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Quem é Johanna Constantine, personagem confirmada na série de Sandman?

Por Chris Rantin

A notícia de que Johanna Constantine estaria presente na série live-action de Sandman pegou algumas pessoas de surpresa. Não demorou muito para a internet ficar cheia de comentários raivosos com a “mudança de gênero” que a “série lacradora” tinha feito com o ocultista John Constantine

Diante disso, criamos essa lista para explicar, de uma vez por todas, que a série não mudou o carismático trapaceiro da DC Comics, já que Johanna existe nos quadrinhos e não é uma versão feminina do Constantine. Então prepare os seus feitiços e venha comigo conhecer mais sobre essa personagem! 

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Criação

Johanna Constantine foi criada por Neil Gaiman e Michael Zulli, ainda em fevereiro de 1990, na 13º edição do segundo volume de Sandman, a quarta parte do elogiado arco Casa de Bonecas.

Como fica claro pela sua conexão com John Constantine, a personagem foi criada como um tributo ao icônico Alan Moore, responsável por dar vida ao ocultista mais amado da DC Comics.

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Primeira aparição

Na história de sua primeira aparição, Constantine é uma antagonista de Morfeu, surgindo na trama após planejar um encontro com ele por dois anos. Criando uma armadilha, ela embosca o Perpétuo em seu encontro centenário com o humano Hob Gadling. Isso porque, Johanna pensava que o Sonho era um demônio, uma figura que ela estava caçando para conseguir o que mais desejava.

Para escapar da moça, Sandman a ataca com sua areia, fazendo com que ela caia em um sonho sobre todo mundo que ela já havia machucado. Mais tarde, em uma de suas conversas com Hob, Morfeu revela que lembrou de Johanna anos depois, e entrou em contato com ela para uma missão -- ainda que não revele o assunto que tratou com ela para o seu amigo humano.

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Nobre, pobre e aventureira

Johanna Constantine viveu de 1760 a 1859, sendo uma nobre aventureira e ancestral de John Constantine. Filha dos poderosos Lord e Lady Constantine, ela ficou órfã após seus pais serem enforcados por traição.

Com isso, Johanna passou a viver uma vida humilde e cheia de dificuldade, criando sua filha Mouse como uma mãe solteira, mentindo que a criança era seu irmãozinho.

Sua vida só foi mudar em 1785, quando ela foi requisitada pelo Rei George III para encontrar a Caixa de Pandora, prometendo devolver o título de lady e a fortuna da dama caso ela tivesse sucesso.

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Equidna, Mouse e Pandora

Disposta a completar sua missão, ela encontrou a Caixa de Pandora com a ajuda do Monstro do Pântano e a abriu, libertando Equidna, a Mãe dos Monstros e uma horda de terrores do seu interior.

Mas é claro que a Constantine não estava despreparada para sua missão. Selando a sala em que estava, ela prendeu as criaturas em uma nova jaula, obrigando as monstruosidades a cumprirem o pacto que haviam firmado. Johanna exigiu que Equidna respondesse três perguntas e não perdeu tempo com conversinhas.

Primeiro ela perguntou sobre a origem da Caixa, descobrindo a relação com Pandora e como a jovem imperatriz foi amaldiçoada com a vida eterna, condenada a não conseguir morrer exceto pelas mãos das criaturas aprisionadas dentro da caixa.

Depois ela questionou qual era a chave para conseguir poder e fortuna, recebendo como resposta um enigma, sobre “o Diabo e o Judeu Viajante” que se reuniam em uma taverna uma vez a cada século -- o que é a motivação para o encontro dela com Sandman em sua primeira aparição nos quadrinhos.

A terceira pergunta foi sobre os feitiços que selaram a Caixa pela primeira vez, descobrindo como poderia aprisionar Equidna e a horda demoníaca mais uma vez. O truque quase não dá certo, uma vez que a criatura cumpre o acordo e escreve a palavra no chão, agarrando Johanna para impedir que ela conseguisse ler.

É então que Pandora, em todo seu poder e feitiçaria, invade a sala pedindo para ser morta e finalmente ter paz. Quando a imperatriz é atacada, Johanna consegue se libertar e lê a palavra mágica, mas infelizmente as criaturas arrastam tanto Pandora quanto Mouse, a filha da Constantine, para dentro do artefato.

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Sandman, pactos e Orfeu

Como mencionei anteriormente, Sandman confessa ter encontrado Johanna e trabalhado com ela. Ainda que detalhes do pacto dos dois nunca tenha sido revelado, sabemos que o Perpétuo prometeu “uma recompensa que estaria em seu poder”, algo que nunca foi revelado para os leitores. A missão da aristocrata, no entanto, ganha destaque nas páginas dos quadrinhos.

Lady Johanna Constantine foi a responsável por resgatar a cabeça de Orfeu, o filho do Sonho, de uma prisão da revolução francesa. Quando a missão dá errado e Johanna acaba presa, quase indo para a guilhotina, ela sonha com o Perpétuo e os dois criam um plano que funciona muito bem.

Conhecendo os talentos de Orfeu, ela pede para que a cabeça cante, deixando os revolucionários emocionados o bastante para que Constantine e Orfeu consigam escapar.

Concluindo sua tarefa com sucesso, Johanna entrega a cabeça de Orfeu para um sacerdote grego, garantindo a segurança da entidade.

Como sabemos, eventualmente Morfeu encontra seu fim através de Orfeu, então podemos dizer que Johanna teve um papel significativo em colocar os eventos em movimento. A história da dama em Sandman, no entanto, não ganha mais destaque depois desta missão.

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Morte, música e queda

Aos 99 anos, Lady Constantine encontrou seu fim. Sem perder sua língua ferina, ainda que agora esteja um pouco rabugenta, vemos Johanna pela última vez na sétima edição do primeiro volume de The Dreaming, lançada em 1996.

Em uma cadeira de rodas, Johanna reclama que está sendo trata como uma criança por sua ajudante, que tenta fazer com que a dama vá até a sala celebrar o seu 99º aniversário com sua família.

É então que a Constantine sorri ao ouvir uma canção que ele estava cantando, se referindo a Orfeu. Ciente de que isso significava que sua vida estava chegando ao fim, Johanna se levanta e cai no chão, com o quadrinho seguinte mostrando a cruz egípcia ankh, o símbolo da vida eterna que nos quadrinhos é o sigilo da Morte.

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Legado, lápide e tributo

Seu papel em resgatar a cabeça de Orfeu não foi esquecido. Por isso, um túmulo em honra ao legado de Johanna Constantine foi erguido na Ilha de Orfeu, sendo cuidado diariamente pelos sacerdotes até o dia da morte de Orfeu.

Sua lápide diz: "Seja para as virtudes dela bem gentil, seja para as falhas dela um pouco cego."

Vemos seu túmulo durante a visita que Sandman e Delírio fazem à ilha, buscando da sabedoria de Orfeu para encontrar Destruição, o Perpétuo perdido. Sonho joga uma flor em sua lápide antes de partir.

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Poderes e Habilidades

Como John Constantine, Johanna possui habilidades ligadas ao ocultismo, o que se mostra muito útil para as aventuras que ela assume ao longo da história.

Apesar de ter treinamento mágico, a personagem prefere utilizar isso como último recurso, usando principalmente do seu intelecto rápido para trapacear, manipular e enganar os outros -- assim como o próprio John.

Em diversos momentos vemos a personagem usando seus talentos físicos ao invés da magia. Com uma grande rede de contatos, Johanna já foi vista seduzindo figuras importantes, que posteriormente se provaram aliados relevantes para salvá-la de dificuldades -- como foi o caso do pensador Louis Antoine León de Saint-Just que a ajudou durante o resgate da cabeça de Orfeu.

A personagem também aparece usando armas de fogo, facas e qualquer ferramenta que surgir em seu caminho para conseguir o que deseja.

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Em Sandman

Na série da Netflix, Lady Johanna Constantine será interpretada por Jenna Coleman. A atriz é conhecida principalmente por seu trabalho em Doctor Who.

Em seu currículo, Coleman também possuí os títulos Victoria, Em Prantos, Como Eu Era Antes de Você e até mesmo uma rápida participação em Capitão América: O Primeiro Vingador.

Junto da escalação, a Netflix divulgou uma breve descrição de como a Constantine será na série: Uma exorcista assombrada e uma aventureira do oculto de aluguel.

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Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"