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Watchmen: 1×07 – Uma marionete que consegue ver suas próprias cordas!

- – Há vida em Marte?

Por Gus Fiaux → Mais uma semana, mais um episódio de Watchmen. E agora que a série está entrando em sua reta final, com apenas mais dois episódios restantes, finalmente estamos conseguindo mais respostas do que perguntas. Ainda assim, nada poderia nos preparar para as revelações de “An Almost Religious Awe”, o sétimo episódio da primeira temporada.

O episódio segue exatamente de onde o anterior parou, com Angela Abar/Irmã Noite aos cuidados de Lady Trieu, enquanto Laurie Blake e o resto do departamento de polícia de Tulsa tenta dar continuidade às investigações a respeito das atividades promovidas pela Sétima Kavalaria.

Porém, no meio do caminho, somos convidados a ver um pouco da infância de Angela, e como ela se tornou uma órfã no Vietnã, até ter sido encontrada e resgatada por sua avó. No presente, essas influências nos ajudam a entender um pouco mais sobre quem é Angela – bem como por que ela escolheu o nome heroico de Irmã Noite para agir como vigilante.

Claro que ainda temos uma sequência inteira para o Ozymandias – afinal, ele precisava passar por um julgamento após seus “crimes”, enquanto Jeremy Irons parece estar definitivamente se divertindo no papel. Mas o destaque desse episódio vai para o Doutor Manhattan, já que finalmente descobrimos os detalhes de seu paradeiro.

É revelado ao final do episódio que, ao contrário do que muitos imaginavam, o herói divino está na Terra, disfarçado como um ser humano e tentando viver uma vida normal. No entanto, o choque vem quando descobrimos qual humano ele é: Cal Abar, o marido de Angela, que até então não tinha uma participação muito ativa no desenrolar da história.

Essa revelação é pontuada por outro segredo surpreendente: Angela sabia de tudo isso, e estava pronta para apertar um “reset” em seu marido quando a hora chegasse – e ela faz isso do modo mais brutal possível: martelando-o repetidas vezes em sua cabeça.

Claro que isso também veio acompanhado da revelação do verdadeiro plano da Sétima Kavalaria: os supremacistas que realmente acreditam que “as pessoas brancas sofrem na América” estão tentando organizar um plano para matar Manhattan – e, ao mesmo tempo, se transformarem em criaturas parecidas com ele, super-poderosas e semi-onipotentes.

Todas essas revelações mudam completamente nossa percepção do universo da série, e jogam muitas teorias pela descarga. Se o Doutor Manhattan estava entre nós esse tempo todo, onde está Adrian Veidt? Qual é seu papel em toda a narrativa?

Mais surpreendente é o papel de Lady Trieu nisso tudo, já que seu envolvimento ainda permanece sendo a maior incógnita da trama. Há quem acredite que ela possa ser filha do Manhattan ou até mesmo do Comediante, o que garante uma história ainda mais pessoal para a personagem, que certamente é mais do que aparenta ser.

Esse definitivamente foi um episódio de muitas reviravoltas e surpresas, mas que ainda carrega a marca registrada de Watchmen – que é: puxar as cortinas apenas o necessário, para que os fãs tenham mais uma peça do quebra-cabeça e tentem resolvê-lo sozinhos, até que mais peças sejam entregues.

O resultado disso é que a série nunca fica cansativa ou menos intrigante. Estamos morrendo para saber aonde essa história vai nos levar, e quais impactos ela terá sobre a história original de Alan Moore e Dave Gibbons.

Esteticamente, o episódio conta com uma direção impecável. Se a fotografia e os efeitos digitais continuam sendo irretocáveis, o destaque nesse episódio recai sobre a direção de arte, especialmente nas cenas que acontece no interior da mansão de Trieu ou no julgamento do Ozymandias.

Além disso, a parte sonora é cheia de pequenas pistas e easter-eggs escondidos bem embaixo de nossos narizes. Por exemplo, toda a sequência final é embalada ao som do toque de Life on Mars, do David Bowie – e isso não é apenas uma referência à vida que Manhattan teve no planeta vermelho.

Ainda nos restam dois episódios. Isso significa que muitas coisas podem acontecer até lá – ainda mais com a ideia de que o próximo episódio vai contar um pouco de como Manhattan conheceu Angela. No entanto, tudo está se desenvolvendo de um modo muito peculiar.

Quanto a Angela, só agora entendemos seu verdadeiro papel aqui. Embora ela tenha sido pega de surpresa pela descoberta de seu avô, Will Reeves, a personagem sabe muito mais do que deixa transparecer. Ela, assim como Manhattan na graphic novel, não deixa de ser uma marionete. Mas é uma marionete que enxerga suas próprias cordas.

E agora nós as enxergamos junto com ela.

Na galeria abaixo, fique com imagens da série:

Watchmen vai ao ar aos domingos, na HBO.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux