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Fugitivos: 1×08 – Pecado Capital!

Por Gus Fiaux

Após semanas de muitos mistérios e segredos, Fugitivos está começando a entrar em sua reta final… e após o chocante sétimo episódio – que talvez tenha sido o melhor da temporada até aqui –, Janet Stein convoca todos os membros do ORGULHO para poderem ajudá-la a salvar Victor, que ela baleou para poder salvar seu filho, Chase.

Intitulado “Tsunami” – palavra que os membros da organização usam para alertar uns aos outros em emergências (e que possui um significado oculto muito interessante) –, o oitavo episódio da temporada é um capítulo de altos e baixos – ainda que as qualidades se sobressaiam, e muito.

Para quem reclamava da construção e do ritmo da série, a recompensa está vindo agora e promete ser absurdamente grande. Ao longo do episódio, enquanto o ORGULHO se reúne para tentar salvar um de seus membros mais importantes, temos todo um desenvolvimento secundário de Nico Minoru. Ela finalmente arranca as respostas que queria de Alex Wilder, mas não está pronta para lidar com o peso das revelações.

Aqui, nós começamos a entender as circunstâncias que levaram ao suicídio de Amy, a filha mais velha dos Minoru. Sabemos que ela estava sendo hackeada por sua própria mãe, e que possivelmente havia descoberto detalhes importantes de dentro da organização secreta. Ainda assim, ao final do episódio, ela é encurralada por uma entidade desconhecida (que eu fortemente suspeito que tenha sido Jon… digo, o Doutor Destino).

Por falar no ditocujo, preciso confessar que, para mim, ele está sendo um dos pontos mais negativos da série, e esse episódio exemplifica bem isso. A tensão entre os pais é construída de forma excelente… até que ele entra em cena. Talvez a atuação de Julian McMahon seja o ponto fraco de sua participação, ou talvez, o personagem não esteja sendo escrito de uma forma decente… de qualquer forma, algo está falhando, e ele vem representando o elo mais frágil dessa corrente.

Entretanto, isso pode ser deixado de lado, se analisarmos um pouco o quadro geral. “Tsunami” faz algo que nenhum outro episódio havia feito, e faz muito bem: aqui, os protagonistas são deixados para o segundo plano, enquanto seus pais se tornam os verdadeiros destaques do episódio. Isso colabora para ajudar a desenvolver ainda mais esses personagens, e isso funciona quase que completamente.

Toda a construção de tensão e os conflitos pessoais entre os personagens é muito envolvente e realmente causa reações no espectador. É impossível não simpatizar com Janet ou amar/odiar Tina por suas decisões. Além disso, temos mais destaque para personagens menores, como Dale e Stacey Yorkes e até mesmo Robert Minoru, de forma que nos aprofundamos melhor nas motivações pessoais desses personagens.

Porém, nem tudo são rosas. O humor desse núcleo acaba afetando o que deveria ser a cena mais tensa e preocupante – quando os membros do ORGULHO fazem uma espécie de “votação” para decidir quem deverá ser sacrificado para que Victor seja trazido de volta à vida. E, é claro, a participação do Doutor Destino é incoerente e discrepante. Como assim ele diz que irá matar todo mundo se ninguém se decidir sobre quem será sacrificado e, poucos minutos depois, fica tranquilo com o fato de Tina ter explodido uma das “câmaras de ressurreição“, e segue sua vida normalmente?

Por outro lado, o núcleo infantil arrebenta. Molly continua sendo a personagem mais interessante da série, e aqui ganhamos um espaço só dela, para que ela possa se envolver nos mistérios referentes à morte de seus pais. Aliás, preciso dizer que ela teve a melhor reação possível ao descobrir uma fita cassete. Eu acho que nunca ri tanto na história dessa série.

Enquanto isso, Lyrica Okano segue sendo uma das revelações dramáticas da série. As trocas entre Nico e Alex são muito intimistas, e a atriz consegue realmente passar todo o luto de sua personagem. Por outro lado, alguns outros personagens me irritam. Gert é minha heroína favorita do grupo, mas sinto que estão levando ela para um caminho errado, uma vez que toda sua história só é construída em cima de sua quedinha por Chase.

E por falar nesse embuste, acho que todos nós podemos concordar que, caso os Gibborim existam, poderiam muito bem devorá-lo. Sua atitude no final do episódio despertou uma ira não apenas em mim, mas também em todos os seus colegas de equipe, e será difícil mantê-lo no grupo quando as coisas realmente apertarem. A cada dia que passa, eu mantenho a minha teoria de que, na série, Chase será o traidor da equipe.

Por outro lado, Alex tem um destaque interessante, apesar de não ter um grande desenvolvimento. E Karolina continua sendo… ok (ainda que eu realmente tenha achado a cena dela com seu pai na casa dos Stein um tanto quanto ridícula).

Tecnicamente falando, a série se mantém competente. Destaque para as aparições de Alfazema. A adorável dinossauro realmente não consegue manter o nível de realismo quando aparece de corpo inteiro e é construída em CGI. Contudo, nos close-ups, onde vemos claramente a marionete, a criatura realmente se torna integrada à história, e facilmente pode ser considerada um dos melhores elementos da série.

Porém, o que realmente chama a atenção nesse episódio é o trabalho sonoro. Há uma constante melodia ruidosa, que ajuda a envolver o público numa tensão sufocante. Ao mesmo tempo, sons muito particulares da série, como o ruído provocado pelas Fistigonas, ou o barulho proveniente do Cajado do Absoluto e até mesmo os rugidos de Alfazema são muito bem feitos, ajudando a criar um senso de realismo.

Agora, precisamos esperar pelas próximas duas semanas. A ideia realmente será como muitos suspeitavam: os Fugitivos só honrarão seu nome no final da temporada, quando finalmente deixarão seus pais para trás. Ao mesmo tempo, a Hulu e a Marvel devem aproveitar a fama dos atores adultos e seus papeis para uma segunda temporada, aonde tentarão encontrar seus filhos e finalmente podem ter a conclusão de sua história.

Ainda assim, há segredos que precisam ser revelados até o fim desse ano. Precisamos descobrir todo o mistério que envolve não apenas a morte de Amy Minoru, como também a de Gene e Alice Hernandez. Até lá, a única coisa que eu rezo a todos os Gibborim é que Jon… Doutor Destino seja eliminado, ou que passe a ter um papel mais condizente e imponente.

Abaixo, confira mais imagens da série:

Fugitivos é exibida todas as terças-feiras, na Hulu. Não perca nossa review semanal da série, às quintas.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux