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Review: Knockout City vicia com queimada frenética, mas decepciona com servidor fraco

Por Gabriel Mattos

Knockout City, o novo jogo da EA Games, traz uma experiência online leve e desafiadora que pode acabar conquistando até os mais ferrenhos defensores de jogos single-player. O segredo está na simplicidade, simpatia e em um combate frenético de queimada que te cativa a tentar cada vez o seu melhor.

Knockout City leva a empolgação das queimadas para os consoles (Capturado no Switch)

Ficha Técnica

Desenvolvedora: Velan Studios

 

Publisher: EA Originals

 

Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC

 

Lançamento: 21 de maio de 2021

 

Gêneros: Esporte, multiplayer online casual

 

Número de jogadores: De 1 a 4 jogadores por time

Batalhas frenéticas de queimado virtual (Capturado no PC)

A magia da queimada

A experiência de jogar Knockout City é tão empolgante que fica até difícil transcrever para palavras. O jogo imagina como seria insano uma partida de queimado abusando dos ataques extravagantes típicos dos videogames e executa com absoluta perfeição.

Quem já teve algum contato com o esporte, sabe bem o que esperar das regras, muito similares em sua versão virtual — pontua quem acertar a bola em seu adversário; mas se ele conseguir segurar seu disparo, tem a chance de revidar. Esse comprometimento com a simplicidade resulta em uma jogabilidade intuitiva, fácil de aprender e amigável mesmo àqueles que não estão acostumados com jogos eletrônicos.

De olho no público casual, a Velan Studio se esforçou para acabar com qualquer obstáculo que poderia dificultar a experiência: a mira é automática, poucos botões são essenciais para um bom desempenho e erros são minimamente penalizados. Não é preciso mais que um curto tutorial para entender a dinâmica das partidas, que duram o tempo ideal para prender a atenção, sem cansar.

Agarrar na hora certa é a chave para a vitória (Capturado no PC)

Mestre das quadras

Quem estiver mais confortável com competições online, pode investir um tempo extra aperfeiçoando as técnicas avançadas, que oferecem mais opções para lidar com situações específicas de uma partida. Chegar ao nível de manejo impecável de seu jogador traz uma sensação de recompensa absurda, mas também não é tão frustrante estar do outro lado.

Knockout City soube equilibrar com harmonia a disparidade de habilidade dos jogadores tornando sempre possível se adaptar a seus adversários. Não importa se eles são muito mais experientes, com um trabalho de equipe coeso e uma boa estratégia há chances de vitória.

Espalhadas pelos campos, bolas especiais — que alteram desde o seu alcance à sua letalidade — podem ser decisivas para virar uma partida acirrada. Com a vantagem de acrescentar variedade às partidas, elas são balanceadas o suficiente para não se tornarem uma estratégia dominante. Inclusive, não saber a hora de usá-las pode desestabilizar sua equipe.

Bolas especiais acrescentam variedade (Capturado no PC)

De modo geral, todos os elementos do jogo funcionam bem com uma grande sinergia para proporcionar uma experiência desafiadora, mas não estressante. Dosada para deixar o jogador sempre no limite, alimentado por picos de adrenalina. Mas todo esse esforço acaba sendo minado por constantes problemas de conexão.

Conexão do caos

Tratando-se de um game onde o timing certo é crucial, qualquer atraso poderia acabar com uma partida. Por sorte, o servidor se mostra bastante competente em gerenciar os embates. O maior desafio é manter seus amigos unidos e se comunicando em uma mesma partida.

Não houve um dia, desde seu lançamento, que não rolasse alguma desconexão por parte de amigos, mesmo sem problemas com a Internet. Às vezes um jogador sumia do chat de voz até o turno acabar, outras ele simplesmente era enviado para uma partida completamente diferente, mas o fato é que jogar com seus amigos pode ser uma experiência estressante.

Quando os amigos ficam incomunicáveis, é menos estressante jogar sem eles (Capturado no PC)

Isso sem falar dos momentos em que o servidor apresenta instabilidade e o simples ato de se movimentar pelo jogo se torna um teste imenso de paciência. Quando as partidas com amigos funcionam, são o aspecto mais divertido do jogo, mas toda a dor de cabeça para fazer funcionar me fez questionar se todo esse sacrifício vale a pena.

Não há como saber se este é um problema temporário, mas distrai da experiência incrível entregue pelos demais aspectos do jogos. E o pior é que, conversando com diversos jogadores através do Twitter, fica claro que este é um ponto de frustração comum entre o público.

Queimada como nunca se viu

Felizmente, para esses momentos de confusão, existem modos secundários perfeitos para jogar sozinho, enquanto espera o servidor decidir cooperar com seus amigos.

Modos variados terão rotatividade (Capturado no PC)

Cada um testa sua maestria de um elemento diferente do jogo. No modo Confronto, por exemplo, onde você enfrenta diretamente outro jogador, é preciso conhecer bem os cenários urbanos para usar pontos estratégicos ao seu favor. Além das fases trazerem uma ambientação urbana que amplifica a imersão, os cenários são pensados cuidadosamente para permitirem jogadas mais estratégicas que são cruciais para vencer os Confrontos.

Por outro lado, o modo Combate Caótico — que põe quatro jogadores para disputarem entre si a liderança — exige reflexos rápidos e um contra-ataque sagaz. Para a primeira temporada do jogo, os desenvolvedores prometeram um novo modo por semana, o que estende a vida útil da aventura por muito mais tempo.

Quem quiser, pode chegar!

Todos os modos de jogo rendem experiência para o sistema de reputação, liberando um prêmio a cada nível alcançado. O tipo de customização (poses de vitória, cabelos, rostos…) é o mesmo entre todos jogadores, mas cada um recebe uma opção aleatória entre as disponíveis no jogo.

Seja quem você quiser no mundo das queimadas! (Capturado no PC)

Assim, Knockout City consegue escapar da saturação comum entre os Passes de Batalha de jogos casuais próximos ao lançamento, como aconteceu com Fall Guys.

Também é possível comprar novas roupas na loja do jogo, caso esteja disposto a pagar por uma microtransação bem salgada. Mas diferente da maioria dos jogos online da EA, onde isso se torna um grande empecilho, aqui não chega a incomodar. Primeiro, pois é possível conseguir os itens gratuitamente com alguma sorte e dedicação. Além disso, o próprio jogo é bem barato no geral — gratuito para quem tem acesso ao Xbox Game Pass Ultimate — então não parece uma prática abusiva neste caso.

A abundância de possibilidades só reforça a liberdade proporcionada pelo modo de personalização dos personagens. O jogo não só engloba diferentes estilos visuais, desde o fofo ao gótico, como também não julga ou limita nenhuma escolha que o jogador possa ter, permitindo uma expressão fluida e sincera.

Nota do Jogo

Dentro e fora das quadras, Knockout City prega inclusão e liberdade. Fácil de aprender e divertido de dominar, a dinâmica acelerada dos combates vicia e incentiva os jogadores a serem cada vez melhor. Mesmo com alguns problemas técnicos, esse game tem tudo para conquistar qualquer um e vigorar entre os favoritos na hora de uma diversão descompromissada com seus amigos. Se estiver procurando algo para relaxar e passar o tempo, a nova aposta da EA Games pode ser uma ótima pedida.

Nota: 4/5

Nota: 4/5

Para comemorar o Mês do Orgulho LGBTQ+, Knockout City liberou um pacote gratuito de ícones representando as principais bandeiras da sigla. São 21 ícones diferentes para escolher. Para pegar tudo de uma vez, basta usar o código 52T3-BMJD-3QNL-BQWB-LWK9.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse