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[CRÍTICA] As Panteras – Ação e espionagem à moda antiga!

Por Gus Fiaux

As Panteras é uma das maiores franquias de espionagem da TV e do cinema. Já foram duas séries televisivas, uma animação para a internet e dois filmes nos anos 2000. E agora, uma nova versão dessa equipe de espionagem está chegando aos cinemas, em um longa explosivo dirigido por Elizabeth Banks. Com um trio em ascensão, o longa promete bastante ação e espionagem.

O filme é estrelado por Naomi Scott (Aladdin), Kristen Stewart (Crepúsculo) e Ella Balinska (Casualty), além de contar com a participação da própria Elizabeth Banks, Patrick Stewart, Noah Centineo, Djimon Hounsou Sam Claflin. Mas será que consegue manter (e elevar) o legado da franquia, além de introduzir coisas novas à saga? Nós já conferimos o filme e você pode ler nossa crítica aqui!

Ficha técnica:

Título: As Panteras (Charlie’s Angels)

 

Direção: Elizabeth Banks

 

Roteiro: Elizabeth Banks

 

Ano: 2019

 

Data de lançamento: 14 de novembro (Brasil)

 

Duração: 118 minutos

 

Sinopse: Quando um jovem engenheiro de sistemas dá um alerta sobre uma perigosa tecnologia, as Panteras são chamadas para a ação, colocando suas vidas em perigo para salvar todos ao seu redor.

As Panteras – Ação e espionagem à moda antiga!

Se tem um tema que se tornou mais do que recorrente no cinema de ação, esse foi justamente o da espionagem. Só nos últimos anos, tivemos vários filmes e franquias voltados para agentes especiais, missões secretas e espiões. Para citar alguns, temos Missão: Impossível, Kingsman e, é claro, a saga de James Bond. No entanto, uma série de filmes que andava fazendo falta era As Panteras. 

Criada originalmente como uma série de televisão em 1976, e exibida pela ABC, a série se tornou um sucesso tão grande entre o público que, décadas depois, ganhou espaço nos cinemas com dois filmes dirigidos por McG. Os filmes abraçam a diversão descompromissada e um ar bem trash. Eventualmente, a saga das agentes lideradas por Charlie Townsend ganhou uma nova versão na TV, em 2011, que não foi muito bem recebida.

Desde então, As Panteras haviam caído no ostracismo, até que Elizabeth Banks decidiu revitalizar a franquia, escrevendo, dirigindo e atuando em um novo filme da saga. Porém, não se trata de um reboot, já que o filme de 2019 reconhece o legado e a importância de cada uma das produções anteriores (bem… menos a série de 2011, cancelada antes mesmo do fim de sua primeira temporada).

O novo filme, intitulado apenas de As Panteras – como a maioria das produções anteriores – não é lá o maior exemplo de originalidade ou subversão. A história, como sempre, segue um trio de agentes. Dessa vez, elas são Jane (Ella Balinska, em um de seus primeiros papéis grandes), Sabina (Kristen Stewart, mais confortável do que nunca na atuação) e a novata Elena (Naomi Scott), que entra na ação por ser diretamente ligada à trama.

Juntas, elas precisam impedir que uma tecnologia poderosa (e perigosa) caia nas mãos de bandidos misteriosos, enquanto são auxiliadas por Bosley (Elizabeth Banks, dando um banho de luxo e glamour) e por Santo (Luis Gerardo Méndez), o guia espiritual/assistente de equipamentos da equipe. Como era de se esperar, não é nada inovador. Mas, por outro lado, o que podíamos esperar da franquia?

Tirando o fato de ser uma franquia de espiões protagonizada por mulheres, a franquia nunca se propôs a fazer nada muito diferente e inovador, e a nova versão de As Panteras continua não sendo nenhum exemplo de subversão. É, no entanto, um longa que compensa pela diversão e pelo seu elenco, que está muito bem nos seus respectivos papéis. Todos possuem destaque, e Patrick Stewart ainda possui um grande papel no longa.

Muito disso se deve à direção de Elizabeth Banks. A artista pode até ser mais conhecida pelo campo da atuação, mas nos últimos anos tem se arriscado cada vez mais atrás das câmeras. Por conta disso, ela consegue muito bem criar uma atmosfera divertida entre seu elenco. Todas as atrizes parecem estar muito confortáveis em seus papéis, com destaque para Kristen Stewart que deixou de vez o estigma da protagonista inexpressiva de Crepúsculo. 

Nesse sentido, Banks se sai melhor na direção que no roteiro (que ela também assina). O filme tem uma leveza, mas segue passo a passo o feijão-com-arroz dos filmes de espionagem. Temos tudo o que já poderíamos esperar: traições inesperadas, reviravoltas surpreendentes (algumas nem tanto), cenas de ação e perseguição. O importante aqui é que a diretora consegue realizar esse “básico” com estilo, o que torna a experiência agradável.

Talvez, um dos únicos pecados de Banks na direção sejam justamente nas cenas de ação. Como se trata do primeiro filme do gênero dirigido por ela, ainda podemos notar uma fluidez mais travada, com muitos cortes e câmera tremida. Ainda assim, podemos aproveitar algumas sequências – especialmente a cena de abertura do filme e todo um embate que acontece em uma pedreira.

E não são apenas esses detalhes que se destacam nas escolhas de direção de Banks. O visual do filme, de modo geral, é muito bonito, com figurinos extravagantes e uma fotografia que ressalta o “luxo” em ser uma Pantera, com um bom uso de neon, iluminação artificial e planos menos convencionais. De certa forma, é um filme que se dá bem justamente por ter alguém muito confiante por trás das câmeras.

trilha sonora de Brian Tyler também se destaca, dando momentos de grandeza e de tensão para a aventura. No entanto, há um exagero nas músicas que tocam ao longo do filme, todas produzidas (e algumas interpretadas) por Ariana Grande. Algumas dessas canções tiram o impacto do que está acontecendo na tela, e acabam aparecendo com mais destaque do que deveriam.

Ainda assim, de uma forma mais ampla, As Panteras acaba se beneficiando de algumas dessas escolhas, que conferem um tom mais “brega” para a produção – por mais que isso seja essencialmente proposital. Essa é uma das maneiras pelas quais o filme consegue homenagear e honrar o legado das produções anteriores, ainda que tenha um grau de refinamento mais “polido” que, por exemplo, os filmes dos anos 2000.

Claro que também existem algumas novidades para quem está entrando na franquia agora. O longa consegue trazer algumas reviravoltas eficazes, especialmente envolvendo Bolsey e o próprio Charlie – que, como de praxe da franquia, só é ouvido através de ligações, e nunca aparece fisicamente por completo. Além disso, o filme estabelece uma equipe para que mais filmes possam ser realizados no futuro.

Entretanto, o que eu realmente acho valioso da nova versão de As Panteras é como o longa reclama o charme mais canastrão e galhofa das franquias de espionagem, numa época em que quase todas estão tomando uma rota mais “séria” – como os filmes de 007, por exemplo. É um filme que aposta em um teor mais cômico e em momentos mais divertidos, nunca se levando a sério demais – o que acaba criando uma experiência mais despretensiosa.

Claro que, para se entreter com o filme, o público precisa avaliar sua própria bagagem e expectativa. Quem espera algo a nível de Missão: Impossível – Efeito Fallout, ou desconhece a franquia ou já está indo com a mente fechada por pura má vontade. O longa, assim como todos os filmes e séries que o antecederam, nunca se propôs a fazer algo desse naipe.

E é por conta desses e outros fatores que As Panteras acaba se saindo tão bem. É o típico filme pipoca que não vai ser muito lembrado amanhã, mas que ao menos garantirá boas emoções e gargalhadas para o público que lhe der uma chance. Além disso, é um filme com mulheres em posição de destaque, cujas histórias não giram em torno de relacionamentos e assuntos clichê.

E por mais que não tenha uma abordagem original, o longa faz muito bem aquilo que se propõe, tornando-se uma aventura divertida, descompromissada e, acima de tudo, estilosa – tudo graças à direção de Elizabeth Banks, que entende a natureza dos elementos que compõem um bom blockbuster. 

Mais do que isso, é o filme que abre as portas para essa nova geração de Panteras. Com Kristen Stewart, Naomi Scott Ella Balinska em posições de destaque, essa saga tem tudo para continuar voando alto, com mais continuações que expandam esse universo e tragam novas adições para a agência chefiada por Charlie Townsend. Estão prontas, agentes?

Na galeria abaixo, veja imagens do filme:

As Panteras está em cartaz nos cinemas.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux