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Crise na Terra-X: Partes 3 e 4 – Eu não estava preparado para isso!

Por Mike Sant'Anna

Pois bem senhoras e senhores, chegamos na parte final deste mega-evento da CW reunindo suas séries de TV que adaptam o universo da DC Comics, Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow. Caso você ainda não tenha lido a análise do Chris Rantin sobre o primeiro dia do crossover, você pode clicar aqui. Porque agora eu vou pedir para você apertar muito bem os cintos, e entrar nessa viagem incrível que foi provavelmente a coisa mais próxima de imprimir as páginas dos quadrinhos na tela de uma TV, na história das séries de heróis.

Após um primeiro dia do evento, trazendo o arco introdutório desta trama envolvendo a Terra-X e os dopplegangers nazistas, sobraram para os episódios de The Flash e Legends of Tomorrow apresentar a conclusão no segundo dia. Então coube ao episódio de Flash nos trazer a adrenalina de grandes sequências de ação, e coube à Legends of Tomorrow nos fazer ficar sentados em posição fetal em frente à TV enquanto sorríamos em meio às lágrimas que ainda secavam.

Começamos o episódio com uma cena no campo de concentração na Terra-X, onde a série tenta nos mostrar o que seria um mundo ainda controlado pelo nazismo, obviamente, a série se deixa ser lúdica e simplista o suficiente, por se tratar de um história de quadrinhos, mas também principalmente pois uma mensagem estava sendo passada aqui. Então acabamos vendo um discurso bastante inflamado da versão nazista de Quentin Lance para a versão de Sara que não era sua filha, e acompanhamos nossos heróis para a execução iminente, apenas para sermos apresentados a uma pessoa que estávamos com muita saudade, Leonard Snart, mas a versão da Terra-X, muito mais “carinhoso”, preocupado, homossexual – assim como o ator que o interpreta – e assim conhecíamos o Cidadão Frio, que veio para salvar o novo herói da CW também, The Ray.

Enquanto isso na Terra-1 continuávamos vendo  o plano de Nazi-Oliver de salvar sua amada Overgirl, enquanto contava com a ajuda de Eobard Thawne – que eu quero tirar um minuto para apreciar mais uma vez o retorno de Tom Cavanaugh no papel de Flash Reverso, do qual ele nunca deveria ter saído, ele nasceu para esse papel – O que trazia uma certa nobreza para os vilões, e trazia uma certa luz de que, não importa o universo, Oliver Queen sempre fará qualquer coisa por aqueles que ama.

O episódio de The Flash termina com uma sequência eletrizante dentro de um galpão, onde nossos heróis tentavam voltar para casa, e eu devo dizer que toda essa sequência cumpriu perfeitamente o seu propósito, de mostrar uma enorme batalha envolvendo diversos super-heróis, até mesmo uma versão feminina do Tornado Vermelho, que provavelmente foi inspirada na versão da Terra-2 dos Novos 52, onde Lois Lane é a Tornado Vermelho. E nesta sequência, nós tivemos o início do já citado atropelamento emocional.

Quando o Professor Martin Stein toma o primeiro tiro, nós ficamos imaginando o que a série iria fazer para mantê-lo vivo, qual seria o mecanismo utilizado, porque é isso que você espera de uma aventura como este crossover, você não esperava que o evento fosse matar o Professor Stein. E mesmo que você esperasse isso, nada te prepararia para a intensidade que foi toda a sequência de Jax descobrindo que teria que deixar a sua figura paterna morrer. Foi uma cena linda, emocionante, impactante, que eu particularmente só parei de chorar após Jax ter ido dar a notícia para Clarice e sua filha. E isso só aconteceu porque não havia nem mesmo terminado de digerir a informação que o professor havia morrido de fato, e já estava me deparando com uma grande sequência de batalha super-heroica com direito à duas naves viajantes do tempo voando pelo espaço atirando uma na outra, enquanto dois velocistas se socavam em alta velocidade por toda a cidade, ao passo que duas kriptonianas voavam pelos céus de Central City como dois mísseis, sobrevoando um exército de nazistas de outra dimensão lutando contra uma dezena de super-heróis com poderes fantásticos e vigilantes bem treinados.

Todo esse frenesi veio ao fim com uma grande explosão da Overgirl, Flash Reverso correndo com o rabo entre as pernas e Oliver Queen matando seu doppleganger, e antes que mais uma vez você pudesse digerir toda a animação desta sequência, você é rapidamente transportado para o velório de Martin, que te traz de volta aqueles sentimentos pesados, uma dor no coração com esta despedida, e este mérito devemos dar ao ator Franz Drameh, que carregou o peso da cena do velório sozinho, ao contrário da cena da morte de Stein, onde ele dividiu os méritos com o ilustre Victor Garber. E antes de podermos lidar com os sentimentos do velório, estávamos presenciando um casamento duplo, que já estávamos tao embalados em sentimentos fortes e impactantes que nem ligamos muito pro fato daquilo não fazer muito sentido, nós só estávamos num misto de sorrisos, lágrimas e palmas.

Mas acima disso tudo, além de todo o espetáculo apresentado, Crise na Terra-X merece uma salva de palmas por ser o que os quadrinhos sempre foram em sua principal essência. Desde a criação do Superman pelas mãos de dois Judeus, passando pelo Capitão América socando Hitler, a criação dos X-Men, entre outros exemplos, os quadrinhos representavam uma voz, os quadrinhos davam voz, eles entretinham, mas eles aumentavam essa voz daqueles que muitas vezes precisavam ser ouvidos, uma voz que gritava contra injustiças. Por isso devemos aplaudir este crossover por trazer um time de super-heróis compostos por homens e mulheres brancos, negros, muçulmanos, judeus, héteros, bissexuais, homossexuais, juntos… Descendo a porrada em Nazista.

Obrigado CW, até o ano que vem!

Veja também nossa galeria sobre o próximo episódio de Flash:

The Flash vai ao ar às terças-feiras, no CW.

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sobre o autor Mike Sant'Anna

Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço... É bem retardado.