Stephen King: Como começar a ler o mestre do terror?

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Stephen King: Como começar a ler o mestre do terror?

Por Arthur Eloi

Stephen King é um dos maiores nomes do horror na literatura, mas com certeza há muita gente que adora seus trabalhos sem nunca de fato ter lido algum livro dele. Isso é a prova de que o autor conseguiu se estabelecer no imaginário popular graças à uma grande variedade de adaptações, que elevaram os seus nomes além dos textos escritos.

Mesmo assim, eventualmente chega aquela hora em que a curiosidade fala mais alto, e que bate a vontade de conhecer Stephen King nos livros. O ponto de partida é uma decisão bastante sensível pelo fato de que o autor assina mais de 60 romances, sem nem citar seus mais de 200 contos.

Com um mar de opções, qual é o melhor caminho para começar a ler Stephen King? Separamos três abordagens diferentes à extensa bibliografia do autor, com algumas indicações específicas para cada uma delas!

Comece pelas obras que já foram adaptadas

É uma resposta um pouco óbvia, claro, mas ler a obra que inspirou grandes clássicos do cinema é uma excelente ponte para começar a explorar a carreira do autor. Essa abordagem é a primeira de muita gente, mas pede um pouco de paciência e mente aberta. Adaptações normalmente tomam várias liberdades criativas, para funcionarem em outra mídia, portanto a experiência de leitura será muito diferente de assistir aos filmes.

Ler os romances que serviram de base para Carrie, A Estranha (1976), O Iluminado (1980) ou Cemitério Maldito (1989) ajudam a exemplificar o estilo de Stephen King através da comparação. É um autor que prefere criar horror sufocante, altamente detalhista, e com muitos surtos

É possível entender o que precisou ser enxugado e reduzido para ser levado às telas, e há obras que são completamente diferentes dos filmes. É o caso de O Iluminado, cuja adaptação de Stanley Kubrick deixou tanta coisa de fora ao ponto de ser rejeitada pelo autor. It: A Coisa também é assim: a essência foi traduzida pelos filmes de Andy Muschietti, mas o livro toma rumos ainda mais estranhos, sombrios e surreais.

Obras recomendadas –

  • Misery: Louca Obsessão (1987)
  • Cujo (1981)
  • O Cemitério (1983)
  • Jogo Perigoso (1992)
  • À Espera de Um Milagre (1996)

Comece pelo início (sério)

Uma outra abordagem bastante válida é simplesmente começar pelo início da carreira de Stephen King. Não é algo que funciona para todo autor, já que alguns demoram um pouco para encontrar o próprio estilo e voz. Não é o caso aqui, visto que o mestre do horror já começou sua carreira com os pés na porta.

A história mais conhecida sobre as origens de Stephen King é que, lá no início da década de 1970, ele era um escritor frustrado, com vários contos publicados em revistas por trocados, e romances completos que nenhuma editora se interessava. Ele então começou a escrever seu quarto romance, chamado Carrie, e achou tão ruim que jogou o manuscrito inteiro no lixo.

Quem retirou as páginas da lixeira foi sua esposa, Tabitha King (por si só uma autora de muito sucesso hoje em dia), que o ajudou a refinar a trama. Esse então se tornou o seu primeiro livro publicado em 1974, e continua uma leitura essencial até os dias de hoje.

Os livros seguintes não deixaram a desejar. Depois de Carrie, King seguiu para A Hora do Vampiro (1975), que é uma homenagem ao Drácula de Bram Stoker, só que reinterpretado pelo autor. Esse se torna um ótimo ponto de partida para redescobrir um clássico do horror, só que pela voz tão autoral de Stephen King.

Se não fosse o bastante, o terceiro livro do autor foi nada menos que O Iluminado, lançado em 1977. A trama do romance, de um escritor que surta ao aceitar um emprego no Hotel Overlook e passa a perseguir a própria família, é bastante conhecida, mas ajuda a refletir muito bem o que move Stephen King. O livro traz momentos bastante pessoais para o autor, que se colocou nas páginas como forma de manifestar a ansiedade quanto ao seu vício em drogas, e mostra como existe tanto maldade quanto bondade dentro de pessoas comuns. Para o autor, o macabro e sobrenatural ganham mais peso quando partem do mundano.

Obras recomendadas –

  • Carrie (1974)
  • A Hora do Vampiro / Salem (1975)
  • O Iluminado (1977)

Comece pelos contos e coletâneas

Além de ser um excelente romancista, que vai do horror ao drama em sua extensa bibliografia, Stephen King é conhecido como um contista ferrenho. Muitos autores usam contos e histórias curtas para se desenvolver antes de entrar nos romances, mas King é um dos que se mantém escrevendo em pequenas doses mesmo após ter estourado.

As coletâneas de contos de Stephen King são uma das portas de entrada mais amigáveis ao trabalho do autor. Em pequenas doses, ele demonstra sua habilidade e seu estilo, e trata os curtas não como projetos secundários, mas dando o seu devido valor e explorando o seu formato.

King começou como contista, escrevendo histórias para vender para qualquer lugar que pagasse o próximo almoço, portanto o formato curto está diretamente associado à origem dele como escritor. Sua relação com esse período parece até ter um pouco de carinho, visto que ele compilou muitas dessas histórias de revista em uma coletânea que, em inglês, se chama “O Turno da Noite”, em alusão ao fato de que as escrevia como ocupação secundária (no Brasil, a coletânea ganhou o título de Sombras da Noite).

O próprio autor vê uma qualidade romântica nesses breves encontros. No prefácio de Bazar dos Sonhos Ruins, ele descreve:

Você ficaria surpreso (ao menos, acho que ficaria) com a quantidade de pes-

soas que me perguntam por que eu ainda escrevo contos. O motivo é bem simples: escrevê-los me deixa feliz, porque nasci para entreter. […] Mas há algo especial nas experiências mais curtas e mais intensas.

Podem ser revigorantes, às vezes até chocantes, como uma valsa com um estranho que você nunca mais vai encontrar, ou um beijo no escuro, ou uma bela raridade à venda sobre um lençol barato em um bazar. E, sim, quando minhas histórias estão reunidas, sempre me sinto como um vendedor ambulante, um que só vende à meia-noite. Exibo minha mercadoria e convido o leitor (você) a escolher o que quiser.

Obras recomendadas –

  • Sombras da Noite (1978)
  • Tripulação de Esqueletos (1985)
  • Bazar dos Sonhos Ruins (2015)

No final das contas, não há muito erro por onde começar a ler Stephen King, visto que todas as três abordagens se interligam. As primeiras obras do autor inspiraram dois filmes excelentes, e vários de seus contos já serviram como base para a TV e o cinema. Além disso, claro, vale a pena ficar de olho nos lançamentos mais recentes do autor, como Outsider (2018), O Instituto (2019), Billy Summers (2021) ou Depois (2021).

Stephen King continua firme e forte, escrevendo romances e contos quase que anualmente, além de avaliar obras alheias em suas redes sociais. É um autor altamente midiático, portanto qualquer um de seus trabalhos será esclarecedor para qualquer fã de cultura pop, que perceberá como a voz do autor ajudou a definir o horror moderno muito além da literatura.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117