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Como a Netflix pode ter encontrado a nova sensação das séries de terror!

Por Gus Fiaux

No ano passado, os fãs de horror tiveram uma surpresa muito inquietante, quando a Netflix lançou A Maldição da Residência Hill, minissérie inspirada no livro A Maldição da Casa da Colina, escrito por Shirley Jackson em 1959. A série, apesar de trazer alguns nomes conhecidos do livro e alguns momentos tirados direto das páginas, trouxe uma completa releitura, com uma história original e muito elogiada.

Na trama, conhecemos os membros da Família Crain. Ao todo, cinco irmãos com diferentes personalidades que juntos carregam um evento traumático em comum, vivenciado na Residência Hill, onde viveram temporariamente. Seu pai, Hugh Grant, havia comprado a casa para reformá-la e vender por um preço mais alto, mas logo se deparou com acontecimentos sobrenaturais e fantasmas cada vez mais próximos de sua realidade.

Quem tem medo da Dama do Pescoço Quebrado?

A série foi uma grata surpresa justamente por trazer, consigo, uma carga dramática que servia como pano de fundo para o horror – e vice-versa. Aqui, vemos o deterioramento da família enquanto vivem na casa – e, no presente, os irmãos tendo que se unir para voltar mais uma vez ao lar assombrado e resolver um mistério envolvendo a Dama do Pescoço Quebrado e uma enigmática Sala Vermelha. 

Com isso, a série foi um sucesso de crítica e de público. Não há uma pessoa que não tenha se encantado pelos corredores sinistros, pelos fantasmas escondidos e pelos personagens – esses que são o ponto alto de uma trama densa, complexa e cheia de reviravoltas. E o grande responsável por isso é Mike Flanagan. 

Quem transita pelas marés do horror indie já ouviu esse nome antes. Flanagan surgiu com filmes espetaculares, como O Espelho e Hush: A Morte Ouve. Mais recentemente, o cineasta investiu ferrenhamente nas adaptações de obras de Stephen King: além do já lançado Jogo Perigoso, também da Netflix, ele vai lançar uma adaptação de Doutor Sono, continuação do clássico O Iluminado.

Porém, engana-se quem acha que isso foi um obstáculo na hora de dar sequência à Residência Hill. Há poucos dias, a Netflix anunciou que lançaria The Haunting of Bly Manor – em tradução livre, “A Maldição da Mansão Bly”. E é assim que começa uma das séries de horror com mais potencial da atualidade.

Para quem não sabe, a segunda temporada da série – que está sendo chamada provisoriamente de A Maldição – também vai adaptar um famoso livro: A Volta do Parafuso, de Henry James. Nesse horror gótico, vemos uma mulher se tornando governanta de uma casa com crianças fantasmagóricas e assombrações reais.

Os Inocentes, adaptação de 1961 de A Volta do Parafuso.

O livro já havia sido adaptado anteriormente em diversos filmes, episódios de séries e até mesmo re-imaginações literárias. A mais famosa dessas adaptações é o clássico Os Inocentes, de 1961, protagonizado por Deborah Kerr, um filme que abstrai bastante do conceito da trama, criando algo original e refrescante.

Mas é claro que isso pode ser só a ponta do iceberg. Com sua nova temporada – que deve ser lançada em 2020 -, a nova série da Netflix tem a chance de bater de frente com outras antologias de terror da atualidade, como American Horror Story, que há anos está preso num ciclo de repetições e megalomanias.

Por outro lado, A Maldição é uma série que pode pegar o lado mais dramático do horror, fornecendo mais desenvolvimento de personagens e uma assombração mais intrínseca, que age pelas beiradas até contaminar o público com pânico e pavor.

Residência Hill já nasceu um clássico, e Mansão Bly tem tudo para continuar essa trajetória – especialmente porque Flanagan ainda estará envolvido diretamente, provavelmente produzindo e dirigindo os episódios com a maestria que já demonstrou na TV e nos cinemas.

A Queda da Casa de Usher poderia servir de base para outra temporada.

E é claro que ainda sobra o espaço para mais temporadas, que podem mergulhar ainda mais profundamente em outras obras literárias de horror clássico. Uma esperança dos fãs é que a terceira temporada se baseia em A Queda da Casa de Usher, um popular conto de Edgar Allan Poe. 

E não precisa morrer aí. Focando-se em novos personagens e novas tramas, mas mantendo o clima sobrenatural que tanto nos envolve nas histórias de fantasmas e casas assombradas, talvez trazendo referências de outras mídias, de filmes como Os Outros Horror em Amityville, assim por diante.

No ano passado, testemunhamos um nascimento singular nas narrativas de horror, provando que a Netflix ainda pode trazer surpresas escondidas a cada novo lançamento. No ano que vem, veremos a continuidade desse filho sombrio – e com sorte, nos próximos anos, ainda teremos várias mansões assombradas e fantasmas assustadores para descobrir.

 

Caso não tenha visto ainda a primeira temporada da série, aqui estão 10 motivos pelos quais você deveria assistir A Maldição da Residência Hill:

A Maldição da Mansão Bly chega à Netflix em 2020.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux