Qual o filme da DC mais massacrado pela crítica?

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Qual o filme da DC mais massacrado pela crítica?

Por Arthur Eloi

Adaptações de HQs de heróis podem estar em alta, mas é uma tendência com algumas boas décadas de vida. Hoje em dia, é o Universo Cinematográfico da Marvel que domina as telonas com uma avalanche de sucessos de bilheteria, mas na real foi a DC Comics que saiu na frente.

Seja na televisão ou nos cinemas, a concorrente conseguiu estabelecer boas produções do Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Mas, claro, ao longo de tanto história, há erros e fracassos. No caso, dois filmes da DC estão empatados pelo título de pior recepção crítica.

Qual é o pior filme da DC?

Na década de 1970, o Superman se tornou um queridinho do cinema graças à icônica performance de Christopher Reeves, a excelente direção de Richard Donner (Máquina Mortífera), e o tocante roteiro de Mario Puzo (O Poderoso Chefão), elevado pela trilha sonora de arrepiar por John Williams (Star Wars). O longa foi não só um sucesso de crítica, como também caiu nas graças do público, entrou para a história da cultura pop e impressionou na bilheteria. Com esse alvoroço todo, a Warner Bros. aprovou três continuações e um derivado.

Supergirl tentou surfar essa onda em 1984. O longa é uma continuação direta dos eventos de Superman III (1983), e acompanha Kara Zor-El (Helen Slater), a prima do Superman, em uma missão na Terra. O objetivo da heroína é recuperar um artefato poderoso chamado Omegahedron, que caiu nas mãos da bruxa Selena (Faye Dunaway). Para tentar camuflar a sua presença no planeta, ela se disfarça de Linda Lee, uma prima distante de Clark Kent.

A trama não foi sempre assim, e originalmente iria acompanhar a Supergirl tendo que resgatar o Superman. O problema é que Christopher Reeves se recusou a participar do projeto, o que pediu que todo o roteiro fosse reescrito. A ideia toda era que o longa servisse para dar vida nova à franquia após o fracasso de Superman III, mas o tiro saiu pela culatra, e o resultado decepcionou.

Supergirl estreou em novembro de 1984 e até conseguiu segurar o primeiro lugar da bilheteria norte-americana durante o primeiro final de semana, mas eventualmente despencou no ranking, e terminou com uma mísera arrecadação total de US$14,2 milhões no mundo todo. A crítica pegou ainda mais pesado do que o público. No Rotten Tomatoes, o filme tem média de 9% nas avaliações profissionais (contra os 26% de aprovação por espectadores mais generosos). Ainda que algumas análises tenham gostado, como é o caso do Washington Post, a grande maioria dos críticos reclama do tom brega, das atuações exageradas, da direção e do tédio.

Helen Slater não guardou rancores e ainda voltou para duas produções da DC – inclusive, como a mãe adotiva de Kara Zor-El na série de Supergirl

É um filme que ficou esquecido na história, mas os envolvidos não parecem ter guardado nenhum tipo de rancor. O diretor francês Jeannot Szwarc se reencontrou na televisão, dirigindo episódios de séries como Smallville, Cold Case, Fringe, Grey’s Anatomy e muitas outras.

Já a atriz Helen Slater foi além, e decidiu retornar às obras da DC: em Smallville, ela viveu Lara-El, a mãe biológica de Clark Kent (Tom Welling). Já em Supergirl, a série da CW, ela interpreta Eliza Danvers, a mãe adotiva de Kara Danvers (Melissa Benoist) – a versão mais bem sucedida da heroína nas telas até hoje. Isso que é gente bem resolvida, né?

Curiosamente, Supergirl não é exatamente o pior filme da DC Comics. Há um empate!

O (outro) pior filme da DC

20 anos depois de Supergirl fracassar na bilheteria e na crítica, outro filme de heroína dirigido por um cineasta francês viria para disputar o título: Mulher-Gato (2004).

Assim como Supergirl, esse filme foi pensado para surfar uma onda de hype. No caso, a dos filmes do Batman pelo cineasta Tim Burton. Inicialmente, a ideia era ter um derivado estrelado pela Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer, de Batman: O Retorno (1992). O projeto não foi para frente, e caiu em um verdadeiro limbo de desenvolvimento. Depois que a atriz deixou o derivado, outros nomes cogitados foram Ashley Judd e Nicole Kidman, mas nem essas versões avançaram muito.

Eventualmente, a Warner Bros. só topou produzir o filme de última hora, após o cancelamento de uma versão muito inicial de Batman vs. Superman, e Halle Berry topou viver a protagonista. A trama seria levemente inspirada nas HQs da DC, e mostraria uma mulher chamada Patience Phillips (Berry) se transformando na heroína após ganhar poderes místicos. O francês Pitof (Vidocq – O Mito) se encarregou da direção.

Mulher-Gato foi um dos maiores fracassos das adaptações de heróis. Feito com um orçamento de US$100 milhões, o filme nem chegou a se pagar, totalizando US$82,1 milhões na bilheteria mundial. As críticas também massacram o longa, tanto pela atuação de Halle Berry como pelas decisões bizarras e desinteressantes da produção como um todo. Um crítico chegou até a sugerir que a atriz devolvesse a estatueta de Melhor Atriz do Oscar 2002, que venceu por A Última Ceia (2001), como reparação. Assim como Supergirl, o filme tem a média de 9% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes.

Bolso cheio e zero arrependimentos: Halle Berry continua na ativa, muito além do fracasso de Mulher-Gato

Halle Berry, por sua vez, não se arrepende. Além de sua carreira ter continuado bem além disso, a atriz recentemente comentou que recebeu uma bolada pelo papel:

Foi um dos maiores salários de minha vida, e não há nada de errado com isso. Eu não quero sentir que eu só posso fazer coisas que me darão prêmios. O que é um desempenho digno de prêmio?

Bateu aquela curiosidade mórbida? Felizmente, ambos os filmes estão disponíveis em plataformas digitais! Supergirl pode ser assistido gratuitamente (com comerciais) na Pluto TV, além poder ser comprado ou alugado na Microsoft Store. Já Mulher-Gato está no catálogo do streaming HBO Max e do Now.

Aproveite e confira a nossa lista dos 10 piores filmes de heróis feitos entre 2000 e 2020:

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117