Crítica: Eternos é um dos melhores blockbusters do ano e eleva cinema da Marvel a outro nível

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Crítica: Eternos é um dos melhores blockbusters do ano e eleva cinema da Marvel a outro nível

Por Evandro Lira

O mais novo filme do Universo Cinematográfico da Marvel, Eternos, está prestes a chegar às salas de cinema. Com direção de Chloé Zhao, o longa tem um elenco estelar, que inclui Gemma Chan, Richard Madden, Kit Harington, Salma Hayek e Angelina Jolie.

O filme é 26º longa da franquia da Marvel Studios e é baseado nos quadrinhos de mesmo nome, criado por uma das lendas da Marvel Comics, Jack Kirby.

A Legião dos Heróis já assistiu a Eternos, que estreia no dia 4 de novembro, e você pode conferir nossa crítica rolando a página para baixo!

Ficha Técnica

Título: Eternos (Eternals)

 

Direção: Chloé Zhao

 

Roteiro: Chloé Zhao, Patrick Burleigh, Ryan Firpo e Kaz Firpo.

 

Data de lançamento: 4 de novembro de 2021

 

País de origem: Estados Unidos

 

Duração: 2h 36 min

 

Sinopse: Originários dos primeiros seres a terem habitado a Terra, Os Eternos fazem parte de uma raça modificada geneticamente pelos deuses espaciais conhecidos como Celestiais. Dotados de características como imortalidade e manipulação de energia cósmica, eles são frutos de experiências fracassadas de seus próprios criadores, que também foram responsáveis por gerar os Deviantes, seus principais inimigos.

Eternos possui um desafio realmente áspero, tanto como um filme de origem tanto como parte desse todo chamado Universo Cinematográfico da Marvel. Afinal, o longa precisa apresentar e desenvolver nada menos que doze personagens importantes de maneira orgânica, adicionar a esse mundo toda uma mitologia acerca de novas raças superpoderosas e justificar o que levou esses heróis a desviarem dos conflitos da Saga do Infinito, incluindo a aniquilação de metade do universo por Thanos. Felizmente, Eternos se sai bem em todas as suas ambições.

Milhares de anos antes de Steve Rogers tomar o soro do Supersoldado ou de Carol Danvers adotar o espaço como sua morada, seres imortais foram enviados à Terra para proteger os humanos dos Deviantes, figuras bestiais que devoram qualquer um que cruze seu caminho. Chamados de Eternos, esses heróis respondem a Arishem (voz de David Kaye), um Celestial que se comunica com eles através de uma esfera de ouro guardada dentro de Ajak (Salma Hayek), a líder do grupo. Passado algum tempo vivendo entre os humanos e tendo destruído todos os Deviantes, os Eternos estão enfim livres para viverem suas próprias vidas.

Pula para o presente, o Blip trouxe de volta metade da humanidade que desaparecera cinco anos atrás, e Sersi (Gemma Chan) vive uma vida normal em Londres, acompanhada pela amiga de longa data Duende (Lia McHugh), e seu namorando humano Dane Whitman (Kit Harington). Quando o ressurgimento de um Deviante traz de volta Ikaris (Richard Madden), os ex-protetores dos humanos percebem que algo saiu do controle deles tantos séculos depois.

Lauren Ridloff como Makkari, Ma Dong-seok como Gilgamesh, Angelina Jolie como Thena, Richard Madden como Ikaris, Salma Hayek como Ajak, Gemma Chan como Sersi, Lia McHugh como Duende e Brian Tyree Henry como Phastos

Lauren Ridloff como Makkari, Ma Dong-seok como Gilgamesh, Angelina Jolie como Thena, Richard Madden como Ikaris, Salma Hayek como Ajak, Gemma Chan como Sersi, Lia McHugh como Duende e Brian Tyree Henry como Phastos

A jornada de Sersi a fim de reunir todos os Eternos, espalhados em partes diferentes do mundo, roga por introduções e exposições inevitáveis, mas são poucas as cenas que soam forçadas já que o trabalho dos roteiristas Patrick Burleigh, Ryan Firpo, Kaz Firpo e Chloé Zhao é realmente cuidadoso, sempre sabendo o momento certo de trazer novas informações, tomando ainda o cuidado de não confundir o público. Como um bom filme de equipe onde todos os membros do grupo nunca foram introduzidos antes, a obra não se apressa para desenvolver cada um deles. Seus poderes, personalidades, jornadas pessoais e relação uns com os outros são conduzidas de modo natural, com o roteiro fazendo bom uso da mudança na temporalidade, costurando momentos chaves dos heróis na Terra.

São poucos filmes de super-heróis que abrem margem para a reflexão acerca de questões importantes, e Eternos é bastante feliz nesse tópico, pois coloca seus personagens de frente para um problema que vai além de “Por que os Eternos não pararam Thanos?”, pergunta essa que assombra os fãs do MCU faz tempo. Ao invés disso, vemos os heróis precisando ajudar no desenvolvimento humano enquanto ignoram todos os grandes conflitos da humanidade. As consequências disso não passam em branco no filme.

Eternos aborda a maneira como os personagens lidam com sua culpa e responsabilidade. Sersi recebe uma incumbência que nem ela mesma sabe se merece; Ikaris luta contra as expectativas que criaram de si; Druig (Barry Keoghan), que tem o poder de controlar os humanos, enfrenta o fato de que não deve interferir em conflitos; Phastos (Bryan Tyree Henry) ajuda a humanidade com seu poder de desenvolver tecnologia, mas sofre com as consequências desta evolução; enquanto Thena (Angelina Jolie) é uma guerreira tão poderosa que teme por aqueles que ama em perigo. Tudo isso é observado diante das lentes cheias de sensibilidades de Chloé Zhao, cujos filmes anteriores (Domando o Destino e Nomadland) já sugeriam o que encontraríamos neste seu ensaio sobre heróis da Marvel.

Ikaris e Sersi em Eternos da Marvel

Ikaris e Sersi têm uma história mal resolvida de alguns séculos

O visual esplêndido e banhado ao pôr-do-sol, é claro, também está lá. E ainda que o filme não tenha a mesma pegada documental que o trabalho Oscarizado de Zhao, o CGI não é capaz de tornar artificial quase nenhuma cena. Pelo contrário, as sequências de ação e as demonstrações de poderes dos Eternos são algumas das mais incríveis de se conferir na tela grande.

Tanto os atores quanto seus personagens são muito representativos em tela. Eternos faz questão de não apenas trazer tipos de corpos diferentes para abrilhantar sua história, como retrata homens gays, uma heroína surda e uma mulher com uma espécie de doença mental, de forma que tudo é incorporado como parte essencial dessa narrativa. Isso é somado à um elenco talentoso – com destaque para Gemma Chan e sua Sersi meditativa; Lia McHugh, que se prova uma grande revelação na pele da Eterna que nunca envelhece; e Bryan Tyree Henry como um homem decidido a nunca deixar de ser quem é, mesmo que desafie algumas crenças.

Mesmo que as diferenças entre Eternos e os 25 filmes anteriores do MCU estejam evidentes, não dá para negar que, para o bem e para o mal, há alguns vícios típicos da franquia presentes aqui. Talvez o mais desgastante deles seja a presença de um personagem cômico vivido por Harish Patel, que se no início te arranca umas boas risadas, rapidamente se percebe o erro de cálculo da quantidade de vezes em que ele precisa ser engraçado.

Na medida que caminha para o final, Eternos subverte algumas expectativas e muda algumas dinâmicas que em pouco tempo o público já havia se acostumado. Seu clímax e resolução dramática nos atinge mais que a maioria dos filmes da Marvel, pois nos vemos preocupados muito mais com aqueles personagens e suas relações enquanto grupo do que com o futuro da Terra.

Apresentando um enredo complexo, grandes personagens e um escopo monumental, Eternos se destaca com louvor dentro da extensa filmografia da Marvel Studios. Trata-se de uma obra realmente humana em meio a um mar de heróis e alienígenas. Funciona perfeitamente sozinho, indo o mais longe possível das paredes que ostentam o MCU, ainda que ofereça o frescor que a franquia ocasionalmente necessita. Quando o filme se encerra, aguardamos ansiosos para descobrir que futuro os Eternos nos reservam.

Nota de Eternos

Nota: 4,5/5

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira