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Review: The Legend of Zelda: Skyward Sword HD mergulha sem medo na essência da franquia

Por Gabriel Mattos

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD, novo exclusivo de Nintendo Switch, chega no dia 16 de julho com uma missão muito especial: celebrar os 35 anos da franquia. A Nintendo do Brasil já mandou o game para a Legião não perder essa comemoração e a gente traz em primeira mão o que você pode esperar deste clássico inesquecível.

Ficha Técnica

Lançamento: 16 de julho

 

Estúdio: Nintendo

 

Distribuidora: Nintendo

 

Plataformas: Nintendo Switch

 

Gênero: Ação e Aventura, Action RPG

 

Modos: Principal e Hero Mode (ambos single-player)

 

Nomes envolvidos: Eiji Aonuma (produtor) e Mahito Yokota (compositor)

Sopro do tempo

Lançado originalmente para Nintendo Wii, Skyward Sword é o jogo que dá o pontapé inicial nas lendas que acompanhamos por tantos anos. Na trama, descobrimos a verdadeira importância de Zelda e o motivo de Link estar sempre digladiando com Ganon ao longo dos séculos.

Tudo começa em Skyloft, uma ilha protegida pela deusa Hylia que flutua na imensidão azul do céu. Distante dos monstros e da selvageria da superfície, Link estuda para se tornar um cavaleiro junto de Zelda, sua amiga de infância. Mas no dia de sua formatura, os dois se veem puxados para uma aventura que os levará a explorar todos os cantos de Hyrule.

Esta é uma aventura banhada em inocência! Desde o romance entre os protagonistas ao mundo quase intocado que devemos explorar, é impossível escapar da sensação que estamos diante de algo puro que precisamos proteger, contrastando diretamente com a desolação do título mais recente da franquia — The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

A inocência de Link e Zelda são temas do jogo

Mas não é apenas em tom que esses jogos divergem: enquanto Breath of the Wild tentava fugir ao máximo de tudo que tornou a franquia famosa, Skyward Sword é Zelda ao extremo!

A volta das dungeons

O jogo abraça os itens mais clássicos e as convenções da série sem deixar de experimentar ideias novas que seriam reaproveitadas no futuro da franquia. Assim, ele consegue equilibrar bem o quesito novidade com a nostalgia. Escudos, por exemplo, podem ser aprimorados e contam com uma barra de desgaste. E as dungeons, que fizeram tanta falta em Breath of the Wild, estão por toda a parte.

Esta versão pode não oferecer um mundo aberto, mas é por um bom motivo: o mundo inteiro é uma grande dungeon! Uma das grandes diversões da franquia é superar esses templos cheios de desafio, mas dessa vez o desafio começa assim que você toca a superfície. O caminho entre os objetivos é repleto de puzzles, batalhas e surpresas: são como dungeons em céu aberto!

Verdadeiras dungeons em céu aberto

E se você pensa que isso tiraria o impacto das próprias dungeons, você está enganado. Por sorte, Skyward Sword tem as melhores dungeons de Zelda!

No momento que você põe o pé em um desses templos incríveis, você nunca sabe o que esperar. Sempre há uma novidade que muda o jeito que você interage com o mundo, tirando o máximo proveito dos seus equipamentos, mesmo nas fases mais avançadas. E apesar de reciclar alguns chefes manjados da franquia, também traz os melhores inimigos originais.

Quem sentiu falta das dungeons em Breath of the Wild, estará mais do que servido, mas essa abundância cobra um preço: uma estrutura bastante linear. Se isso chegava a incomodar na versão de Wii, não é mais um problema no remaster graças às pequenas melhorias que revolucionam toda a experiência.

Não há um mundo vasto para explorar, mas sim um denso micro universo

As novidades de Skyward Sword HD no Nintendo Switch

Chegou a hora ingrata de falar sobre a Fi. Sempre fui um grande fã da personagem, desde o design simples à personalidade distante e robótica, mas não tem como defender a intromissão grotesca ao ritmo do jogo na versão original. Felizmente, isso foi completamente corrigido no remaster para Nintendo Switch.

Agora que a Fi aparece apenas quando é chamada, a experiência geral tem um ar bem menos opressivo e a linearidade não se torna um problema. Na verdade, ela nunca foi. O que causava incômodo era um vazio decorrente da falta de descoberta, que não vinha da estrutura linear, mas da Fi dizendo a solução para os problemas antes mesmo que você pudesse tentar.

Agora Fi não entrega a solução de puzzles sem ser chamada

Explorar é muito mais satisfatório no Nintendo Switch! Você se sente livre para tentar o seu caminho, sem correr riscos de ser importunado pela Fi dizendo que você tem 80% de chances de estar errado. Sem contar da inclusão de movimento livre da câmera com o analógico direito, algo que não tinha na versão original de Wii.

Ao mesmo tempo que os controles são incríveis, são uma oportunidade perdida. Skyward Sword HD inclui dois modos de controles — focado em movimentos ou usando apenas botões — e ambos têm sua dose de brilhantismo e frustração. O sofrido é não poder mesclar o que mais lhe agrada nos dois. E boa sorte para qualquer um que encarar manusear a câmera por motion sense usando os joy-con.

Um primor estético

Visualmente, Skyward Sword é impecável! Sempre foi. Para compensar a falta de poder gráfico do Wii, os produtores optaram por um estilo cartunesco para os personagens e texturas impressionistas para o mundo. Não só envelheceu muito bem, como fica ainda melhor na alta definição do Nintendo Switch.

A iluminação, entretanto, não é muito confiável e opera de formas estranhas em algumas cenas. Isso sem falar nos modelos de personagens: criados para funcionar bem há décadas, mostram sinais de desgaste e deveriam ter sido retocados. Não é o suficiente para tirar o brilho da obra geral, mas os detalhes poderiam ter recebido mais atenção.

Por outro lado, a trilha sonora não deixa nada a desejar. As composições se destacam e realçam o tom tranquilo, esperançoso e inocente da aventura. E a gravação diante de uma orquestra ao vivo garante um som mais orgânico que combina com um mundo tão exuberante quanto o de Skyward Sword.

Nota

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD é o jogo perfeito para quem sempre quis começar na franquia e essencial para fãs de longa data. Essa é a história mais emotiva de Zelda, acompanhada de algumas das dungeons mais criativas. Até mesmo os problemas de ritmo, que tanto incomodavam na versão original, foram enfim sanados. O único porém são os controles e os visuais, que não demonstraram uma melhora tão expressiva.

Para quem já jogou e gostou da versão original, o preço atual pode não compensar, mas se é a sua primeira experiência com o título, Skyward Sword HD tem tudo para te agradar.

Nota: 8,5/10

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD chega à loja digital do Nintendo Switch nesta sexta-feira, 16 de julho.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse