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Mark Millar: Todas as adaptações do autor, da pior à melhor

Por Melissa de Viveiros

Mark Millar é um grande nome quando se trata de quadrinhos. Seja escrevendo para heróis da Marvel e da DC ou em histórias originais, seu trabalho é conhecido por ser inovador. Em um meio onde é simples se ater aos parâmetros já criados, o autor busca novos ângulos para trabalhar personagens já estabelecidos ou mesmo para lidar com o gênero de super-heróis.

Tendo escrito obras muito conhecidas e extremamente bem recebidas pelo público, não é surpresa que muito do trabalho do autor tenha inspirado produções em outras mídias. As adaptações variam em termos de qualidade e fidelidade ao material original, com algumas se destacando muito mais que outras. Chegou o momento de listarmos todoa as adaptações em live-action do autor, da pior à melhor!

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Quarteto Fantástico

Uma das equipes de heróis mais tradicionais da Marvel, o Quarteto Fantástico não teve muita sorte com suas adaptações para o cinema. Apesar disso, a versão de 2015 se destaca negativamente, sendo considerada um dos piores filmes de heróis feitos até hoje.

O Quarteto Fantástico não é criação de Mark Millar, mas seu trabalho com o grupo teve parte na adaptação que chegou aos cinemas. A versão mais recente feita pela Fox adaptou elementos da história do grupo em Ultimate Fantastic Four, HQ feita por Millar, Brian Michael Bendis e Adam Kubert. O elemento mais notável que vem da obra é a origem do grupo, que ela foi levemente alterada e modernizada.

De acordo com o diretor Josh Tranks, a produção da Fox passou por problemas desde o princípio. Isso porque ele e o estúdio tiveram divergências criativas, resultando em duas visões muito diferentes que não foram concretizadas.

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Kick-Ass 2

Sequência de outra adaptação baseada no trabalho do renomado autor, Kick-Ass 2 é outro filme que deixa a desejar. Apresentando múltiplos temas, a produção se perde sem saber como explorá-los. Também parece haver uma falta de direcionamento quanto ao que fazer com os protagonistas, uma vez que sua história de origem já foi contada.

Em parte, essas falhas parecem ser resultado dos limites de tempo e espaço dados a cada trama. Sendo uma sequência que conta com a base das graphic novels feitas por Millar e John Romita Jr, mas não consegue desenvolver os temas apresentados no material original.

O filme também foi alvo de críticas por seu tom e tentativas de humor. Isso porque enquanto o primeiro almejava a sátira, a crítica considerou que a sequência passa do ponto e não tem nada a dizer, resultando em piadas de mau gosto em relação com tudo de terrível que apresenta na trama.

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O Legado de Júpiter

O Legado de Júpiter chegou à Netflix este mês, sendo a adaptação mais recente da lista. A série conta a história de uma família de super-heróis, onde a nova geração mais nova tem dificuldades em seguir as regras daqueles que vieram antes. A base é a HQ de mesmo nome feita por Millar e Frank Quitely, lançada em 2013.

A recepção da série foi mista. Recebendo elogios por parte de alguns, principalmente em relação a seus personagens carismáticos e grande potencial que apresenta, a obra também deixou muitos críticos e fãs insatisfeitos. Entre as falhas apontadas, temos problemas no ritmo e tramas que não são desenvolvidas como deveriam.

Apesar disso, O Legado de Júpiter promete muita coisa para o futuro. Com o universo e personagens cheios de potencial, a adaptação pode eventualmente chegar a ser tão querida quanto a graphic novel em que se baseia.

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Kingsman: O Círculo Dourado

Mais uma sequência que não foi tão bem sucedida quanto o primeiro filme, Kingsman: O Círculo Dourado dá continuidade à trama protagonizada por Eggsy (Taron Egerton). Apesar de divertida, a produção não mostra a criatividade do original, preferindo adotar elementos mais hollywoodianos e tornar tudo maior e mais chamativo. Comparado ao anterior, o resultado acaba perdendo em termos de qualidade.

A base do universo ainda é a graphic novel feita por Millar e Dave Gibbons, mas fora isso muito do que esta presente no filme é original dessa versão. O que não falta são invenções chamativas e por vezes até absurdas, que tornam difícil dar credibilidade ao universo.

Ainda assim, existem pontos positivos na produção. A atuação de Julianne Moore se destaca, e O Círculo Dourado consegue cumprir seu papel como entretenimento, apesar de suas falhas.

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O Procurado

Atualmente, já existem várias produções vindas do trabalho de Millar, mas foi com O Procurado, lançado em 2008, que essas adaptações começaram.

Contando com um elenco de estrelas com nomes como Angelina Jolie, James McAvoy e Morgan Freeman, o filme prometia entretenimento com ação inovadora e bastante estilo. Nesse sentido, a obra cumpriu o que propôs e foi muito bem recebida. Como adaptação, porém, não foi bem assim.

O que acontece é que, na realidade, a obra só utiliza a base estabelecida no material original. Assim, muitos pontos acabaram sendo omitidos, priorizando fazer uma produção voltada para ação, sem se importar em explorar temas e elementos apresentados pela escrita da graphic novel.

Até mesmo em sua base, o filme escolhe fazer mudanças significativas, utilizando assassinos ao invés de super-vilões como ponto central da história. Apesar disso, O Procurado não é ruim. Caso não espere por fidelidade, é possível ter um filme de ação bem divertido.

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Kick-Ass

Lançado em 2010, Kick-Ass rapidamente se tornou um enorme sucesso entre o público. Sua trama tem foco em um jovem comum, interpretado por Aaron Taylor-Johnson, que decide se tornar um super-herói. A obra original, escrita por Millar e John Romita Jr., também conta a origem do personagem, de maneira bem semelhante ao que é visto na versão que chegou aos cinemas.

Ao longo de todo o filme, há utilização extrema de brutalidade e sátira, o que pode ser incômodo para aqueles que não gostam desse tipo de narrativa. Apesar disso, a produção também lida com questões mais realistas e humanas, propondo o "equilíbrio" que falta em sua sequência. Mesmo que não seja para todo mundo, Kick-Ass conta com muitos acertos, o que garante sua posição na nossa lista.

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Kingsman: Serviço Secreto

O primeiro Kingsman, de modo semelhante a Kick-Ass, se sai muito melhor que sua sequência, tanto como filme isolado quanto como adaptação. Se O Círculo Dourado é exagerado demais, Serviço Secreto consegue entregar momentos que vão do divertido ao emocionante, além de contar com um elenco brilhante que deixa tudo ainda melhor.

Aqui, há maior proximidade com a obra de Millar e Dave Gibbons, e em certos aspectos há quem considere que existem até melhorias em relação ao original. Misturando ação, comédia e espionagem, a produção conta com muito estilo e consegue fazer mesmo seus elementos mais fantasiosos funcionarem bem. As críticas ao exagero quanto à violência apontam que ainda existem falhas, mas o filme é com certeza uma das melhores adaptações do trabalho do autor.

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Capitão América: Guerra Civil

Guerra Civil não foi um filme muito bem recebido pelos fãs dos quadrinhos, principalmente por causa das mudanças e diferenças entre os dois. Enquanto a HQ de Millar e Steve McNiven lida com múltiplos heróis da Marvel, a versão do MCU é bem mais contida. Apesar disso, o conflito central mantém muitos dos mesmos temas apresentados no grande evento dos quadrinhos.

Isso porque a versão cinematográfica também levanta discussões ao redor de privacidade, monitoramento, liberdade e segurança, todos temas proeminentes na saga original. Ainda assim, entre os diversos heróis e o tempo de tela limitado que cada um recebe, não é possível se aprofundar demais nessas questões, que acabam servindo apenas como pano de fundo para os eventos da trama. A produção, no entanto, não os ignora, e mesmo que não seja uma adaptação excelente, Guerra Civil não deixa de ser um bom filme, tanto por si só, quanto como parte do universo Marvel.

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Logan

Lançado em 2017, Logan conquistou o mundo com uma história séria e tocante. A produção foi extremamente elogiada por sua profundidade em um meio que, em geral, não dá tanto espaço para explorar personagens dessa maneira. Apesar de não evitar a violência, há muito mais no filme que apenas ação, e mais que seu realismo, o que tem grande valor aqui é a apresentação de um lado humano e complexo das histórias de super-heróis.

Quando o filme foi lançado, Hugh Jackman já havia se eternizado no papel de Wolverine, e sua despedida não poderia ter sido mais digna. Como adaptação, Logan não segue à risca tudo que é apresentado nos quadrinhos do Velho Logan, também feitos por Millar e McNiven. O mais importante, no entanto, é que o tom e intenção da obra original permanecem em uma história que faz jus ao material em que se baseia. Mesmo por si só, não há dúvidas de que o filme se destaca, sendo a melhor entre todas as produções baseadas na obra do autor feitas até o momento.

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Melissa de Viveiros

Editora. Graduanda em Letras na UFMG. Elfa noturna em Azeroth, Au'Ra em Eorzea, apoiadora da Casa Martell em Westeros, LoLzeira noxiana e grisha etherealki. Fã de coisas demais e sempre hiperfocada em algo diferente. || @windrunning_