Rua do Medo: Os possíveis derivados que queremos da trilogia da Netflix

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Rua do Medo: Os possíveis derivados que queremos da trilogia da Netflix

Por Gus Fiaux

No mês de julho, a Netflix lançou um de seus projetos mais ousados até o momento. Os três filmes que compõem a saga de Rua do Medo foram lançados, semana após semana, fornecendo uma experiência cinematográfica jamais vista, ainda mais levando em conta a pandemia e como os cinemas foram afetados por isso. Na história, viajamos ao mundo sombrio de Shadyside, uma cidade atingida por uma terrível maldição, onde a violência se espalha como o câncer e novos assassinos surgem de tempos em tempos para realizar massacres tenebrosos.

Os três filmes contam com uma história muito empolgante e um mistério que é lentamente desenvolvido – e o mais incrível de tudo, são filmes ambientados em períodos diferentes, já que o primeiro se passa em 1994, o segundo vai para 1978 e o terceiro decide dar um mergulho nas profundezas do tempo, voltando até 1666. Porém, quem já viu a saga completa sabe que existe um gancho para possíveis continuações – e aqui, fizemos um apanhado de todos os derivados possíveis de Rua do Medo que queremos ver!

Uma nova trilogia?

A história de Rua do Medo foi baseada nos livros homônimos de R.L. Stine, um grande mestre do horror infanto-juvenil. A saga dos livros traz diversas histórias independentes que compartilham de uma única conexão firme entre si: a cidade de Shadyside, um local conhecido por sua história trágica e que possui um nítido contraste com a rica e ensolarada Sunnyvale, a cidade vizinha. Essa ideia foi transportada também para os filmes, já que eles não são uma adaptação direta de nenhum dos livros – apesar de fazerem várias homenagens e referências.

Na trilogia da Netflix, temos uma história bem contida e fechada dentro de si, que mostra toda a história da cidade e como ela se tornou esse antro de maldade e podridão. Tudo isso porque, em 1666, Solomon Goode decidiu fazer um pacto com um demônio, ganhando toda a prosperidade para si e sua família – e para isso, ele precisava fazer com que, de tempos em tempos, uma pessoa de Shadyside enlouquecesse e saísse em um frenesi assassino, “coletando” as almas de inocentes para selar esse acordo diabólico.

Quem assistiu aos três filmes sabe que toda a saga é muito bem finalizada e a maldição dos Goode chega ao fim. Mas bem no final do terceiro filme, temos uma cena pós-créditos que mostra alguém pegando o livro de bruxaria usado por Solomon e seus descendentes. Por isso, a melhor forma de continuar essa saga é criando uma nova trilogia que explore as consequências desse “roubo”. Porém, não dá para fazer mais do mesmo, e criar uma maldição nova em Shadyside para trazer assassinos de volta seria bem decepcionante…

Por isso, seria bacana ver esse livro sendo usado para alguma outra prática sobrenatural e ritualística, talvez dando um contorno ainda mais “obscuro” e “místico” para as ameaças das sequências. E embora nós gostemos muito dos protagonistas da trilogia atual, DeenaSam Josh, talvez seja interessante ver essa história acontecendo em outra temporalidade, com outros personagens. Quem sabe, poderia ser uma nova trilogia ambientada no presente, onde os personagens podem retornar mais velhos, auxiliando os novos protagonistas (da mesma forma que Ziggy Berman fez na saga atual).

E não é muito difícil ir longe para descobrir o que poderia ser narrado nessa nova trilogia. Talvez, seria interessante se apropriar de narrativas e conceitos apresentados nos livros de Fear Street e criar uma história mais próxima do material original – ao mesmo tempo em que a diretora Leigh Janiak, que já fez um ótimo trabalho nessa primeira saga, teria mais liberdade para criar um fio condutor novo e que trouxesse elementos originais para as adaptações.

O passado de Shadyside

Por outro lado, é completamente compreensível vermos alguns fãs que gostariam de mergulhar mais no passado de Shadyside, levando em conta que todos os filmes apresentam assassinos muito marcantes, seja por seu visual ou pelo modus operandi. Bons exemplos disso incluem o LeiteiroRuby Lane, assim como Billy Barker. E embora eles tenham papéis importantes nos longas, suas histórias são contadas apenas tangencialmente, sem aprofundamento.

Levando em conta como a trilogia conseguiu nos fornecer ótimos exemplos de slasher em seus três filmes – 1978 em especial, onde a carnificina é grandiosa e desenfreada -, seria bem interessante voltarmos ao passado para conhecer um pouco mais desses antigos assassinos e suas histórias. O grande problema é: tudo isso seria bem previsível, já que nós sabemos o que está por trás desses “vilões” e como tudo acabou.

Por isso, seria uma boa ideia ver essas histórias em um formato mais contido – e não em uma nova trilogia, já que é melhor acompanhar uma nova narrativa nesse formato. Uma boa opção seria a criação de uma série antológica na própria Netflix, onde cada episódio seguisse um novo assassino ao longo da história tenebrosa de Shadyside, o que permitira explorar um pouco da cidade em temporalidades muito distintas.

Isso não apenas seria bem interessante para desenvolver esses personagens icônicos como também se aproximaria ainda mais da estrutura dos livros de Rua do Medo, adotando um caráter mais episódico e sem tanta ligação entre as histórias – talvez até fazendo estilos diferentes de slasher ou encaixando esses assassinos em outros subgêneros do terror – algo que a própria trilogia faz muito bem em seu terceiro filme, mesclando elementos de folk horror.

Uma outra saga literária bem famosa…

R.L. Stine pode ter ganhado muita fama escrevendo os livros de Rua do Medo, mas sua segunda obra é talvez a mais emblemática e importante para sua carreira, tendo servido como a porta de entrada de muitas crianças para o mundo do terror. Estou falando de Goosebumps, a série de livros que ele começou a escrever nos anos 90 e que, atualmente, possui mais de duzentos livros divididos em diferentes “mini-franquias”.

Goosebumps não tem nenhuma conexão com Rua do Medo, nem mesmo citação a Shadyside e Sunnyvale, mas sua estrutura narrativa é bem similar à saga mais “jovem adulta” de Stine, com personagens jovens enfrentando as ameaças mais terríveis possíveis, enquanto tentam se apegar a um resquício de sanidade do mundo que conhecem. E talvez, uma ótima forma de honrar o legado do autor seja produzindo uma adaptação dessa saga no mesmo universo da trilogia Rua do Medo.

Muitos de vocês devem se lembrar da popular série live-action dos anos 90, onde cada episódio contava a história de um livro diferente de Goosebumps, fazendo uso do modelo antológico para desenvolver vários monstros e fantasmas presentes nesses livros. Foi ali que o boneco Slappy ou a Máscara Monstruosa acabaram ganhando uma extrema popularidade, assombrando gerações de crianças até hoje.

Esses livros recentemente ganharam duas adaptações para os cinemas, protagonizados por Jack Black – e digamos apenas que não são lá as melhores representações dessas histórias por serem muito puxados para o lado da comédia, perdendo o clima sombrio e atmosférico dos livros. Porém, seria a hora perfeita da Netflix reviver essa saga, ainda mais se fosse para criar um grande “universo compartilhado” das obras do R.L. Stine.

Assim, seria incrível se o Parque do Terror ou até mesmo o Acampamento Rei Geleião fossem inseridos na geografia de Shadyside ou Sunnyvale, criando um novo repertório de terror para esse universo. Tudo poderia ser feito pensado em um público mais novo, assim como os livros ou a série dos anos 90, de modo a construir um grupo de fãs de terror que pudessem começar por essas histórias, partir para Rua do Medo e então desbravar obras mais adultas depois que crescessem.

Netflix tem a faca e o queijo na mão. No ano passado, saiu a notícia de que a plataforma estava em busca de uma saga tão grandiosa quanto Harry Potter ou Star Wars, e tendo em vista o sucesso de público que foi Rua do Medo, seria fascinante ver o streaming apostando firme nessa franquia de terror e expandindo-a para seu público.

Os três filmes de Rua do Medo estão disponíveis na Netflix!

Abaixo, veja os melhores easter-eggs da trilogia Rua do Medo:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux