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Raio Negro: 1×01 – Pode não ser o herói que muitos queriam… Mas é o herói que precisávamos!

Por Leo Gravena

Se tem uma coisa que as pessoas não apreciam hoje em dia é potencial. Claro, é ótimo chegar na Netflix, ver uma série de ficção/aventura que acabou de estrear, ser fisgado já no primeiro episódio com uma equipe de pessoas com poderes, um vilão com ideais claros, cenas de luta super coreografadas e maratonar tudo no final de semana. É fácil, é divertido, é imediato. Nesse primeiro episódio, Raio Negro deixa claro que não será nenhuma dessas coisas.

Tendo estreado na Netflix uma semana após sua estreia na TV americana, Raio Negro conta a história de Jefferson Pierce, um antigo herói que agora é o diretor de uma escola e tem que cuidar de suas duas filhas enquanto lida com sua separação, além disso, ele possui poderes de eletricidade.

Mesmo ele já usando seu traje heróico logo no primeiro episódio, é quase como se ele não precisasse. A presença de Cress Williams em tela é imponente por si só. A trama também é apresentada, mas não completamente. Isso torna tudo ainda melhor.

Raio Negro não tem uma “origem heróica”, não temos a mínima ideia de onde vieram seus poderes, não vemos ele sendo atingido por um raio, ou acidente tóxico, ou tenso seu DNA mostrado, não vemos um dos vilões matando alguém uma de suas filhas ou esposa e fazendo com que ele queira vingança, não temos um flashback mostrando ele perdendo os pais e querendo lutar contra o crime.

Jefferson Pierce é um herói porque é a coisa certa a se fazer, porque era a maneira como ele podia lutar pelo bem. Mesmo tendo abandonado o traje heróico, ele definitivamente continuou sendo um herói e salvando vidas, já que fica claro no piloto o impacto que ele tem nos jovens que frequentam a escola da qual ele é diretor.

Em um momento onde vemos praticamente sempre as mesmas histórias de origens sendo contadas nos filmes e séries, é muito bom ver alguém que faz o bem simplesmente porque é a coisa certa a se fazer, porque ganhou poderes e havia uma maneira de utilizá-los. E no atual cenário sociocultural, é mais do que importante e emocionante que este herói seja negro.

O fato é que, a série sabe de sua importância política, afinal, não é à toa que logo nos primeiros minutos de série vemos o protagonista sendo parado pela polícia, simplesmente pelo fato de ser negro. Hoje em dia é muito fácil ver pessoas falando de como “racismo não existe mais”, ou que é “tudo na cabeça dessa gente” e coisas piores, muito piores. Não adianta fingir que não, eu já li comentários assim – aqui mesmo nos comentários da Legião Dos Heróis – já li e ouvi coisas bem piores em outros locais… quem não? Mas a verdade é que sim, ainda existe, não, não está apenas na cabeça das pessoas negras, ou dos “SJWs”, ou gente que apenas “quer problematizar”. É algo que está em todos os lugares, o tempo todo.

Além disso, a série se torna ainda mais especial quando traz uma produção extremamente diversa. Em uma recente entrevista a atriz Candice Patton, que interpreta a Iris West em The Flash deixou claro que os próprios atores acham ridículo algumas coisas que são colocadas para a família West na série, dizendo: “Eu sempre brinco, que e o Jesse [L. Martin, o Joe West na série] sobre isso o tempo todo. O ‘talharim da avó Esther’? Pessoas negras não fazem… nós não fazemos talharim. Seria a ‘torta de batata doce’ da avó Esther, entende o que estou dizendo?”. A atriz também deixa claro que: “Se você tem atores negros em uma série, você precisa de pessoas negras escrevendo, precisamos de diretores negros no set,” ela conclui dizendo: “Se você vai ter um grupo diverso de atores e um grupo diverso de personagens, é importante que você tenha isso representado nos escritores e nos diretores”.

Isso é o que Raio Negro faz. A cena do carro, tão poderosa, tão revoltante, ela já aconteceu com várias pessoas não-caucasianas o tempo todo, algumas vezes, de maneira muito pior. Essa mesma cena já aconteceu três vezes com o showrunner, Salim Akil, e por isso mesmo ele decidiu colocá-la na série. Porque é algo real, que está acontecendo todos os dias.

Personificando a atitude mais agressiva em relação a estes problemas, temos Anissa Pierce, a jovem que está estudando para se tornar uma médica também é uma grande ativista e não tem medo de falar o que pensa e lutar por aquilo o que acredita. Nas próximas semanas devemos ver ainda mais dela, enquanto ela descobre suas habilidades e terá que explicar os “estragos no banheiro” para sua namorada. Porém, já está claro que Anissa, assim como seu pai, está disposta a sempre fazer o melhor pelos outros.

A outra filha do herói, Jennifer, não está tão preocupada com tudo o que está acontecendo, mas caso decidam seguir os quadrinhos, logo ela deve descobrir algumas habilidades especiais… Além disso, é ela quem faz com que Jefferson precise voltar a utilizar os seus poderes e, mais tarde, utilizar o seu traje, já que ela acaba entrando em problemas com a gangue local, conhecida como Os 100.

Finalizando as apresentações da família, temos Lynn Pierce, a esposa de Jefferson, de quem ele está separado no momento. Mesmo tendo participado de várias outras séries e filmes, Christine Adams praticamente não teve grandes papéis, porém ela realmente se destaca como Lynn. Todas as cenas entre o casal tem um tom agridoce e poderoso, a química entre os atores é excelente e Adams consegue facilmente roubar a atenção, mesmo ao lado do herói.

Outro ponto interessante da série é que Raio Negro não terá “um vilão da semana” como estamos acostumados, mas a história deve seguir uma trama única, focada nos 100 e em Tobias Whale, o grande vilão da série.

Mais coisas devem se desenvolver durante as próximas semanas e estou realmente animado para acompanhar mais da família Pierce. Porque mesmo que não tenha realmente acontecido muitas coisas no primeiro episódio, Raio Negro é cheia de potencial e pode, facilmente, se tornar uma das melhores séries desta temporada.

Confira abaixo o teaser e as imagens do segundo episódio:

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sobre o autor Leo Gravena

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