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[Crítica] Doom Eternal é a valsa do mais puro Heavy Metal

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Por Lucas Rafael

Aí pelas tantas, há um chefe complicado em Doom Eternal. Ele é imune às suas armas mais potentes e carrega um escudo impenetrável. Se você se afastar muito dele, projéteis letais serão desferidos em sua direção. Se você se aproximar demais, ele usa uma escopeta devastadora. A solução é sempre buscar manter uma distância média, forçando-o a usar um ataque no qual abaixa o escudo e abre uma janela para que você desfira dano. O tempo todo o combate lembra uma dança da morte, ainda mais com a trilha-sonora estrondosa de Mick Gordon ao fundo, preenchida por sintetizadores nervosos e guitarras alucinadas. 

Se você ficar sem munição em Doom Eternal (o que vai acontecer com uma frequência muito maior do que ocorria em Doom 2016), as opções são correr pelo mapa em busca delas, ou serrar um inimigo ao meio. Sempre que você serrar um demônio, uma chuva de munição abençoará seu personagem, que pode voltar à ação sentando o dedo no gatilho. Você vai perder muita munição nesta luta contra chefe em específico, e é por isso que minions infernais surgem aqui e ali pela arena para que você possa serrá-los carinhosamente na metade e obter balas para suas armas.

Tudo isso contribui para um cenário caótico: você vai precisar se afastar do chefe para estocar munições, plenamente ciente dos projéteis que ele lança contra você quando a distância se abre (ele também conjura lobos espectrais). 

O resultado (principalmente nas dificuldades mais elevadas) é adrenalina pura. Doom Eternal consiste majoritariamente de encontros com inimigos em arenas abertas. Ficar parado aqui é pedir para morrer. Você precisa correr enquanto atira, serrando inimigos, finalizando-os brutalmente, usando suas armas estrategicamente para despachar os demônios mais fortes com maior rapidez. 

 

Enquanto você pula, explode, incendeia e retalha coisas, há a supracitada trilha-sonora de Mick Gordon ao fundo, te incentivando a pular mais, explodir mais, incendiar mais. Nenhum jogo de tiro em primeira pessoa no mercado conjura a adrenalina intensa que Doom Eternal é capaz de conjurar. Você nunca sentiu exatamente isso jogando algo.

Olha, o que eu quero dizer é que estamos no final da geração atual de consoles e games. O prenúncio do PS5 e do Xbox Series X paira no horizonte, cada dia mais próximo. E mesmo aos 40 minutos do segundo-tempo, Doom Eternal é lançado e se consagra como uma das melhores experiências da geração atual.  

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A jogabilidade é rápida e responsiva. Os inimigos são brutais. As fases são variadas em cenários e obstáculos. Mais importante: há segredos espalhados por elas, e Doom Eternal incentiva essa exploração com bonecos colecionáveis, discos de vinil com músicas arrebatadoras, upgrades, e páginas infernais com informações que aprofundam a mitologia do game. Você quer explorar esses níveis, já que eles são divertidos de se atravessar.

De vez em quando você descobre a maneira correta de acessar uma sala-secreta que abarca um upgrade ao seu personagem. Seu cérebro estala num “ahá!” reconfortante quando isso acontece. 

Doom Eternal, no modo campanha, é dividido entre exploração, sessões de plataforma e combates absurdos – o que torna toda a experiência bem variada. Quando você não está dilacerando demônios ao ritmo contagiante do mais puro heavy metal industrial, você estará realizando acrobacias, socando paredes e se esgueirando por dutos de ventilação em busca de módulos para suas armas, vidas-extras e habilidades reforçadas para o seu protagonista, o famoso Doom Slayer.

Há customização aqui: você escolhe os power-ups que mais convém ao seu estilo de jogo e melhora as armas com as  quais possui maior afinidade primeiro. Doom Eternal te dá uma vasta gama de possibilidades para destruir as hordas infernais, o que é maravilhoso. Há um lança-chamas no botão triângulo, uma granada congelante no R1, sem falar em suas armas, a motosserra e o seu soco – que caso esteja carregado, transforma o inimigo numa massa de tomate e libera uma onda que afeta até os demônios atrás dele. 

Digamos que, se você fosse um demônio, o Doom Slayer seria a última pessoa na galáxia que você gostaria de encontrar. 

 

 

Agora, alie tudo isso a uma direção de arte primorosa. Doom Eternal comporta cenários variados em suas fases. Há o vermelho incandescente das paragens infernais, os corredores escuros com luzes erráticas e instalações científicas com hologramas e telas digitais – todos compondo uma estética já manjada pelos fãs da franquia. Mas há também montanhas, castelos decrépitos e cidades anciãs em ruínas. Tudo aqui é muito belo, seja um prédio destruído estampado por um pentagrama flamejante rodeado de tentáculos gigantescos até os pinheiros e torres do planeta Exultia, que lembram alguma floresta pagã inglesa. Doom Eternal é lindo, e dá gosto de avançar pelas fases e cenários. 

Minhas reclamações aqui são mínimas. De vez em quando um holograma engraçadinho aparece para fazer piadas, e eu acho que essa coisa de inteligência-artificial irônica anda meio batida em tempos pós-Glados e Claptrap. Outra picuinha menor que eu tenho com o game é a destrutividade do cenário: eu tombo demônios gigantes melhorados com partes cibernéticas degolando-os com a lâmina de meu traje, mas um tiro de doze num candelabro frágil não surte efeito algum. Esse parágrafo aqui são coisas pequeníssimas que melhorariam minha experiência com Doom Eternal, só pra dizer que eu tenho algo de ruim pra falar do jogo. 

 

 

Doom Eternal é melhor que Doom 2016. Sua campanha é insanamente divertida. O pico de adrenalina proporcionado pelos combates é ímpar: você nunca experimentou uma sensação igual em outro game. O equivalente cinematográfico que eu consigo conjurar aqui são as cenas mais malucas de Mad Max: Estrada da Fúria condensadas em formato de videogame. 

A história é um presente aos fãs de longa-data da franquia, reconhecendo eventos dos primeiros games e até de Doom 3

Doom Eternal é uma maravilha, um jogo onde seus conceitos dialogam tão bem um com o outro que dá gosto de jogar. Aqui, ao dominar a jogabilidade, você se torna um raio de caos que se move num elã destrutivo irrefreável. Seus batimentos cardíacos aumentam e há êxtase constante em eliminar áreas populadas por demônios com as ferramentas à sua disposição. 

Há um hub no jogo também, sua nave, cheia de segredos que podem ser desbloqueados com itens escondidos nas fases. Doom Eternal traz bastante coisa – até um modo multiplayer que eu não consegui testar direito devido à uma instabilidade nas conexões. Então, se o multiplayer é um fator importante para você na compra, teje avisado que a coisa anda meio bamba das pernas – pelo menos enquanto essa review é escrita. 

Mas nossa, como a campanha, com suas incríveis fases imbuídas de exploração recompensadora e combates alucinados já vale o investimento. Cada arena de combate aqui é uma dança destrutiva de purificação às hordas impuras do inferno.

Doom Eternal é a sanguinolenta valsa do mais puro heavy metal

A nota final para Doom Eternal são quatro pentagramas e meio de cinco – meio pentagrama descontado pelos soluços do modo multiplayer.

Ficha Técnica:

 

Desenvolvedora: ID Software

 

Publicadora: Bethesda Softworks

 

Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC

 

Lançamento: 20 de março de 2020

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sobre o autor Lucas Rafael

Entusiasta de coisas demais