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Review: Versão do Diretor de Death Stranding aprofunda o game, mas não se justifica

Por Márcio Jangarélli

Atenda a campainha! Uma entrega importante acaba de chegar. Seguindo muita discussão sobre o game original, seu impacto e possíveis direções futuras, Death Stranding: Director’s Cut estreia no PlayStation 5 no dia 24 de Setembro, prometendo uma versão definitiva da obra pioneira e megalomaníaca de Hideo Kojima.

Graças à PlayStation, tivemos a oportunidade de testar o game antecipado para contar para vocês se retornar à rede quiral do Sam é uma boa ideia. Prepare suas granadas de sangue (e outros fluidos corporais) e vem comigo nessa jornada um tanto… controversa.

Se você não viu nossa review do jogo original, confira o que o LR escreveu sobre Death Stranding clicando aqui.

FICHA TÉCNICA

Lançamento original: 8 de novembro de 2019

 

Lançamento da Versão do Diretor: 24 de Setembro de 2021

 

Diretor: Hideo Kojima

 

Desenvolvedora: Kojima Productions

 

Plataformas: PlayStation 5 

 

Gênero: Exploração; Aventura; Ação; Simulador; Stealth;

DEATH STRANDING, 2 ANOS DEPOIS

Dois anos depois, retornar à Praia de Death Stranding ainda proporciona uma jornada especial (Imagens: Captura de PS5)

Muita coisa se desenrolou no mundo desde que Death Stranding foi lançado, no final de 2019. As opiniões sobre o jogo permanecem divididas até hoje, elementos da obra máxima de Hideo Kojima já figuram em novas produções e nós até enfrentamos uma versão mais pé-no-chão de isolamento no mundo real. E, mesmo assim, encarar as entregas do Sam hoje, em 2021, ainda é algo único e pitoresco.

Quando o game original saiu, minha primeira impressão sobre Death Stranding foi que esse não era um jogo “para todo mundo”. Isso partindo do pensamento de que era um produto tão carregado de metalinguagem, testes, referências e, principalmente, lento e denso, que só um nicho da comunidade ficaria realmente entretido do começo ao fim. 

Death Stranding foi um experimento com o intuito de impactar a indústria, mas não era amigável ao jogador comum. Uma boa parcela de players diz que gostou da aventura do Sam, mas é algo cansativo demais para um segundo round.

Nesse sentido, Death Stranding: Versão do Diretor faz um bom trabalho, implementando novos instrumentos, armas, missões, CGs, documentos e tudo mais para facilitar e dinamizar a vida do jogador. Mesmo quase dois anos depois, retornar para o mundo do Sam não foi tão espinhoso quanto imaginei que seria.

A nova versão inclui mais referências aos trabalhos do Kojima – especialmente Metal Gear e… Cyberpunk 2077?!

Diferente da versão do diretor de Ghost of Tsushima, onde as principais adições estavam em uma (ótima) DLC, o novo formato de Death Stranding pulverizou suas mudanças ao longo de todo o gameplay. Elementos surgem em momentos diferentes e novas missões “didáticas” são incluídas na narrativa de forma que o ritmo fica mais suave e menos caótico.

O sistema social do jogo também foi aprimorado e deixou tudo mais simples de entender. No mundo ou no mapa, as suas trilhas e as de outros players ficaram mais aparentes, construções feitas em lugares chave por outras pessoas e placas importantes aparecem com mais frequência, existem rankings e o game agora espera que você faça uso de todas as suas funções antes da entrega final.

Tudo isso faz com que a experiência de Death Stranding fique mais agradável e divertida, não importa que tipo de player você é ou se está começando o jogo agora ou retornando para ele. No geral, a aventura ficou mais equilibrada e isso só foi possível com o feedback dos jogadores. 

No entanto… será que essas mudanças justificam o lançamento de uma versão separada?

VERSÃO DO DIRETOR DE UM GAME AUTORAL?

A nova versão trouxe algumas possibilidades para uma possível continuação de Death Stranding

Existe muita controvérsia ao redor das “versões do diretor” que a PlayStation está lançando para seus exclusivos. Em Ghost of Tsushima, o relançamento adicionou muito ao game, compilou todas as atualizações do título até então e incluiu uma DLC com história, área e funções inéditas. Nesse caso, dá para entender isso como uma “versão definitiva” – especialmente se os jogadores puderem fazer upgrade para ela separadamente.

No caso de Death Stranding, a história é outra. Os trailers mostram exatamente o que você vai receber com a Versão do Diretor e entregam até demais. Talvez as mudanças serem encaixadas na linha do game original diminua seu impacto, talvez só não haja muitas mesmo; o fato é que, ainda que as alterações melhorem o fluxo do jogo, elas não justificam o lançamento.

Como dito, as mudanças foram espalhadas ao longo de todo o gameplay, então a estrutura de Death Stranding permanece a mesma no fim. Existem, sim, novidades que adicionam à história – e são coisas verdadeiramente legais – mas que não vão muito longe. Algumas até sinalizam para uma possível continuação e talvez por isso tenham sido contidas por aqui.

As adições ao game são ótimas, apontam para o futuro, mas são poucas

Se falamos sobre os visuais, Death Stranding já era impressionante em 2019, no PlayStation 4. Já me parecia um jogo de nova geração, sabe? Para o PlayStation 5, os gráficos foram aprimorados, sim, o mundo continua deslumbrante, mas não é algo realmente tão notável. Um game de final de geração dificilmente ficaria muito melhor em uma remasterização para o início da geração seguinte.

Outras adições, como novos minigames, área de treinamento, novas ferramentas, novas missões secundárias, são todas bem vindas, mas não impactam da maneira que uma “Versão do Diretor”, separada, deveria. Você finaliza Death Stranding satisfeito com a experiência como um todo, mas depois uma espécie de vácuo de novidade te atinge – especialmente se você é veterano da rede quiral. 

E fica uma dúvida: o quanto você pode chamar de “Versão do Diretor” algo que já era 100% autoral? Desde o início, Death Stranding é quase como mergulhar em um fluxo de consciência do Kojima. Essa versão, na verdade, é uma resposta à experiência dos jogadores com o game original. Os créditos estão indo para o lugar certo?

NOTA

Cliff continua com as melhores partes do game

No início, houve uma explosão”. Pessoalmente, eu diria que Death Stranding, em 2019, foi esse “big bang” para a nova geração de jogos. Ainda veremos os impactos desse título na indústria por muitos anos. Por isso, eu recomendo a aventura do Sam para qualquer pessoa que goste de videogame em si, não só dos jogos. É uma obra muito rica, você gostando do conteúdo ou não.

Agora, com a Versão do Diretor, é possível recomendá-lo também para quem não é tão maluco assim por jogos. A releitura do game deixou Death Stranding mais amigável para o jogador comum, sem alterar o núcleo grandioso do título.

Porém, o que essa versão traz poderia ser adicionado em uma DLC, expansão ou até uma atualização. Não vejo a validade do “Director’s Cut” nesse caso, ainda mais em épocas onde comprar um jogo é um verdadeiro investimento.

Nota: 6,5/10

Assim, Death Stranding: Versão do Diretor leva 6,5 da Legião dos Heróis. São mudanças bem-vindas, especialmente para quem nunca jogou, mas que não valem um lançamento (e um preço) desse porte apenas para elas.

E aí, o que você acha de Death Stranding? Não esqueça de comentar!

Veja agora nossa lista sobre o game:

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.