Crítica: Jujutsu Kaisen, Temporada 1

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Crítica: Jujutsu Kaisen, Temporada 1

Por Márcio Jangarélli

Às vezes topamos com produtos da cultura pop, seja filme, série ou anime, que parecem curtos demais pelo tanto que você se diverte assistindo. Que colocam um sorriso no seu rosto, mesmo com uma história dramática. Que te deixam querendo mais – se são serializados, te fazem contar os dias e horas por um novo episódio. Esse é o caso de Jujutsu Kaisen.

Jujutsu Kaisen finalizou sua primeira temporada na última sexta (26). Assim, aqui estão as minhas impressões sobre o primeiro ano da animação, considerando também a obra original, as escolhas da produção na adaptação do mangá, aberturas, finalizações e extras.

O que é Jujutsu Kaisen?

Yuji é “segundo” protagonista de Jujutsu Kaisen, que lidera a serialização da aventura.

Jujutsu Kaisen é uma história original de Gege Akutami, que começou como uma minissérie de volume único em 2017 – hoje publicada como Jujutsu Kaisen Vol. 0, funcionando como prelúdio da aventura seguinte – e continuou como série a partir de 2018, contando com um novo protagonista. 

Hoje o mangá já possui 15 volumes e mais de 140 capítulos, sendo considerado um dos maiores lançamentos dos últimos anos. Atualmente, o título possui mais de 30 milhões de cópias em circulação mundialmente.

No final de 2019, um anime de Jujutsu Kaisen foi anunciado, produzido pelo estúdio Mappa e distribuído internacionalmente pela Crunchyroll. A primeira temporada da animação começou em Outubro de 2020, com transmissão simultânea no Brasil, legenda em português e, posteriormente, dublagem nacional. 

Com 24 episódios, o primeiro ano do anime foi encerrado em Março de 2021, depois de adaptar sete volumes e cerca de 63 capítulos do mangá.

Sexta-Feira ou Jujutsu-Feira?

É impossível resistir aos Seis Olhos de Satoru Gojo-sensei.

É engraçado como os clichês de anime conversam com o público, principalmente o brasileiro – que cresceu assistindo Dragon Ball, Naruto, Sailor Moon, ou qualquer título do catálogo imenso de animações japonesas que passaram em TV aberta, fechada, meios legais (ou nem tanto) por aqui. E depois de tanto tempo, ficamos um pouco céticos para começar uma aventura nova, sabendo que encontraremos muitas dessas cenas e situações já conhecidas recontadas.

Confesso que comecei Jujutsu Kaisen com um pé atrás. O traço desses personagens é diferente do convencional, a história possui vários clichês na sinopse e, convenhamos, com uma variedade tão grande de animes disponíveis no Brasil hoje, podemos ser mais seletivos, né? Mas nem precisei de muito tempo com o Yuji pra saber que essa era uma aventura especial.

Jujutsu tem um clima e velocidade diferentes desde o início e isso te deixa encucado. É um anime extremamente bem feito, uma joia no meio de muita animação duvidosa recente, daqueles que faz o olho brilhar. Você até pensa que isso é tudo, mas logo se dá conta que os personagens são carismáticos demais e aí… aí não tem mais volta.

O grande ás de Jujutsu nessa primeira temporada foi combinar um ritmo dinâmico para a história, com poucas pausas para você assentar suas ideias, com uma animação primorosa e os personagens fantásticos de Gege Akutami. É um anime charmoso, com um ar “cool, descolado, e toda essa mistura transformou as sextas de muita gente em “Jujutsu-feira”.

Os heróis de Jujutsu. Parece Naruto, mas não é bem assim.

A história em si é muito boa, mas ainda não recebeu o holofote principal. O brilho dessa primeira temporada está no carisma dos heróis, vilões e o quão diferentes eles são, mesmo que ainda trabalhem muitos clichês. Na verdade, a jogada foi exatamente se aprofundar nos clichês, fazer com que eles conversem com um público mais exigente e com uma nova era de animações e storytelling.

Um exemplo disso é o próprio Yuji, o protagonista, e a relação dele com o Sukuna, o rei das maldições de quem ele se torna hospedeiro. Muita gente comparou a situação com Naruto e Kurama – o caso clássico do protagonista que possui um poder vindo de uma criatura corrompida – mas não é bem assim. A narrativa segue por estradas muito mais obscuras e corajosas ao tratar desse tipo de clichê, transformando o Sukuna em algo mais diabólico do que estamos acostumados e dando ao Itadori dimensões mais humanas.

Aliás, o Yuji é um dos protagonistas mais “humanos” que eu já vi em shonens fantásticos. Existe, sim, aquela bravura indomável, mas ele questiona suas próprias ações e seus propósitos, demonstra medo de uma maneira visceral e desenvolve um senso muito mais “pé no chão” que outros heróis. Isso vale não só para ele, mas para os outros dois protagonistas, Megumi e Nobara, e até para o inabalável Satoru Gojo.

Existe um nível de tristeza, frustração e dúvida nos personagens de Jujutsu que dificilmente vemos em outros animes do gênero. Estes sentimentos são “humanos” demais para alguns heróis, mas é o que dá o charme nessa história. São emoções que criam vínculos fortes com quem assiste. Não é sobre superação, seguir em frente e tudo mais, mas entendimento, empatia, existencialismo

Parece um pouco depressivo demais falando assim – e até seria se não fossem o ritmo e o humor injetado no anime. O dinamismo de Jujutsu de adaptar três ou quatro capítulos do mangá por episódio, de cortar no lugar certo pra te deixar esperando pela próxima semana e, principalmente, de criar batalhas verdadeiramente épicas, te segura de cair no poço da depressão. Na verdade, você termina mais animado que nunca!

O humor de Jujutsu é de outro nível.

O humor do anime é bem injetado, bem feito. Seja dentro do episódio, com artifícios clássicos das animações japonesas, atualizados e bem colocados, seja nas esquetes geniais pós-encerramento, que te fazem rir e conhecer mais alguns personagens.

Vale notar também como Jujutsu trabalha suas personagens femininas de maneira exemplar. Não é todo dia que vemos heroínas em animação japonesa serem verdadeiramente badass e não penderem para um lado sexy ou frágil. Nobara e Maki recebem até um tratamento mais imponente e poderoso que boa parte do elenco masculino – e isso sem acabar sendo “masculinizadas” no processo. São personagens completas, algo que não podemos dizer de muita representação feminina famosa dos animes.

Mas e as batalhas? E a ação? Esse é um shonen de luta. Mesmo que muitos não tenham ficado satisfeitos com o trabalho do Mappa em Attack on Titan, aqui o estúdio resolveu mostrar toda sua capacidade e criou batalhas absurdas. Daquelas para fazer clipes com música do Linkin Park para o YouTube, sabe? A temporada toda de Jujutsu é um grande catálogo de como fazer anime com qualidade, brincando com tipos diferentes de animação, traço e textura para criar 24 episódios de pura arte.

Ah, não posso esquecer de falar sobre as openings e endings; Jujutsu trouxe aberturas e encerramentos mais que fantásticos nessa temporada! Você vai se pegar cantarolando essas músicas no meio do dia, sem saber o que são, e provavelmente não vai pular os clipes em nenhum episódio. Diria que o primeiro encerramento, ao som de Lost In Paradise da banda ALI, é um dos mais legais e marcantes que eu já vi em um anime, super estiloso e um contraste bruto com alguns momentos dramáticos de final de episódio.

Defeitos? Nada é perfeito e Jujutsu tem sim momentos um pouquinho arrastados ou confusos – algo que você também vai encontrar em outros títulos incríveis. O arco inicial da aventura, principalmente, é bem mais simples que todo o resto da temporada. No entanto, o que torna esses animes excepcionais é que a qualidade da obra completa te faz esquecer desses deslizes e é necessário algum esforço para se lembrar que eles existem.

Qual a nota de Jujutsu Kaisen?

Nota da temporada: 5/5

Jujutsu Kaisen é uma daquelas histórias especiais que aparecem de vez em quando. Que te deixam feliz assistindo, que te fazem pedir mais, buscar mais. Você consegue sentir que foi algo produzido com o máximo de esforço e carinho, como se o estúdio também estivesse entre a legião de fãs do anime.

Assim fica difícil não dar nota máxima. Portanto, a primeira temporada de Jujutsu Kaisen leva 5 estrelas da Legião! Já estou contando os dias para o retorno das Jujutsu-feira e para o filme do Vol. 0, anunciado para 2022.

E você, é fã de Jujutsu ou ainda não se rendeu à palavra? Não esqueça de comentar!

A primeira temporada completa de Jujutsu Kaisen está disponível com legendas em português e dublagem nacional lá na Crunchyroll.

Veja agora nossa lista sobre o anime:

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.