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Os 15 melhores jogos de terror de todos os tempos

Por Arthur Eloi

Sempre que uma nova mídia aparece, o horror é um dos primeiros gêneros a dar as caras. Foi assim com o cinema, e também é o caso dos videogames. Assim que os games começaram a se sofisticar, os jogos de terror passaram a ficar cada vez mais ousados e assustadores.

Com décadas de obras macabras para revisitar, separamos abaixo os 15 melhores jogos de terror de todos os tempos. Algo ficou de fora da lista? Deixe suas indicações nos comentários no fim da página!

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Silent Hill

Nos anos 1990, pouco após a CAPCOM ter enorme sucesso com Resident Evil, a Konami montou uma equipe para criar sua própria franquia de survival horror. O que o estúdio conhecido como Team Silent entregou em 1999 logo se tornou uma das obras definitivas do gênero.

Diferente de Resident Evil, Silent Hill foca na atmosfera opressiva da cidade titular, tomada por névoa e criaturas grotescas como cenário para a busca de Harry Mason por sua filha, Cheryl. Mesmo com gráficos datados (afinal, é um jogo de PS1), o game se sustenta até hoje por seu clima tenso, ritmo perfeito, temática de ocultismo.

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Resident Evil (2002)

Resident Evil foi o primeiro contato de muitos com o horror, e isso é justificado. De 1996 à 1999, a CAPCOM lançou no PlayStation 1 uma trilogia igualmente assustadora, divertida e repleta de ação e exploração. Mas o melhor game da fase clássica da franquia é, na verdade, a versão reimaginada do título original.

O remake de Resident Evil foi lançado em 2002 para o Gamecube, e eleva todos os melhores elementos do clássico: a exploração, o combate, a busca por itens especiais e chaves, as criaturas bizarras. Dessa vez, porém, tudo é refeito com uma abordagem mais sombria (ao invés das caricatas frases do original), e com um marcante visual gótico. O pesadelo da equipe da STARS na Mansão Spencer já conquistava em 1996, mas foi só em 2002 que ganhou sua forma definitiva.

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Clock Tower

Considerado o primeiro sucesso do terror nos games, Clock Tower foi originalmente lançado em 1995, exclusivamente no Japão para o Super Famicom (a versão original do Super Nintendo). O game pode ser criticado por sua jogabilidade engasgada, mas todos os elementos que o tornaram tão marcantes seguram as pontas até hoje.

Clock Tower acompanha uma mulher presa em uma mansão com um serial killer, e é fortemente inspirado pelo giallo, os filmes italianos de maníacos assassinos, em especial pela obra de Dario Argento (Suspiria). Isso fica muito visível no vilão com tesouras gigantes e em toda a estética do game, que só ganhou um macabro charme retrô com o passar dos anos. Além disso, é impossível matar ou lutar contra o serial killer, apenas correr e se esconder - tendência que só viria a se tornar dominante no terror a partir da década de 2010.

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Alone in the Dark

Antes de Resident Evil mudar tudo nos consoles, Alone in the Dark já brincava com muitos de seus elementos no PC. A trilogia, desenvolvida pela Infogrames entre 1992 e 1994 para o PC acompanha um detetive particular investigando um estranho caso de suicídio que ganha ares sobrenaturais.

Inspirado pelo horror cósmico de H.P. Lovecraft, Alone in the Dark é considerado o primeiro survival horror em 3D, e estabeleceu a fórmula e a jogabilidade que viria a definir o gênero com o sucesso de Resident Evil. De quebra, na época a trilogia ainda recebeu dublagem em português do Brasil.

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Fatal Frame II: Crimson Butterfly

Já nos anos 2000, games de terror com algum tipo de combate ou ação eram a norma. A série Fatal Frame então desvirtuou isso ao colocar uma forma de enfrentamento, mas que não cria nenhuma sensação de segurança no jogador. Muito pelo contrário, uma que ajuda na tensão.

Crimson Butterfly, lançado para o PlayStation 2 em 2003, coloca o jogador para explorar um vilarejo amaldiçoado, repleto de assombrações letais. Como forma de sobreviver, é preciso tirar fotos das almas penadas com um item chamado Camara Obscura - porém, a única forma efetiva de ganhar pontos e se livrar dos espíritos é chegar desconfortavelmente perto deles. Para os fãs de horror japonês, Fatal Frame é um prato cheio de tensão e sustos.

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Resident Evil 4

Hoje reconhecido como um excelente jogo, o remake de Resident Evil para o GameCube foi considerado um fracasso comercial em 2002. Por conta disso, a CAPCOM decidiu que era hora de mudar a fórmula da franquia em 2005. O resultado é Resident Evil 4, um dos melhores jogos já feitos.

Na pele de Leon S. Kennedy, o ex-policial que protagonizou Resident Evil 2, o game coloca o jogador para explorar uma vila no leste europeu, em busca da filha sequestrada do presidente dos Estados Unidos. A jornada é marcada por um horror rural sujo, ensanguentado e muito violento, que se expande para cultos, castelos e também monstros gigantes. Tanto o ritmo quanto a jogabilidade de Resident Evil 4, na época uma revolução para os jogos de tiro em terceira pessoa, seguem exemplares até os dias de hoje, com muita tensão surgindo ao tentar alinhar tiros certeiros na cabeça de inimigos e economizar recursos.

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Silent Hill 2

O primeiro Silent Hill já era uma obra redonda em atmosfera, narrativa e jogabilidade. É surpreendente então como, de alguma, a Team Silent conseguiu entregar algo ainda melhor para a continuação, lançada no PlayStation 2 em 2001.

Silent Hill 2 reutiliza apenas a ambientação do original, mas desta vez com uma história muito intimista ao acompanhar James Sunderland se perdendo na cidade fantasma ao receber uma estranha carta de Mary, sua falecida esposa. Aqui, o local serve como uma espécie de purgatório, com as manifestações dos traumas reprimidos do protagonista se manifestando em criaturas e cenários macabros. Mesmo se você já sabe da grande reviravolta, Silent Hill 2 é uma obra-prima de ambientação e trama repleta de significados.

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Manhunt

No cinema, o terror é feito de uma enorme variedade de subgêneros. Um dos mais polêmicos é, sem dúvidas, o snuff, feito a partir de filmagens supostamente reais de violência explícita. Em 2003, a Rockstar levou isso para os jogos com Manhunt.

Na trama, um prisioneiro do corredor da morte recebe uma proposta de liberdade. Para isso, porém, ele precisa participar de um reality show em que é caçado por criminosos, e o único jeito de sobreviver é matando seus oponentes das formas mais violentas o possível. Manhunt sempre foi um polêmico, e até hoje suas mortes são de embrulhar o estômago. Filmes como Jogos Mortais, O Albergue e muitos outros demonstraram que o terror nem sempre é sobre sustos e tensão, e que o choque de se deparar com violência tão explícita pode criar uma resposta tão repulsiva quanto o medo. Nesse caso, Manhunt tira isso de letra.

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F.E.A.R.

Muita gente acha que horror e ação não podem funcionar juntos, mas o game da Monolith de 2005 é a prova de que é possível sim encontrar um bom equilíbrio. Grande febre do começo dos anos 2000, F.E.A.R conseguiu juntar o boom dos shooters em primeira pessoa com o horror de espíritos e assombrações.

F.E.A.R. acompanha uma equipe militar especial que é enviada para lidar com eventos paranormais, envolvendo uma garotinha possuída. O grande acerto do game é combinar tanto momentos intensos de tiroteio, com toques tanto de Half-Life quanto Max Payne, com seções bastante tensas, incluindo aparições e jumpscares muito bem conduzidos. Dessa forma, F.E.A.R. é igualmente macabro e divertido!

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Dead Space

Em 2008, com tantas franquias já estabelecidas de horror, a Visceral Games inovou ao apresentar Dead Space, survival horror inspirado pelo terror sci-fi de Alien - O Oitavo Passageiro (1978). A trama acompanha o engenheiro espacial Isaac Clarke, que vê seu trabalho a bordo de uma nave se tornar um pesadelo quando o lugar é infestado por Necromorphs, criaturas alienígenas formadas a partir de cadáveres humanos deformados. Assim começa sua luta pela sobrevivência.

Com maior foco em ação, Dead Space pega a base de Resident Evil e a coloca em um jogo ainda mais claustrofóbico e explícito, com momentos de silêncio sendo interrompidos por intensos tiroteios e verdadeiros banhos de tripas e sangue. Seja por caminhar por corredores escuros sozinho, ou então contar cada munição desperdiçada, Dead Space é de te deixar arrepiado e angustiado durante toda a experiência.

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Amnesia: The Dark Descent

Durante a primeira década dos anos 2000, os grandes jogos de horror foram progressivamente focando mais em ação do que tensão, especialmente com a alta dos shooters durante a geração do Xbox 360 e PlayStation 3. Em 2010, os desenvolvedores independentes da Frictional Games decidiram resgatar a noção de jogos de terror em que o jogador não pode revidar, apenas correr e se esconder, como era o caso de Clock Tower. Assim surgiu Amnesia: The Dark Descent.

Muito mais silencioso e imersivo que seus contemporâneos, o objetivo de The Dark Descent é enlouquecer o jogador ao colocá-lo na pele de um homem que acorda em um estranho castelo sem memória, que precisa vagar pelos corredores para lembrar como chegou lá e como escapar. Entre documentos de texto e sustos, Amnesia entrega cenas de perseguição, monstros invisíveis e todo tipo de situação traumática em que a única coisa que você pode fazer é fugir. O sucesso do jogo, particularmente no Youtube, foi tão grande que iniciou toda uma leva de experiências parecidas.

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Outlast

Seguindo a febre de Amnesia em 2013, Outlast decidiu manter a perspectiva em primeira pessoa e a noção de que o jogador só pode fugir, mas elevou o grau de desgraças enfrentadas.

Desenvolvido pela Red Barrels, o game coloca o jogador como um jornalista chamado para investigar procedimentos estranhos em um manicômio. Lá, ele é raptado e precisa encontrar uma forma de fugir de um estranho culto da morte, documentando com sua câmera todos os horrores que acontecem dentro do local. Outlast não tem medo de traumatizar o jogador, com monstros te perseguindo, muita violência gráfica e extensas seções escuras onde sua única forma de enxergar é através da visão noturna da câmera - que come baterias com velocidade incrível.

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P.T. (Silent Hills)

Como pode a demo de um projeto cancelado ser considerada um dos melhores jogos de terror já feitos? Qualquer um que jogou P.T. (ou Playable Teaser) sabe que esse lugar é mais do que merecido. Pensado para servir como anúncio e demonstração do então-inédito Silent Hills, o teaser é uma obra-prima de ritmo e atmosfera que foi capaz de inspirar todo um movimento de jogos.

P.T. é fruto da mente de Hideo Kojima (Death Stranding, Metal Gear Solid) com o diretor Guillermo Del Toro (A Forma da Água, O Labirinto do Faúno), e coloca o jogador para explorar o corredor de uma casa bastante mundana. Ao chegar ao fim do corredor, porém, fica claro que o jogador está preso em um loop, e que a cada novo ciclo, as coisas ficam mais medonhas e estranhas. Com cerca de uma hora de jogo, e algumas condições específicas para liberar o teaser de Silent Hills, P.T. constrói tensão de primeira qualidade, com viradas sufocantes, macabras e memoráveis, como o narrador de rádio que pede que o jogador não se vire, ou então a presença de Lisa, fantasma que pode ser avistada em todas as partes da casa - inclusive, sempre fora da visão do player, vista apenas em sombras.

O teaser foi lançado de surpresa em 2014, sem maiores informações, e só foi revelado como a demo de Silent Hills graças à curiosidade e ao esforço coletivo de comunidades online. Infelizmente, o game completo foi cancelado após desentendimentos entre Hideo Kojima e a Konami. A empresa foi além e apagou P.T. dos servidores do PlayStation 4, se tornando uma verdadeira raridade. Esse vulto fantasmagórico de jogo, quase como uma fita perdida amaldiçoada, inspirou tanto trechos dos novos Resident Evil como também uma leva de projetos independentes. Qual outra demo - ou até mesmo jogo completo - foi tão marcante e influente quanto P.T.?

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Alien: Isolation

Pela ação frenética, os videogames costumam gostar mais de Aliens, O Resgate (1986) do que de seu antecessor, Alien - O Oitavo Passageiro (1979). Após anos de adaptações repletas de tiroteio, o clássico de Ridley Scott enfim foi homenageado com uma sequência direta em 2015.

Alien: Isolation é estrelado por Amanda Ripley, filha de Ellen Ripley (Sigourney Weaver), a protagonista do filme clássico, que parte em busca da nave perdida de sua mãe, a Nostromo. No meio do caminho, ela se depara com o Xenomorph, e entra em uma verdadeira luta pela sobrevivência enquanto é caçada pela criatura. Mesmo com um único antagonista, Alien: Isolation cria tensão de roer as unhas, com muito silêncio e o constante medo de ser vítima de um inimigo igual sagaz e letal. O game é muito criticado por sua longa duração, mas é sem dúvidas uma das melhores obras já feitas na franquia Alien.

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Dead By Daylight

Como ficou claro ao longo da lista, muitos jogos de terror deixam claro suas influências no cinema, mas nenhum vai tão longe na reverência quanto Dead by Daylight. Lançado em 2016, o game da Behaviour é um multiplayer online em que quatro jogadores assumem o papel de sobreviventes que precisam resolver tarefas para escapar de um assassino, também controlado por um jogador cujo único objetivo é derramar sangue.

Toda a premissa é inspirada por slashers, filmes de maníacos como Sexta-Feira 13 e Halloween. Por ser um dos subgêneros mais populares do horror, muitos jogos tentaram, mas nenhum traduz a dinâmica, as reviravoltas e os medos dos filmes que nem Dead By Daylight - algo especialmente desafiador de fazer em um ambiente online, mas que o jogo faz parecer fácil. Ao longo de seus cinco anos de vida, o game foi além e passou a reunir assassinos e sobreviventes consagrados em seu elenco, como Michael Myers (Halloween), Leatherface (O Massacre da Serra-Elétrica), Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo), Pyramid Head (Silent Hill), Nemesis (Resident Evil 3), entre muitos outros. A presença de fases e habilidades temáticas ainda mudam tudo, com cada assassino demonstrando em suas vantagens únicas o nível de atenção e comprometimento que a Behaviour colocou em sua criação. Dead by Daylight é uma verdadeira celebração do horror em todas as suas formas, feita com muito carinho pela história da desgraceira no cinema e nos games.

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Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117