It: A Coisa – As histórias e crimes reais que inspiraram o livro de Stephen King

Capa da Publicação

It: A Coisa – As histórias e crimes reais que inspiraram o livro de Stephen King

Por Gus Fiaux

IT: A Coisa é uma das obras mais icônicas e memoráveis de Stephen King, contando a história de um grupo de amigos que precisa juntar forças para enfrentar o terrível Pennywise – um ser cósmico que se alimenta do medo e toma a forma de um palhaço. O livro de 1986 ganhou duas adaptações (uma minissérie na década de 90 e a duologia dirigida por Andy Muschietti, lançados em 2017 e 2019) e se tornou um ícone da cultura pop.

O Mestre do Horror já é conhecido por pegar elementos e crimes da vida real e usar como base de inspiração para suas obras, e com IT: A Coisa não é diferente, já que um serial killer e até um presidente americano entraram nas inspirações para a construção de Pennywise. Aqui, listamos os crimes e histórias reais que inspiraram IT: A Coisa!

O Palhaço Assassino

O imaginário dos Estados Unidos é lotado de serial killers e assassinos famosos, cujas histórias foram amplamente divulgadas pela mídia. Um dos mais famosos é John Wayne Gacy, um criminoso que foi culpado pela morte de 33 homens e jovens garotos. Dentre esses, ele chegou a enterrar 26 cadáveres no alicerce de sua casa, e muitos desses corpos foram encontrados quando Gacy foi pego.

Um notório membro de sua comunidade, Gacy costumava participar de eventos beneficentes fantasiado de palhaço, criando a persona de Pogo the Clown (às vezes chamado também de Patches), e isso fazia com que ele sempre fosse respeitado e ficasse acima de qualquer suspeita. Além de matar suas vítimas, Gacy também as estuprava e as mutilava – e em alguns casos, ele chegou a cometer atos de necrofilia com os corpos.

Embora Stephen King nunca tenha discutido abertamente sobre as inspirações que John Wayne Gacy pode ter tido em seu trabalho em IT: A Coisa, é muito provável que tenha sido um elemento incorporado à história. O assassino foi preso em 1978 e condenado à morte em 1980 (recebendo injeção letal apenas em 1994). Conforme a investigação se desenrolou, o caso foi parar na boca da mídia – e é bem provável que King tenha visto algo sobre o caso, ajudando a compor a figura de Pennywise.

Ronald Reagan e o Pânico Moral

O livro foi publicado em 1986 e deriva muito de certos elementos culturais que os Estados Unidos estavam vivendo no auge dos anos 80. Embora produções como Stranger Things hoje vendam a ideia de que os anos 60 tenham sido uma época perfeita, a verdade é que a década trouxe um espírito bem opressivo e conservador para a sociedade norte-americana com a eleição de Ronald Reagan, e isso trouxe consequências na mídia e no modo de vida. ]

Nesse período, começaram a surgir várias paranoias e crises morais no país, com o mais popular dentre esses tendo sido o Pânico Satânico – o surto de pessoas assustadas com a ascensão de satanistas no país, o que levou a uma espécie de “caça às bruxas” moderna. Mas além disso, tivemos também uma onda alta de desaparecimentos, mortes e sequestros de crianças, o que criou um grande pânico moral conhecido como Stranger Danger.

O Stranger Danger (ou Perigo Estranho, em tradução livre) foi um pânico moral que fazia com que famílias tivessem medo e desconfiança de qualquer estranho, pois ele automaticamente se tornava um perigo para as crianças. Nesse sentido, palhaços e animadores de festa se tornaram um alvo de campanha e até perseguições, por não terem o rosto reconhecível e estarem sempre escondidos embaixo da maquiagem ou máscaras.

O próprio livro reconhece, em vários momentos, elementos desse pânico moral e dessa desconfiança crescente em figuras estranhas – com Pennywise se tornando um símbolo absoluto do “outro” que poderia estar escondido na vizinhança, em busca de crianças para molestar ou sequestrar. E com a popularidade de John Wayne Gacy nos noticiários, essa desconfiança foi ficando cada vez maior na cultura oitentista dos Estados Unidos.

Outras inspirações

Embora esses casos despontem como as principais influências – diretas ou indiretas – na concepção de IT: A Coisa, temos também casos bem peculiares que ajudaram King a compor a história e o visual de Pennywise. A ideia para a história veio de um dia ensolarado de verão, quando o carro do autor quebrou na estrada próximo de uma ponte. Na hora, enquanto esperava ajuda, ele começou a pensar em um antigo mito folclórico.

Na lenda, um grupo de crianças encontra uma criatura – que pode ser um troll ou um duende – vivendo embaixo de uma velha ponte. A criatura é maligna e acaba enganando as crianças (ou cabras, dependendo da versão da lenda) e as mata para devorá-las. Outro elemento que inspirou a história foi a rede de esgotos da cidade onde King vivia, que era Bangor, no Maine.

Quanto ao visual, King já admitiu ter se inspirado em Ronald McDonald, o palhaço que durante anos foi a “cara” da popular rede de fast food McDonalds. Em entrevistas, ele disse que sempre viu Ronald como uma figura que inspirava confiança em crianças – e por isso, criar um ícone do horror que conseguia a admiração de jovens apenas para matá-los logo em seguida era algo que criava um senso de pavor muito potente.

Fontes: ScreenRant, Ranker

IT: A Coisa está disponível no HBO Max.

Abaixo, veja também:

Imagem de perfil
sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux