da crítica, sendo bastante divisivo.

O futuro da Bloober Team

Após o lançamento de The Medium no PlayStation 5, a Bloober Team já está com alguns problemas programados para o futuro. O mais interessante sobre os próximos projetos é que a desenvolvedora anunciou em junho que havia entrado em uma “parceria estratégica” com a Konami, a desenvolvedora e distribuidora responsável por Silent Hill. Segundo o comunicado das empresas, elas devem compartilhar tecnologia e desenvolvimento de jogos no futuro em alguns títulos, o que fez com que muitos acreditassem que elas possam estar trabalhando em um novo jogo da franquia Silent Hill.

Além disso, outro jogo da franquia Layers of Fear foi anunciado em 1º de outubro deste ano e será publicado pela Sony, sendo lançado para o PlayStation 5 e usará a Unreal Engine 5. Você pode conferir o teaser trailer do novo projeto abaixo:

Jogos parecidos com The Medium

Caso você tenha gostado da vibe, ambientação e história de The Medium, esses jogos possuem algumas semelhanças ao título. A maior parte é bem diferente em questão de jogabilidade e visão, porém cada um lembra bastante o estilo, narrativa ou o sentimento de jogar o título.

Alan Wake Remastered

Disponível em: Xbox Series X/S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4 e PC

Um dos jogos de terror mais aclamados dos últimos tempos, Alan Wake recentemente recebeu uma remasterização que melhora o visual e traz o jogo para os consoles da Sony. Na história, você entra na pele de um escritor que precisa desvendar o mistério por trás do sequestro de sua esposa em uma cidade bastante peculiar. Com uma jogabilidade bem simples e uma excelente história, o título entrega uma diversão ótima que vai muito além de sustos vazios e violência, apostando em uma trama muito densa e cheia de momentos memoráveis.

Confira o trailer:

Visage

Disponível em: Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One

Completamente inspirado pelo P.T. e o cancelado Silent Hills, em Visage o jogador acompanha a jornada de Dwayne Anderson conforme ele explora uma casa sombria e a história das pessoas que já moraram lá. O jogo em primeira pessoa é um terror psicológico no qual, quanto mais tempo jogado, mais o protagonista vai perdendo sua sanidade, além de ter que escapar dos fantasmas e demônios que habitam o local.

Confira o trailer:

What Remains of Edith Finch

Disponível em: Windows, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e iOS

What Remains of Edith Finch é um jogo de exploração no qual você deve explorar uma mansão e o terreno ao redor em busca de respostas sobre uma maldição que caiu sobre sua família; a cada geração, todos os membros da família, exceto um, morrem de maneira estranha e incomum. O jogo acompanha Edith enquanto ela conta a história de seus parentes e suas respectivas mortes, em um formato antológico.

Confira o trailer:

Tell Me Why

Disponível em: Microsoft Windows e Xbox One

Uma aventura narrativa, Tell me Why conta a história dos irmãos gêmeos Tyler e Alyson Ronan, que possuem a habilidade de se comunicar telepaticamente um com o outro e se reúnem após terem ficado separados por 10 anos. A trama se passa no Alaska, com os gêmeos investigando a morte de sua mãe enquanto precisam lidar com seus traumas de infância e como eles se lembram do passado de maneiras muito diferentes.

Confira o trailer:

Twin Mirror

Disponível em: Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One

Um jogo de aventura e exploração em terceira pessoa, Twin Mirror acompanha a história de Sam Higgs, um jornalista que retorna para sua cidade natal e acaba investigando a morte misteriosa de seu antigo melhor amigo. Além de explorar a cidade de Basswood, Sam também pode entrar em seu “Palácio da Mente” para descobrir pistas e conversar com sua voz interior, o Double, que pode ajudar ou atrapalhar a investigação.

Confira o trailer:

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sobre o autor Leo Gravena

Editor | @LeoGravena
Escrevo sobre cultura geek na internet desde 2012
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