Review: Metroid Dread faz você se sentir como a maior caçadora de recompensas da galáxia

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Review: Metroid Dread faz você se sentir como a maior caçadora de recompensas da galáxia

Por Gabriel Mattos

Depois de 19 anos de longa espera, finalmente temos o próximo capítulo do conflito entre Samus Aran e os temíveis Metroids: o quinto jogo principal da franquia, Metroid Dread. O novo exclusivo de Nintendo Switch chega para encerrar de vez este capítulo da vida da Samus, entregando uma aventura de tirar o fôlego do início ao fim.

A Legião testou o título, a convite da Nintendo Brasil, para descobrir se Metroid ainda é o pináculo dos metroidvanias. Será que a rainha dos jogos perdeu a majestade?

FICHA TÉCNICA

Título: Metroid Dread

 

Desenvolvedora: MercurySteam

 

Distribuidora: Nintendo

 

Plataformas: Nintendo Switch

 

Lançamento: 8 de Outubro de 2021

 

Gênero: Plataforma, Ação, Exploração (Metroidvania)

O poder de Samus Aran

Samus está de volta para um confronto final com seu passado em Dread

A trama traz uma premissa bem básica, para te colocar direto na ação — ao descobrir uma possível ameaça no Planeta ZDR, a caçadora de recompensas Samus Aran vai investigar, quando é atacada por uma força misteriosa. Ela acorda no núcleo do planeta, sem forças, e vai precisar recuperar seu poder enquanto procura uma forma de escapar.

Assim que a ação começa, o que mais chama atenção é o amplo arsenal da protagonista. Em Metroid Dread, Samus está mais forte do que nunca! Suas habilidades básicas já são versáteis o suficiente para encarar uma pluralidade de situações. E o jogo tem a paciência de explorar ao máximo seu potencial antes de introduzir novos itens. A progressão pode demorar a princípio, mas quando você libera a primeira melhoria, a aventura engata em um ritmo viciante.

Ampliar o leque de opções dos jogadores tão cedo poderia ter sido um catastrófico tiro do pé para a exploração, mas Dread sabe conter a imensidão de seu mundo em subseções mais fáceis de gerenciar que evitam o desgaste e uma potencial paralisia por excesso de escolhas. Sempre que uma porta se abre, outra se fecha sutilmente, guiando Samus a seus próximos desafios.

Os perigos de ZDR não são páreos para a caçadora

Para os jogadores mais casuais, o modo como o caminho principal sempre surge em sua frente em Dread pode parecer magia, mas os esforços para trazer essa acessibilidade a um público maior, mesmo que essencial para o sucesso do game, tem um custo aos veteranos de Metroid: a temida linearidade.

Em rédea curta

Por muito tempo, Metroid foi uma franquia de jogos sobre encarar um mapa complexo do seu jeito, encontrando seu próprio caminho em um mar de opções que só se abriam graças ao esforço do jogador. O mesmo não pode ser dito de Dread, pelo menos não em sua jornada principal.

Não há estímulos fortes para backtracking, uma vez que não existem itens secundários: todos são encontrados no caminho principal. Aqueles que realmente gostam da exploração poderão caçar pequenas melhorias, que estendem a vida do jogo, mas não trazem um empoderamento tão intenso quanto jogos anteriores da saga.

Com o timing certo, é possível contra-atacar qualquer inimigo

Com tantos itens obrigatórios, não demora para Samus ficar absurdamente poderosa. Os obstáculos em seu caminho constroem uma forte expectativa para o próximo item, que nunca é frustrada. Mesmo aqueles que não parecem pensados para o combate acabam se mostrando úteis na hora certa. Enquanto muitos jogos sofreram para transmitir a energia fod*na da heroína no passado, suas ações provam que, em Metroid Dread, Samus realmente é a maior guerreira da galáxia.

De caçadora a caça

Tamanho poder correria o risco de desbalancear a dificuldade do jogo, mas os chefes espalhados por ZDR estão aí para provar o contrário. Os monstros e robôs deste mundo são incríveis e desafiam os jogadores ao seu limite, exigindo até aquelas armas esquecidas no arsenal da heroína.

E mesmo com um arsenal tão rico, nenhuma arma de Samus é capaz de ao menos arranhar os E.M.M.I., robôs invulneráveis que perseguem a heroína por áreas específicas do jogo. Adentrar o território desses rivais muda completamente a dinâmica do jogo: Samus que antes era uma ameaça para todos, se torna uma simples presa, fugindo pela sua vida.

Os E.M.M.I. não dão descanso em Dread

Medo, desespero e urgência são alguns dos sentimentos evocados por esta caçada fenomenal, herança da veia sombria de Metroid Fusion, mas eles nem são os adversários mais poderosos nesta aventura. Sempre que a história precisa avançar, Samus é confrontada com um chefe poderoso que desafia ao máximo os reflexos do jogador.

Rainha do pináculo

O problema dos chefes é que, diferente das seções de exploração que ensinam a função de cada poder, entender que habilidades são necessárias para encará-los não é nada intuitivo. Enfrentá-los exige uma mentalidade que o jogo não te prepara para desempenhar em momento nenhum, o que acarreta em um árduo processo de tentativa e erro.

Em um primeiro momento, as batalhas são turbulentas e te arrancam mortes fáceis. Mas depois de muitas tentativas frustradas, os padrões desses poderosos inimigos ficam entranhados em sua alma e você consegue controlar cada movimento de Samus com perfeição, quase como instinto. Os chefes podem extrapolar o nível geral de dificuldade do jogo, mas a experiência de conquistá-los supera qualquer frustração.

Samus mostra para os chefes gigantescos quem é que manda

Especialmente quando falamos do inimigo final da saga, que põe Samus para suar com golpes poderosos que arrancam uma quantidade absurda de energia. Erros não são tolerados, assim o jogador precisa desenvolver paciência, precisão e habilidade para derrotá-lo. Em Dread, você precisa virar a Samus para sobreviver, e perceber isso chega a ser catártico.

Ainda mais com o desfecho chocante que os roteiristas encontraram para a história. Dread encerra o Arco dos Metroids juntando todos os fragmentos deixados pelos jogos anteriores e ressignificando pontos chave da história. É absurdamente satisfatório ver como os Chozo, os Metroids e o Parasita X foram amarrados em uma única história de forma coerente e empolgante, com direito a revelações inéditas sobre o passado de Samus.

Este é o tratamento que a franquia sempre mereceu e é bom ver que Metroid finalmente começa a atingir o seu potencial narrativo.

Nota: 9.5/10

Talvez esta seja, inclusive, a melhor maneira de descrever Metroid Dread: a MercurySteam tratou a franquia com o carinho que ela sempre mereceu. O estúdio espanhol mostrou mais uma vez que entende exatamente a essência da saga e trouxe mais uma experiência que realça tudo que os fãs mais adoram: um mapa denso, combate empolgante e uma heroína que não deita para ninguém.

Metroid Dread pode ser o fim da história dos Metroids, mas é apenas o início de uma nova era para Samus Aran.

Metroid Dread está disponível exclusivamente no Nintendo Switch.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Editor, repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse