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É muito cedo para adaptar a Saga da Fênix Negra para os cinemas!

Por Cristiano Rantin

Não é difícil para vocês imaginarem que a Saga da Fênix Negra é um dos meus eventos favoritos nos quadrinhos e que Jean Grey é minha personagem predileta. Assim sendo, ter a oportunidade de vê-la brilhando nas telonas em uma história que, basicamente, é focada nela deveria me deixar muito feliz, correto? Bom, não é bem assim.

Como vocês já sabem (ou se não sabe, pode ler aqui) essa é uma das maiores Sagas dos X-Men, sendo escrita nos anos 1980 por Chris Claremont e lembrada até nos dias de hoje como uma das melhores produções da Marvel.

Na saga tivemos não só a corrupção de Jean Grey, uma das personagens mais puras da editora, presente naquele universo desde os anos 1963, como também seu grande – e chocante – sacrifício quando ela se suicida para impedir que a Fênix Negra continue causando problemas.

Ainda que muita coisa tenha acontecido desde esse primeiro contato dos X-Men – e demais personagens da Marvel – com a encarnação mais sombria da Força Fênix, bem como o lado mais nefasto de Jean, as consequências dessa saga ainda repercutem no universo da editora.

A Força Fênix continua sendo uma entidade perigosa, temida e ao mesmo tempo desejada por muitos; Jean Grey – ao menos a versão mais velha da personagem – continua pagando o preço pelas milhares de vida que ceifou quando destruiu um sistema solar; Os mutantes que participaram dessa Saga continuam traumatizados pela violência e perda que tiveram de enfrentar; E agora, mais recentemente, temos a baby Jean Grey – a versão trazida pelo Fera do passado para os dias de hoje – que precisa lidar com o fato de que a Fênix está vindo para pegá-la.

Tudo isso serve apenas para contextualizarmos a importância dessa grande Saga. É um evento importante e colossal para o X-Men, envolvendo uma aventura cósmica, uma ameaça aterrorizante e reviravoltas intensas. É a batalha contra “o mais querido dos amigos, que se tornou o mais terrível dos inimigos”, como disse Charles Xavier no desenho X-Men: Evolution depois de vislumbrar a transformação de Jean. É um sacrifício

E é justamente isso que me faz gostar tanto de Jean Grey. Desde muito jovem sempre me encantei com a ruiva, não só pelo grande potencial da personagem – que de uma simples garota telecinética conseguiu se tornar, para todos os efeitos, uma Deusa, o fogo e a vida encarnados, não só pelo fato de que esse grande poder podia ser utilizado, sem receio dos criadores, tanto para o bem quanto para o mal, mas sim pela humanidade em Jean.

Muitos fãs dos X-Men podem dizer que a personagem é sem sal, ou que não faz nada além de gritar Scott! mas a verdade é que, como todos os outros personagens reconhecem no quadrinhos, é ela o grande coração dos mutantes. Mas além de toda a evolução da personagem na saga da Fênix, que vem para provar que a personagem é muito mais interessante e poderosa do que muitos pensavam, nela também vemos até onde ela é capaz de ir pelo que acredita.

A razão para eu gostar tanto de Jean é que, mesmo tendo todo o poder do universo em suas mãos, ela ainda se mostra como humana, preferindo a própria morte do que a possibilidade de perder o controle de novo e machucar seus amigos. Ainda que seja a verdadeira encarnação da Força Fênix, seu sacrifício é a maior prova de pureza, altruísmo e humanidade, sendo também uma consequência e punição merecida pelas mortes que causou. É a consequência de suas ações, mas é também uma maneira de proteger aqueles que ela ama.

Mas como colocar toda essa carga dramática e emocional, além de uma saga tão grandiosa, em um filme de pouco mais de 1h30? É praticamente impossível que a FOX, por mais bem intencionada que seja, consiga esse feito. Toda a Saga da Fênix, incluindo os eventos sobre o Cristal M’Kraan e a Fênix Negra, teria que ser adaptada para os cinemas em três filmes.

Ainda que a maioria dos fãs procure esquecer o tão criticado X-Men: O Confronto Final, ele é uma adaptação da Saga da Fênix Negra, mesmo que fique mais focado na cura mutante – e o ódio da sociedade – do que na grandeza da vilã.

Outro ponto controverso no filme, e que é uma das razões para eu não gostar dele, é a maneira como a Fênix Negra encontra seu fim. Toda a carga dramática do sacrifício de Jean é investida em um protagonismo forçado de Wolverine, sendo ele aquele que recebe todo o drama – e foco – em um momento que deveria ser dela.

Mas o maior problema em terem levado a Fênix Negra para os cinemas é que, no final do dia, apenas os fãs da Jean se importaram com a morte da ruiva, e isso acontece por uma simples razão: Ainda que presente desde o primeiro filme, Jean Grey ainda tinha aparecido muito pouco nos filmes. Não houve tempo para ela crescer no coração do público e conseguir assim chocar e emocionar as pessoas com sua corrupção e morte.

Talvez isso fique muito claro quando analisamos Game of Thrones que mesmo matando um punhado de personagem a cada temporada, garante que tanto pelo contexto da cena quanto pela maneira como o personagem em questão foi desenvolvido, que sua morte consegue ser impactante para o público, fazendo com que eles sofram por aquelas mortes, algo que não aconteceria caso matassem um personagem aleatório que teve poucas falas e participações em um episódio.

Voltando para o nosso Universo X-Men, existe um outro exemplo muito recente sobre o assunto de morte impactante. Sem entrar em muitos detalhes para evitar spoilers para quem ainda não assistiu o filme, mas a maneira como Logan lida com a despedida dos personagens é muito boa, sendo marcante por colocar um fim de uma era e tudo aquilo que o personagem representava.

Isso não vai acontecer caso matem Jean Grey já no próximo filme. A personagem em sua nova versão mal chegou nos cinemas, mal se desenvolveu, se relacionou com os outros X-Men ou conquistou o público. Matar ela agora não faria a menor diferença para o público. Na verdade, ainda que seja motivo de piada para a maioria dos fãs, talvez a morte da Mística trouxesse mais reações, uma vez que ela não só ganhou destaque (e protagonismo) nos últimos 3 filmes, como traria um impacto grandioso para os personagens ao seu redor.

É por essa razão que uma trilogia da Fênix seria a melhor aposta do estúdio para contar uma história mais fiel ao material de origem, conseguindo ter tempo suficiente para adaptar tudo que era necessário e conseguir explorar todo o potencial de seus personagem – incluindo a Jean.

Colocá-la como protagonista e uma das grandes heroínas de três filmes faria com que sua popularidade crescesse entre o público, estabeleceria de forma consistente seu relacionamento com os outros mutantes e deixaria ainda mais chocante a reviravolta que a coloca como vilã. Mais que isso, sua morte realmente impactaria o público, uma vez que eles acompanharam a jornada da moça por mais três filmes.

Dessa forma, poderíamos ter um filme contando a história sobre o Cristal M’Kraan, desenvolvendo os poderes da Jean como Fênix (mesmo sem envolver a entidade cósmica); Um envolvendo o início da corrupção de Jean Grey enquanto os X-Men lutam contra o Clube do Inferno, terminando com a nossa mutante assumindo o manto da Fênix Negra; E um último filme com as lutas dos X-Men contra Jean, a Guarda Shi’ar e a redenção da heroína.

Mas infelizmente – e eu realmente espero estar errado – tudo indica que teremos um filme apressado, com personagens demais (incluindo mais uma vez Mística e Magneto que não possuem nenhum papel na saga dos quadrinhos) e uma trama que tinha tudo para dar certo, mas que acaba frustrando os fãs.

O que vocês esperam de X-Men: Fênix Negra? Acha que eles conseguirão trazer todo o impacto da saga para os cinemas? Comentem!

Não deixe de conferir as últimas notícias sobre o filme, a nossa lista com o que gostaríamos de ver nessa adaptação e a nossa galeria com as últimas imagens divulgadas:

X-Men: Fênix Negra estreou nos cinemas dia 7 de junho de 2019.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"