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Bridgerton: Ordem de leitura dos livros e principais mudanças feitas na série

Por Melissa de Viveiros

Bridgerton foi lançada no final do ano passado, e se tornou uma dos grandes sucessos da Netflix. Produzida por Shonda Rhimes, a série rapidamente caiu no gosto do público, alcançando mais de 63 milhões de espectadores em um mês. A trama é adaptada de Os Bridgertons, uma série de livros escritos por Julia Quinn, que conta a história da família em nove livros: um volume é dedicado a cada um dos oito irmãos, sendo o nono um epílogo para todos.

Como esperado para tamanho sucesso, a renovação para uma segunda temporada veio depressa, e há rumores de que a produção começará ainda em março desse ano. Mas a espera até o lançamento da temporada não precisa ser difícil: há material o suficiente para conhecer a família Bridgerton mais a fundo, e estar mais que preparado para o que vem por aí na próxima temporada.

Neste guia, você que ficou com um gostinho de quero mais depois da primeira temporada poderá saber sobre as diferenças entre o livro e a série, e tudo mais que precisa para acompanhar os dramas dos Bridgerton também em sua versão literária.

Ordem de leitura

 

O Duque e Eu

O primeiro livro da série de Julia Quinn é O Duque e Eu, que conta a história de Daphne, a quarta Bridgerton e mais velha das filhas. É este o livro adaptado na primeira temporada da série, que acompanha Daphne durante a temporada, período de eventos no qual as jovens damas da alta sociedade tentavam conseguir um casamento. Na história, Daphne faz um acordo com Simon, o duque de Hastings, no qual ele fingiria a cortejar, com o objetivo de atrair pretendentes para Daphne e permitir que Simon se livrasse das perseguições das mães que queriam que ele casasse com suas filhas.  O plano, no entanto, começa a falhar quando Daphne e Simon desenvolvem sentimentos reais um pelo outro.

Em sua base, a trama de O duque e eu é a mesma da série, e é possível reconhecer diversas cenas que vemos na adaptação da Netflix ao ler o livro. Ainda assim, existem diferenças entre os dois — mas voltaremos a elas depois.

O Visconde que me Amava

O segundo livro tem foco em Anthony Bridgerton, o irmão mais velho da família. Em seu anúncio da segunda temporada, a Netflix insinua que a série seguirá o mesmo padrão, uma vez que a carta de Lady Whistledown, que foi publicada confirmando a renovação, afirma que “Lord Anthony Bridgerton planeja dominar a nova temporada social.” Já se especulava que isso ocorreria, não só pelo protagonismo de Anthony no segundo livro, como também pelo final do personagem na primeira temporada, determinado a assumir suas responsabilidades completamente e se recusando a ter um relacionamento em que amor esteja envolvido.

Na trama do segundo livro, Anthony resolve dar um basta a sua vida de libertino e arranjar uma noiva, como é esperado dele. Anthony logo decide cortejar Edwina Sheffield, uma das debutantes da estação. Mas, para se casar com ela, ele terá que conseguir a aprovação de Kate, sua irmã mais velha — e Kate Sheffield não acredita que ex-libertinos possam se tornar bons maridos.

Um Perfeito Cavalheiro

Um Perfeito Cavalheiro, livro três de Os Bridgertons, acompanha a história de Benedict, o segundo irmão mais velho da família. Em uma releitura de Cinderela, Benedict conhece Sophie, a filha ilegítima de um conde, em um baile de máscaras que a jovem tem que deixar às pressas à meia noite. Como no conto de fadas, Benedict procura pela mulher misteriosa que o cativara, mas não obtém sucesso. Alguns anos se passam antes que os dois se encontrem novamente, tempo no qual ambos seguem caminhos bastante diferentes.

Os Segredos de Colin Bridgerton

Como fica evidente pelo próprio título, Os Segredos de Colin Bridgerton, o quarto livro da saga, tem Colin como parte de seu casal de protagonistas. Outra personagem já conhecida para aqueles que assistiram a série tem um grande papel na história:  Penelope Featherington. A dama reencontra seu amor platônico após uma das longas viagens de Colin ao exterior, e descobrindo grandes segredos um sobre o outro.

Para Sir Phillip, com Amor

Em Para Sir Phillip, com Amor, a protagonista é Eloise Bridgerton, a extrovertida segunda filha da família. O título do livro sugere o papel central que cartas tem na história, na qual Eloise começa a se corresponder com Sir Phillip, o viúvo de uma prima distante. Através das cartas, os dois se tornam mais próximos, até que decidem se conhecer pessoalmente — mas, quando isso acontece, eles percebem que ao vivo não são bem como imaginaram.

O Conde Enfeitiçado

Na série, ainda não pudemos ver muito de Francesca Bridgerton, protagonista do sexto livro de Os Bridgertons. A história acompanha Michael Stirling, um homem que colecionava conquistas amorosas mas nunca entregou seu coração. Ao conhecer Francesca, no entanto, tudo muda para ele. Michael sabe que conheceu a mulher dos seus sonhos, mas existe um porém: em 36 horas ela se tornaria esposa do primo dele.

Um Beijo Inesquecível

O sétimo livro é protagonizado por Hyacinth Bridgerton, a mais nova das irmãs da família. Tendo estabelecido sua reputação na alta sociedade como uma mulher única, cruelmente inteligente e inesperadamente franca, Hyacinth chega a sua quarta temporada sem se impressionar com nenhum de seus pretendentes. Em Um Beijo Inesquecível, ela encontra um desafio à altura em Gareth St. Clair, neto de Lady Dunbury, e os dois acabam passando mais e mais tempo juntos enquanto tentam desvendar os mistérios de um diário em italiano da outra avó dele.

A Caminho do Altar

O oitavo livro trata do último irmão Bridgerton que falta, Gregory. Tendo crescido em uma família com tantos casais apaixonados, Gregory sempre acreditou no amor. Sabia que reconheceria a mulher perfeita assim que a visse, e quando conhece Hermione Watson, tem certeza que ela é essa mulher. A moça, no entanto, está apaixonada por outro, um homem que sua amiga Lucinda Abernathy considera um péssimo partido. Assim, Gregory e Lucinda unem forças para que o romântico Bridgerton possa conquistá-la — mas nem tudo acontece como eles planejavam em A Caminho do Altar.

E Viveram Felizes para Sempre

Diferente dos outros oito livros, E viveram felizes para sempre não trata de um membro específico da família Bridgerton. Ao invés disso, o livro oferece epílogos extras para cada um dos irmãos, contando um pouco mais sobre suas vidas após os eventos dos livros anteriores, além de adicionar um drama inesperado, e um conto focado na matriarca da família, Violet Bridgerton.

Lady Whistledown Contra-Ataca

Esse livro não é parte da história da família Bridgerton, e sim uma antologia com quatro contos escritos por autoras diferentes, mas unidos por uma mesma trama, nos quais Lady Whistledown é uma personagem convidada. Além da própria Julia Quinn, o livro conta com as autoras Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch, todas também famosas por escreverem romances de época.

Nada escapa a Lady Whistledown

Esse é outro livro escrito pelas quatro autoras, com narrativas interligadas que contam com a presença de Lady Whistledown. Apesar de tratar dos acontecimentos da temporada na Londres regencial, o livro não acompanha a família Bridgerton.

Diferenças entre o livro e a série

Os Bridgertons

Como mencionado anteriormente, ainda que a premissa da primeira temporada seja muito similar à do primeiro livro, existem diferenças entre o material original e a adaptação. Apesar disso, a série não se desvia de sua base de maneira extrema, e mesmo quando ocorrem mudanças, é perceptível que tiveram sua origem nos livros de Julia Quinn, e em nada prejudicam a obra da autora.

O showrunner Chris Van Dusen afirmou que diferenças eram inevitáveis, e que sua intenção era fazer com que a obra atingisse e conversasse com um público moderno, apesar de ser ambientada no período regencial. Ainda assim, Van Dusen tinha confiança de que tudo que os fãs desejavam ver em tela estaria na série, algo que executou muito bem.

A própria Julia Quinn defendeu que a adaptação não deveria ser idêntica ao que havia escrito, e se mostrou contente que os personagens mantêm suas personalidades na série, e o pano de fundo continua sendo o mesmo. Até em relação às mudanças, Quinn se mostrou muito favorável, chegando a afirmar que a adaptação foi feita de maneira perfeita.

Alguns pontos centrais da versão da Netflix são diferentes de como a trama é estruturada nos livros, no entanto. Existem personagens na série que não estão nos livros, assim como cenas que foram adicionadas ou que tem algumas diferenças em relação ao que acontece, ainda que a base da qual foram adaptadas seja óbvia.

Personagens

A corte da Rainha

Sienna Rosso

Uma das primeiras personagens a aparecer na série que não vemos nos livros é Sienna Rosso. Na série, Anthony tem um caso com a cantora de ópera, com quem termina e reata múltiplas vezes. Embora não tenha o nome Sienna, e seu papel na primeira temporada não esteja diretamente presente nos livros, a personagem parece ser uma adaptação de outra, presente em O Visconde que me Amava. Na história, há uma cantora de ópera chamada Maria Rosso, com a qual Anthony já teve um caso, e que ele considera tornar sua amante. Ao contrário de Sienna, Maria e Anthony não parecem ter sentimentos reais ou complexos um pelo outro, uma vez que a personagem tem um papel pequeno, e só aparece por algumas páginas.

Rainha Charlotte

A Rainha Charlotte, não existem nos livros, nem em uma outra versão que pode servir de inspiração. A rainha, no entanto, é baseada em uma pessoa real, tendo governado a Inglaterra ao lado do rei George III. A intenção do showrunner ao incluir a rainha era misturar a história e a ficção, uma vez que a ambientação dos livros permitia que isso ocorresse. A autora Julia Quinn aprovou a mudança, chegando até a dizer que fica “indo e voltando em relação a querer ter incluído a rainha nos livros e estar feliz de não ter feito isso”, afirmando que não sabe se teria feito um trabalho tão bom quanto a série.

Outros personagens

A adição de outros personagens pode estar relacionada à necessidade da série de estabelecer núcleos além dos protagonistas, uma vez que nos livros cada Bridgerton tem maior importância apenas no livro que protagoniza, e muitos personagens secundários não são de fato importantes. Pode ser o motivo pelo qual Granville, o artista do qual Benedict fica amigo tenha sido incluído. A costureira Genevieve Delacroix também não está no material original, e sua relação com o segundo irmão Bridgerton, portanto, existe apenas na série. Além disso, o drama da família Featherington devido às dívidas de Lord Featherington também é uma adição nova, já que em O Duque e Eu é mencionado que ele já havia morrido. Por fim, o Príncipe Friedrich também é uma novidade da série. Já os outros pretendentes de Daphne nunca são realmente relevantes nos livros.

A trama

Daphne e Simon

Quando a primeira temporada é comparada ao livro O Duque e Eu, é possível notar certas diferenças entre os dois. A série sem dúvida faz um bom trabalho como adaptação, e diversas cenas procuram recriar o material original de modo a adaptá-lo para outro formato, mas sem cortar nada que seja importante para a história, ou adicionar um conteúdo que a prejudique.

A primeira mudança que chama a atenção tem a ver com Daphne. No livro, esta não é a primeira temporada da Bridgerton mais velha, e ela não é, na verdade, considerada especial. Na história, Daphne está tendo problemas porque, além de seus irmãos serem um tanto intimidadores, todos os possíveis pretendentes a veem somente como uma amiga.

Também existem mudanças em relação a como Daphne e Simon se conheceram. Enquanto nos livros eles se esbarram no baile de Lady Dunbury, fazendo com que o duque acredite que ela é mais uma jovem o perseguindo em busca de um possível noivo, nos livros a cena em que Daphne dá um soco no inconveniente Nigel Berbrooke é também quando ela e Simon se encontram pela primeira vez.

Berbrooke também tem um papel maior na primeira temporada: nos livros, após Daphne o rejeitar, ele não continua a perseguindo. Além disso, Anthony já havia permitido que a irmã recusasse o pedido de Berbrooke, mesmo antes de Daphne precisar socá-lo.

Há outras mudanças em relação a Anthony, sendo uma das mais notáveis o fato de que no material original ele sabia do plano de Daphne e Simon. Nos livros, ele não é tão superprotetor quanto na série, assumindo um papel de defensor em relação à irmã, mas tentando apenas manter os pretendentes indesejados à distância. Anthony chega até a concordar com o plano, com três condições: que permanecesse segredo, que eles nunca estivessem sozinhos, e que se Simon sequer beijasse a mão dela sem um acompanhante, Anthony o mataria. É claro que, conforme Daphne e Simon se encontram cada vez mais apaixonados, a terceira regra acaba sendo quebrada. Assim como na série, ao ver sua irmã ser desonrada, Anthony desafia Simon para um duelo.

Marina Thompson também é consideravelmente diferente de sua contraparte literária. Nos livros, Marina só é mencionada brevemente no quinto livro, Para Sir Phillip, com amor, que é o livro protagonizado por Eloise. O prólogo conta a história da personagem, que havia se casado com Phillip Crane após o irmão mais velho de Phillip, com quem Marina iria se casar, morrer na guerra. A personagem, depressiva, tenta se suicidar se jogando num lago durante o inverno. Embora Phillip consiga salvá-la de se afogar, Marina ainda assim adoece e morre, deixando o marido e dois filhos.

A história de Marina é bem diferente nos livros

No livro, Marina era uma prima distante dos Bridgerton, enquanto na série seu parentesco é com a família Featherington. É aí que entra Eloise, que manda uma carta de condolências ao viúvo de sua prima, e passa a se corresponder com ele depois disso. Não é possível saber, por enquanto, se a série pretende manter a história de Eloise como nos livros. Mas, caso isso aconteça, pode ser que Phillip Crane retorne à série com um papel de mais destaque no futuro.

A história de Marina, embora um pouco diferente, não parece ter sido tão alterada quanto apenas expandida. Na série, a personagem termina se casando com Phillip Crane, o irmão de George, que Marina amava e de quem engravidou. Assim como contado em Para Sir Phillip, com amor, a morte de George na guerra é o que resulta em Marina casando com seu irmão. Apesar de não ter tido sua reputação arruinada, a situação não deixa de ser difícil, e na última cena de Marina, ela parece bastante descontente.

Por fim, outra grande diferença entre a série e os livros está na polêmica cena de Daphne e Simon no episódio 6. Daphne se sente traída ao descobrir que Simon podia sim ter filhos, mas havia escolhido não ter, uma vez que isso não foi o que ele disse a ela antes de se casarem. Ressentida, Daphne tenta garantir à força que terá sua chance de ter filhos. A cena causou uma grande discussão sobre consentimento e estupro, e sua versão nos livros é ainda mais desconfortável do que o mostrado pela série.

Nos livros, após a briga dos dois, Simon sai de casa e retorna embriagado, acabando por cair no sono. A cena de sexo ocorre quando ele ainda está sonolento e embriagado, e em alguns trechos, a própria Daphne nota que estava no controle:

Ele se remexeu, agitado, e Daphne sentiu uma estranha e inebriante onda de poder. Percebeu que o tinha sob seu controle. Ele dormia e talvez ainda estivesse bêbado. Ela poderia fazer o que quisesse.

Poderia ter o que quisesse.

Quinn, Julia. O duque e eu (p. 254)

Embora a série tenha mudado o contexto da cena, garantindo que Simon não estivesse na situação vulnerável em que está nos livros quando os dois ficam juntos, ainda assim Daphne também age contra sua vontade, completamente consciente disso. A série também dá mais peso às consequências disso, uma vez que nos livros Simon a perdoa, afirmando que o motivo para se afastar de Daphne não tinha sido esse, e sim suas inseguranças em relação à gagueira.

Existem, é claro, outras mudanças menores. Eloise mal é mencionada no primeiro livro, assim como Penélope. Colin retorna de sua viagem ao exterior devido à falta de dinheiro, fato que não é mencionado na adaptação da Netflix. Há mais interações entre a família Bridgerton, e menos com o restante dos nobres. Mas, em relação a essas mudanças, é fácil perceber que se trata do processo de adaptação a um formato diferente, e enquanto certos elementos funcionam na literatura, não funcionariam em uma série.

E ai, animados para a segunda temporada da série?

Abaixo, você pode conferir algumas curiosidades sobre a série:

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sobre o autor Melissa de Viveiros

Graduanda em Letras na UFMG. || What is infinite? The universe and the greed of men. || @windrunning_