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Os 10 melhores títulos de novembro da Nova e Diferente Marvel!

Por Gus Fiaux

Novamente, o critério utilizado não se restringiu ao roteiro, mas também à arte e à proposta da revista. Para uma análise mais imparcial e justa, só foi levado em conta a primeira edição de cada revista, tendo em vista que algumas já receberam sua segunda edição (devido ao formato quinzenal) enquanto outras mensais continuam com uma.

E lembrando sempre que se trata de uma opinião pessoal do autor da matéria – no caso, eu. Então se discorda, deixe o seu parecer no local de sempre!

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Carnage

Um dos títulos que mais me despertava receio, por detestar histórias solo de vilões genéricos - em especial, Venom e suas cópias - Carnage foge do clichê, e traz algo bem construído e genial em termos de narrativa, suspense e atmosfera.

A série conta com um roteiro pesado de Gerry Conaway, que traz o psicopata Cletus Kasady atrás de uma última vítima que sobreviveu a um de seus primeiros ataques. Ele pouco sabe, no entanto, que ela está sendo utilizada de isca para que possam capturá-lo.

Isso desencadeia em uma trama ainda maior, que envolve uma fuga do vilão - e o início de um jogo de gato e rato, brilhantemente complementado pela arte claustrofóbica de Mike Perkins.

Nota: 7,7

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Illuminati

Há tempos não víamos algo tão divertido e enigmático com vilões da Casa das Ideias. Illuminati, de Joshua Williamson e Shawn Crystal é uma série instigante, que inicia focada na Titânia, em liberdade condicional, e lutando para se provar alguém digna e livre do mundo do crime.

Porém, tudo muda quando ela entra em apuros e acaba sendo ajudada pelo Capuz, que está fazendo alguma maquinação grande envolvendo um grupo de super-vilões.

A revitalização dos ideais da equipe foi bem-vinda, assim como a arte de Crystal. O roteiro, por vezes, peca por ser verborrágico demais, mas ainda assim nos traz uma história decente e que será interessante de ser acompanhada nos próximos meses.

Nota: 8,0

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Ms. Marvel

Kamala Khan é a heroína da década, e seu título anterior prova bem isso. Agora, na nova revista escrita por G, Willow Wilson e desenhada por Takeshi Miyazawa e Adrian Alphona, isso se intensifica e temos um ótimo desenvolvimento de personagem, enquanto Kamala descobre os caminhos da desilusão amorosa adolescente. Bons tempos.

A história é boa, e apela para uma maior construção da identidade de Kamala, e passa uma sensação gostosa de heroína da molecada, como era o Homem-Aranha há cinquenta anos.

O único problema, contudo, foi a quantidade extra de páginas, que deixou a revista um pouco cansativa, até mesmo por conta dos diálogos inflados. Ainda não está no nível da revista pré-Guerras Secretas, mas sem dúvida merece destaque.

Nota: 8,0

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All-New Hawkeye

Uma história que recicla conceitos narrativos e vilões de outras séries da Marvel, o totalmente novo Gavião Arqueiro - e a totalmente nova Gaviã Arqueira - adentram em uma aventura bem escrita, nas mãos de Jeff Lemire.

O escritor, para compensar seu vergonhoso trabalho em Extraordinary X-Men, traz um roteiro que sabe manejar referências à histórias anteriores, e apesar da renumeração, funciona melhor como continuação da série que existia antes das Guerras Secretas.

A arte de Ramón Pérez é competente, e consegue funcionar bem na hora de diferenciar o que é presente e o que é futuro. Resta saber se algo com um planejamento tão espaçado entre linhas temporais terá tanto impacto na cronologia dos personagens ali inseridos.

Nota: 8,2

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All-New, All-Different Avengers

Um verdadeiro marco na história da equipe, os Novos e Diferentes Vingadores da nova fase da Marvel nos quadrinhos vieram para revitalizar e reconstruir os padrões da equipe que sempre foi conhecida por não seguir padrões bem definidos.

Depois da brilhante fase de Jonathan Hickman à frente de Avengers e New Avengers, é uma surpresa ver como um autor da nova revista, Mark Waid, consegue manejar algo que, ainda que não seja formidável, demonstre o potencial para tal.

Na história, vemos a nova formação da equipe enfrentando dois vilões bem peculiares, e história em si fica inconclusa até a chegada do próximo número. A arte de Mahmud Asrar, que me incomodava em títulos como Wolverine and the X-Men acabou tendo um papel mais bem desempenhado aqui em uma história bônus, e acaba sendo melhor que a arte de Andy Kubert, que ilustra a história principal.

Nota: 8,3

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The Mighty Thor

Jason Aaron tinha feito um trabalho fantástico em sua série Thor: God of Thunder, e ao tornar o filho de Odin em alguém indigno de portar o Mjölnir, e fazer com que uma nova e misteriosa personagem pudesse ser a Thor, o escritor manteve a mesma qualidade, ampliando para temas bem diferentes e ao mesmo tempo familiares às origens do personagem.

Aqui, na segunda série da personagem, encontramos a heroína - cuja identidade secreta não revelaremos por ainda ser, teoricamente, surpresa para leitores nacionais - tomando a responsabilidade de honrar a Terra e Asgard, enquanto é acusada de várias frentes diferentes.

A arte de Russell Dauterman cria uma aura ainda mais fantástica para a série, que deve ter um futuro épico pela frente, especialmente com o retorno de um personagem clássico para criar polêmica na vida de Thor.

Nota: 8,5

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All-New Wolverine

Alguns males vêm para o bem, e a morte do Wolverine é com certeza, um deles. Isso deu liberdade para que outra personagem, que vinha crescendo gradualmente na última década, tivesse a oportunidade de carregar o legado do herói.

E é isso que Laura Kinney, a ex-X-23 faz. E em vez de seguir o roteiro clichê da "personagem que está indeciso e não sabe como carregar o manto do herói anterior, devido ao seu legado", vemos algo completamente diferente na revista de Lopez, Taylor e Navarrot.

Aqui, Laura assume o manto do Wolverine, e parte pra ação sem ter medo ou se sentir insegura por "n" razões. Ela é uma heroína completa, e agora tem que se preocupar com um exército de clones sendo colocadas contra ela, algo na melhor pegada do seriado Orphan Black.

Nota: 8,7

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Spider-Woman

Já estamos numa era de fortes personagens femininas nos quadrinhos, que escapam do estereótipo de donzela indefesa ou de femme fatale sem personalidade - basta dar uma olhada em mais da metade dessa lista para constatar o domínio de heroínas - e agora é hora de falarmos de alguém que combate o crime grávida.

A nova revista da Mulher-Aranha traz a personagem em um estágio avançado da gravidez, prestes a ter seu filho, e ainda assim, sempre que possível, imersa na ação, ainda que não em combate.

Ela é mentora de um novo herói que a substitui em conflitos físicos, mas algo inesperado acontece ao final da edição, e parece que trará Jessica de volta para o centro da ação. O roteiro de Dennis Hopeless é louvável, e a arte de Javier Rodriguez é o maior ponto alto da edição.

Nota: 9,0

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Moon Girl and Devil Dinosaur

Ao olhar de primeira, é um título que facilmente ignoramos e deixamos de lado, por nem sequer parecer algo que exale Marvel pelos poros. Contudo, é, particularmente, uma surpresa agradabilíssima, e cheia de pontos interessantes a serem discutidos.

O primeiro deles é a própria história de Brandon Montclare e Amy Reeder, que segue uma adorável garotinha genial - que, apesar de muito inteligente, em momento algum é pedante, chamada Lunella. Ela logo descobre um artefato curioso e acaba convocando seres estranhos, incluindo o Dinossauro-Demônio.

O plot é envolvente e passa num piscar de olhos, sem apelar para uma verborragia que seria clássica em personagens mais intelectuais. A série tem todo um ar de quadrinho indie, e é algo gostoso de se ler em meio à Marvel.

Nota: 9,4

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Vision

Ainda falando de quadrinhos com uma vibe indie, podemos mencionar a nova série mensal do Visão, que decidiu reconfigurar seus padrões de personalidade e esquecer suas emoções, dessa forma, criando sua própria família e se mudando para uma nova cidade.

A revista, escrita por Tom King - guardem esse nome - e desenhada com o traço magistral de Gabriel Walta, foge de tudo que conhecemos do Visão até agora, e o confere um ar superior de herói - ainda que a questão do heroísmo em si esteja pouco presente.

A primeira edição tem um ar bem melancólico, que vai sendo reforçado pela arte, culminando em um final bombástico, que deve dar os rumos para as próximas edições.

Nota: 9,8

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux