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Crítica: Resident Evil: No Escuro Absoluto, Temporada 1

Por Gabriel Mattos

Resident Evil: No Escuro Absoluto estreou nesta quinta-feira (8) na Netflix, trazendo a primeira temporada completa para os fãs já prepararem aquela maratona.

A série animada chega bem a tempo de comemorar o 25º aniversário da franquia, que recentemente emplacou o sucesso Resident Evil: Village nos consoles de nova geração. Mas será que temos uma adaptação digna desta ocasião? Para saber o que achamos da série, confira nossa crítica!

Ficha técnica:

Título: Resident Evil: No Escuro Absoluto (Resident Evil: Infinite Darkness)

 

Criação:  Hiroyuki Kobayashi

 

Direção: Eiichiro Hasumi

 

Ano: 2021

 

Data de lançamento: 8 de julho (Netflix Brasil)

 

Número de episódios: 4

 

Sinopse: Após ataques à Casa Branca, um agente do governo é enviado em uma investigação proibida que pode desenterrar segredos terríveis.

Uma série no escuro

Antagonistas fortes sofrem para suprir protagonismo vazio

O Resident Evil que conhecemos nos jogos vem sofrendo para encontrar seu tom no cinema. Seja nos filmes extravagantes de Milla Jovovich ou nos longas animados sem alma alguma, os cineastas falham em traduzir a essência da franquia — um clima de tensão com esparsos picos de terror. Resident Evil: No Escuro Absoluto, tenta ser uma expansão fiel dos jogos, mas não consegue construir uma experiência própria ou mesmo digna da franquia.

A trama coloca Leon Kennedy, um favorito dos fãs, em meio a uma conspiração envolvendo armas biológicas para desestabilizar a ordem mundial. Cabe a ele desvendar o verdadeiro culpado, enquanto protege os interesses dos Estados Unidos. Em teoria, a história é co-protagonizada por Claire Redfield, mas suas ações nunca chegam a impactar a trama.

Impacto resume bem o que falta no filme. Tentando misturar gêneros conflitantes, o roteiro sofre para se manter coerente, sem saber como entrelaçar seus elementos mais marcantes. O terror dos zumbis é esvaziado por uma ansiedade em entregar cenas de ação, que por sua vez, também quebram o ritmo do suspense do drama político.

A maldição dos games

Conspiração política é o ponto forte da trama

A tentativa de mergulhar nas nuances da política foi o melhor da série, incorporando conflitos modernos à mitologia do jogo. Há uma conspiração intrigante cuidadosamente sendo construída que, apesar de previsível, sabe aproveitar o passado de seus personagens originais para montar seu quebra-cabeça. Pena que as falas mal escritas dos personagens sufocam o potencial desta trama.

Neste ponto, fica evidente os riscos de se apegar demais ao material de origem. No Escuro Absoluto acaba se engessando ao depender demais da mitologia construída pelos jogos. Assim a série evita perder tempo construindo personagens ou estabelecendo seu universo, mas põe tudo a perder quando as atitudes dos personagens clássicos fogem de sua caracterização habitual devido a falas clichês.

O oposto pode ser observado nos antagonistas, que se mantêm claros e coesos a todo momento. Há uma lógica palpável por trás de suas ações, transmitida com exatidão mesmo com as atuações medianas do elenco original de dublagem. Outros aspectos da série se beneficiariam dessa construção mais completa e contida.

Nota

Apesar de enganar com um visual impecável e referências a eventos dos principais jogos da franquia, Resident Evil: No Escuro Absoluto não acerta na essência dos games. Precisamente essa insistência em tentar ser como os jogos impede a série de encontrar sua própria identidade, visto que os elementos originais são os que mais se destacam. Acaba sendo mais uma oportunidade perdida com interessantes referências para fãs de longa data.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse