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Resident Evil 2 e o resgate da Era PS1!  

Por Lucas Rafael

Nostalgia é um negócio perigoso e poderoso ao mesmo tempo. Viver demais no passado pode impedir o progresso do presente. Mas é normal relembrarmos com carinho do que já foi. É gostoso.

Conforme a indústria de games foi evoluindo, a filosofia por trás do design de um jogo foi se adaptando aos novos moldes. As fórmulas populares engessaram gêneros e, ultimamente, recorremos à indústria independente em busca das lufadas de originalidade. Muitos pensam que são tempos monótonos no qual todo grande FPS parece Call of Duty, Battlefield ou Halo. Todo hack n’ slash lembra God of War e Devil May Cry. Todo jogo que quer se prezar por dificuldade lembra um Dark Souls. Todo grande lançamento da indústria investe em uma imersão cinematográfica com o level design em segundo plano. Óbvio que existem exceções, mas a maioria gritante dos títulos se encontra neste território da reciclagem de tendências.

Já o remake de Resident Evil 2 se destaca no mercado atual por atualizar um produto de outrora.

Um tempo em que a filosofia por trás da realização de um jogo era diferente. É um jogo do PS1 em suas raízes, que recebeu um tratamento estético e mecânico para a nova geração.

 

Os polígonos de 1998 já não assustam mais tanto…

 

A narrativa aqui é só um plano de fundo para você se esgueirar por corredores em busca de itens. Poucas coisas marcantes acontecem na história em si. Ela existe em função do gameplay e da sensação que ele busca provocar no jogador. Não o contrário.  

Alguns jogos modernos buscam tanto evocar imersão e simular experiências cinematográficas que acabam sacrificando o fator diversão. Resident Evil 2 sabe equilibrar bem as coisas por ser fruto de uma época mais honesta do desenvolvimento de jogos. Um tempo sem lootboxes no qual quem ditava a tendência dos jogos de horror era Resident Evil, antes da franquia se render à fórmula de ação que ela mesma difundiu através de Resident Evil 4, que acabou sendo popularizada por Gears of War. Lembram quando todo jogo de tiro em terceira pessoa era um Gears of War?   

Resident Evil 2 traz de volta uma sensação até então perdida nos jogos modernos.

De pessoas debatendo em quanto tempo conseguem fechar o jogo. Do que sentiram a primeira vez que jogaram. De circunstâncias avassaladoras como se ver cercado por Lickers num corredor; ter de optar entre trombar o Mr. X ou uma horda de zumbis.

É um jogo que rende bons relatos, coisa que só grandes títulos de mundo-aberto recentes conseguem fazer.  

 

Resident Evil 2 é intenso.

 

Mas a Capcom é esperta. Alguns aspectos que datavam Resident Evil 2 foram alterados para casar com sensibilidades modernas. A mobilidade não é mais truncada, a perspectiva é fixa na terceira pessoa. É um jogo com essência antiga, mecanicamente polido para qualquer um encarar.

Alegra ver que parece existir um revival de títulos olhando para trás ao invés do presente. Kingdom Hearts 3 é um jogo de PS2 que acabou sendo lançado em pleno 2019. O remake de Crash Bandicoot vendeu bem o suficiente para render a atualização de Crash Team Racing. Algumas qualidades do passado cabem muito bem ao presente.

O objetivo não é soar saudosista, mas apontar que existe uma essência lúdica dos games de outrora que foi se perdendo nas ambições de novas gerações.

Às vezes é bom olhar para trás e ver que nem tudo precisa ser esquecido.

Resident Evil 2 remake prova que é possível atualizar o passado com perfeição. Que venha o remake de Resident Evil 3.

E se você quiser testar sua coragem contra os terrores de Raccoon City, nessa jornada maravilhosamente nostálgica, Resident Evil 2 já está disponível para PS4, Xbox One e PC e você pode comprar clicando aqui. Vai encarar?

Confira a nossa crítica do remake do segundo jogo da franquia abaixo:

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais