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Watchmen: 1×05 – Não há pessoa ordinária!

Por Gus Fiaux

Em seu quinto episódio, Watchmen decidiu se afastar dos holofotes para seguir a vida de um personagem secundário que estava atraindo bastante a atenção do público. Trata-se do Espelho, um dos policiais aliados de Angela Abar, que por sua vez é interpretado por Tim Blake Nelson. Se até então sabíamos bem pouco de sua história, o episódio permitiu que nós o conhecêssemos profundamente.

E tudo começa no dia 2 de novembro de 1985, o dia em que o relógio do Juízo Final chegou à meia-noite, já que a Terra começou a ser atacada por lulas gigantes. Aqui, vemos o jovem Wade Tillman testemunhando a gigantesca carnificina em Nova Jersey, o que o motiva a se tornar um policial no futuro. Porém, como já sabíamos desde sua primeira aparição, ele é um homem complexo e cheio de paranoias, traumatizado pelo evento.

No presente, ele tem várias vidas secretas. Além de trabalhar com a polícia, ele também é uma espécie de especialista em testes publicitários, além de comandar um grupo de apoio para os sobreviventes de 1985. E é assim que ele logo se vê preso pela Sétima Kavalaria, que o obriga a ver a verdade – sobre como o ataque foi planejado meticulosamente pelo Ozymandias. 

Em suma, essa é a sinopse mais básica e bruta do episódio. Na prática, o resultado é um dos melhores capítulos da série, que não deixa de nos surpreender semanalmente. A série está se provando muito interessada em fugir do óbvio e nos mostrar várias perspectivas sobre o que está acontecendo, não muito diferente da graphic novel na qual é baseada.

E depois de quatro episódios acompanhando a Irmã Noite em sua caçada pessoal, o quinto episódio é uma baita duma surpresa, justamente por mostrar como uma perspectiva diferente pode mudar toda a história. Nesse quesito, a interpretação de Tim Blake Nelson no papel de Wade/Espelho é fundamental. O ator consegue passar uma miríade de emoções, mesmo quando está trajando sua máscara, espelhada e misteriosa.

E isso não significa que não tenhamos a presença de outros personagens. Mesmo aparecendo pouco, a protagonista vivida por Regina King passa por uma grande reviravolta após ser entregue pelo seu colega – um ato desesperado que ele faz para poder salvá-la. Além disso, Laurie Blake continua mais ranzinza e sarcástica do que nunca.

Porém, o ponto que realmente fez uma virada completa foi a história de Adrian Veidt. Se os episódios anteriores já estavam caindo em um marasmo de repetição, esse finalmente mostra um pouco do que está sob a superfície. O Ozymandias parece estar preso em uma realidade criada em outro planeta, de onde não pode escapar. A principal teoria até o momento (e a mais provável) é que não passe de um cativeiro criado pelo Dr. Manhattan para puni-lo por seus crimes de 1985.

Além disso, um grande plot twist que o episódio também nos revela é que o senador Joe Keene Jr. é parte da Sétima Kavalaria. Ele sempre esteve ao lado da organização terrorista, e é justamente quem saúda o Espelho quando este é capturado. Essa revelação mostra como o personagem vivido por James Wolk é uma peça fundamental nesse tabuleiro, e também nos dá um vislumbre do plano traçado por ele e pela organização supremacista.

Claro que tudo isso ainda vai se desdobrar para caminhos ainda mais complexos, se a série de Damon Lindelof seguir a mesma vibe da HQ. Mas por enquanto, tivemos um dos episódios mais satisfatórios da série, justamente por entregar mais respostas do que perguntas.

Visualmente, esse também é um dos episódios mais bonitos da série. Além de uma construção visual muito interessante, com a presença de espelhos e superfícies refletoras em várias cenas, o que é um jogo visual com o personagem no qual é centrado, o episódio também tem muitas tomadas simbólicas e cortes que nos ajudam a entender mais de quem é Wade Tillman, o homem escondido por um espelho.

E as boas decisões não param por aí. A trilha sonora também complementa um pouco da personalidade do Espelho, além de recriar a época com músicas dos anos 80. Tudo isso completa, tanto visual quanto sonoramente o episódio, que mostra um cuidado de direção a par com os outros da série.

Já estamos na metade da temporada. Faltam apenas 4 episódios – e se pensarmos que Lindelof é um criador que gosta de surpreender seu público, podemos perceber que tudo está sendo construído para um clímax épico. No entanto, é necessário perceber que a saga ainda vai nos apresentar muitas surpresas, e o fim que imaginamos pode acabar não sendo o clímax que teremos.

Na galeria abaixo, veja imagens da série:

Watchmen vai ao ar aos domingos, na HBO.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux