[Indie+#3] Murder House e Backbone: dobradinha de terror trash e suspense no seu Halloween

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[Indie+#3] Murder House e Backbone: dobradinha de terror trash e suspense no seu Halloween

Por Arthur Eloi

Não importa se o Dia das Bruxas não é celebrado no Brasil: outubro é mês da desgraceira! É durante esse período que os filmes, séries e jogos de horror aproveitam a sede do público pelo macabro para entregar doses quase semanais de obras inéditas. No mundo dos jogos indie, que já celebram o gênero todo dia do ano, não poderia ser diferente, e a Indie+ da vez mergulha de cabeça em experiências horripilantes.

Separar filmes para assistir com os amigos no Halloween é tarefa fácil, mas escolher jogos para curtir na data exige um certo planejamento. É uma mídia de obras mais longas e mais caras, o que pode não atender o desejo de só sentar, curtir algo sangrento, tomar uns sustos e seguir em frente. Felizmente, o desenvolvedor Puppet Combo aparece para ajudar.

Se você acompanha a cena de horror indie (ou mesmo a Indie+), já se deparou com este nome antes. Para os não-iniciados, Puppet Combo é um desenvolvedor solo que, através do Patreon e do Itch.io, faz um fluxo constante de demos e jogos de terror inspirados por filmes trash dos anos 80. Mas não pense em nostalgia a lá Stranger Things, com sua estética limpa e cheia de neon: os games são sujos, cheios de chiado e ruído, com modelos de baixa fidelidade.

A ideia toda é juntar a premissa e a estética de filmes B com a jogabilidade e o clima de jogos de terror do PlayStation 1, daqueles que te dão arrepios e desconforto que só a tecnologia 3D precária dos anos 90 pode oferecer. O Puppet Combo é primeiro sucesso trash do horror nos games, e normalmente seus trabalhos só são disponibilizados no PC por uma questão de custos. Em um milagre de Halloween, um de seus jogos enfim chegou aos consoles – e, por sorte, é justo um dos melhores.

Murder House é a escolha ideal para o seu Dia das Bruxas. O game é, para todos os fins, uns slasher jogável, que nem aqueles filmes em que um grupo é perseguido por algum maníaco mascarado. Aqui, uma equipe de repórteres sensacionalistas visitam uma casa decrépita que foi palco para vários crimes brutais, cometidos pelo Assassino da Páscoa – um serial killer com roupa de coelho gigante. As coisas ficam bizarras quando a equipe percebe estar presa no local, e que o maníaco ainda se esconde pela casa.

O jogador assume o papel de Emma, a estagiária de produção do noticiário – que, assim como nos melhores filmes, precisa crescer de uma jovem frágil para uma sobrevivente. O game vai longe em emular o cinema barato e apelativo que rendeu tantas pérolas da época do VHS. Além do chiado e do ruído visual, Murder House entrega atuações bastante questionáveis, daquelas que só aumentam a sensação de estranhice. Para melhor, a trilha sonora, da dupla Clément Panchout e MXXN, é genuinamente excelente, com sintetizadores pesados que casam perfeitamente com a atmosfera.

É um autêntico survival horror, ao estilo dos inúmeros clones de Resident Evil que definiram o gênero no PS1. Isso significa controles de tanque, câmera com ângulos fixos, busca por itens essenciais para avançar, e gerenciamento de recursos e inventário. O game foi pensado para ser jogado dessa forma retrô, mas há também uma opção mais moderna, com perspectiva em primeira pessoa, que é igualmente ótima. Os controles complementam, claro, mas a excelência está na atmosfera e nos sustos que vão te fazer pular da cadeira.

A melhor parte? Murder House é curto! O jogo entrega uma experiência autêntica de filme trash, repleta de mortes brutais, atuações ruins e sustos, mas nunca se estende além da sua tensão e reviravoltas. É possível fechar um save com cerca de duas horas. Assim, o game se torna uma opção bastante válida para jogar no Halloween, seja rodeado de amigos, ou então sozinho, com as luzes apagadas. Só cuidado na hora de dormir – não dá para ter certeza de que você realmente está sozinho, né?

Murder House está disponível para PC, Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox Series X | S e PlayStation 5.

Agora, se você estiver buscando algo que foge um pouco daquele terror pipoca cheio de sustos, e que segue mais para o lado do suspense e do mistério, Backbone pode ser uma boa pedida!

BACKBONE

POR Márcio Jangarélli

Ultimamente, animais antropomorfizados como protagonistas de jogos indie estão em alta, não? Mês passado mesmo eu trouxe F.I.S.T. para a coluna, onde você joga com o herói coelho Rayton; agora, no entanto, o clima é mais sombrio e conspiratório, quando entramos na pele do detetive guaxinim Howard em Backbone, da EggNut, distribuído pela RawFury.

Esse é um game curioso. Com visuais realmente incríveis, trabalhando pixel art com noir, neon e muita perspectiva e profundidade, Backbone é convidativo mesmo que você não seja muito fã de jogos de narrativa, escolha e investigação. Eu diria que esse é um dos jogos mais bonitos do ano, inclusive.

Aliada à arte, a trilha-sonora fecha a ambientação do game de maneira primorosa, seja com instrumentais ou músicas próprias. O clima de suspense-furry é único, o humor da história é muito bem trabalhado e as escolhas que você deve fazer não são óbvias, como em boa parte dos títulos desse gênero. Assim, você se interessa genuinamente pela trama, personagens e investe em desdobrar o mistério apresentado.

Um pouquinho da arte de Backbone

Porém, o jogo peca na simplicidade do gameplay. Backbone é muito linear e as opções que você possui de investigação são limitadas. Enquanto as qualidades do jogo te fazem querer mais, a jogabilidade em si traça um limite que frustra. Claro, é um título com um orçamento pequeno, mas até o menu te dá uma sensação de simplório demais.

Sem dúvidas, esse é um game para o PC e para o Switch. No PlayStation ou Xbox, ele não faz uso de nada que as máquinas podem proporcionar. Além disso, a narrativa toma caminhos um tanto… controversos no terceiro ato. Aí vai do que você gosta em uma história. Pessoalmente, achei corajoso do estúdio, ainda que um escopo menor pudesse ter agradado mais parte do público.

Se você quer um game para jogar nessa época dos sustos, mas prefere o suspense ao terror, Backbone é a pedida certa. Ótimos personagens, ambientação maravilhosa e história envolvente com momentos arrepiantes. Jogar com o Howard por muito tempo vai te dar vontade de tomar uma bebida no gargalo e fumar um cigarro, então cuidado ou não.

 

Pelos visuais, história e personagens de qualidade com um orçamento mínimo – e pela coragem – Backbone leva 7,5 da Legião dos Heróis.

 

Ah, vale dizer que Backbone recebeu tradução completa para o português brasileiro! Pode ir sem medo que você vai entender tudo na história do detetive Howard.

Mas calma que a Indie+ ainda não acabou!

LEGIÃO RECOMENDA

A Indie+ não para por aí! Em toda edição, a equipe do Detonado! Legião seleciona alguns dos games indie mais interessantes da vez. No clima de Dia das Bruxas, as opções são igualmente macabras:

NUN MASSACRE
POR Arthur Eloi

Ficou interessado por Murder House mas não quer gastar dinheiro? Felizmente, o Puppet Combo anda explorando outras plataformas além do PC, e recentemente o desenvolvedor aproveitou para levar outro de seus sucessos cult ao celular – dessa vez, de graça!

Nun Massacre é um survival horror de 2018, em que o jogador assume o papel de um pai que precisa buscar a filha doente em um internato católico. Ao chegar lá, porém, o clima é bizarro, e ele se encontra sendo caçado por uma freira assassina. Sucesso no Youtube e na Twitch, o game é marcado por sustos intensos e uma atmosfera bastante aterrorizante.

Além do PC, Nun Massacre agora está disponível para Android e iOS onde pode ser jogado de graça, com propagandas.

LOST IN VIVO
POR Arthur Eloi

Silent Hill não deve voltar tão cedo assim, especialmente após toda a confusão entre a Konami e o projeto de Hideo Kojima há uns anos. Quem assumiu a tarefa de continuar o legado de horror da franquia foram os desenvolvedores independentes, com todo tipo de projeto inspirado na estética e na temática dos jogos. Uma das obras mais interessantes dessa leva é, sem dúvidas, Lost in Vivo.

Com perspectiva em primeira pessoa, o game acompanha a busca por um cachorro perdido nos esgotos, mas logo o local se mostra mais hostil e perturbador do que o imaginado. É uma experiência que não só sacia a sede pelo estilo de survival horror que torna Silent Hill tão único, mas que também consegue amedrontar, causar desconforto e uma aguda sensação de pânico e claustrofobia.

Aproveita e confira:

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117