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Heartstopper: Quais histórias devem ser adaptadas na temporada 2 e 3?

Por Junno Sena

Consagrando seu futuro com mais duas temporadas, Heartstopper não apenas foi um sucesso da Netflix, mas conseguiu “alugar um triplex” na cabeça dos assinantes do streaming. Porém, a produção LGBTQIA+ tem o maior e mais confiável spoiler que poderia ser: seu material base

Escrita por Alice Oseman, Heartstopper começou como um webtoon e se transformou em quatro volumes publicados. Pelo menos por enquanto, já que o quinto e último volume tem previsão de lançamento para 2023. De qualquer forma, diversos enredos já estão garantidos para as próximas temporadas da série e nós tentamos reunir o mais provável a acontecer no futuro de Charlie e Nick. Confira a lista abaixo!

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A viagem para Paris

O volume 3 de Heartstopper é um dos mais divertidos, mas também o em que Alice Oseman vira a chave dos relacionamentos apresentados nos volumes anteriores. Aqui, a turma dos colégios Truham Boys School e Higgs Girls School fazem uma viagem para Paris. A “gangue” de amigos de Charlie e Nick fica mais próxima, novos personagens são apresentados e a narrativa passa de um simples romance colegial para começar a tratar de assuntos mais sérios, como saúde mental, amor e desejo sexual.

A autora não consegue se aprofundar em todos esses assuntos de cara e, por isso, esse é um ponto interessante para a segunda temporada da série. Além disso, saímos da narrativa de amor romântico adolescente e entramos em um “E o que acontece após o ‘felizes para sempre’”. Charlie e Nick amadurecem, tanto em relacionamento quanto pessoalmente, mostrando que toda relação é uma construção diária.

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O primeiro beijo de Tao e Ellie

A adaptação de Heartstopper não serviu apenas para dar vida aos personagens do quadrinho, mas para dar voz aos que pareciam escondidos na trama original. Esse é o caso de Tao e Ellie. O casal que vai criando protagonismo com o passar dos capítulos do webtoon, tiveram uma maior presença na série.

Logo, cada passo para a oficialização desse casal precisa estar na segunda temporada. A viagem para Paris é o momento certo para isso, uma vez que na história original de Oseman, os dois se beijam durante uma tarde ensolarada no museu.

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Nick e Charlie oficializando seu relacionamento

Podemos ter finalizado a primeira temporada com um tom leve e romântico entre os garotos, mas ainda existem outras barreiras que precisam superar. Entre elas, a principal é: oficializar o seu romance para todos ao seu redor.

Mesmo que os pais de Nick e Charlie, Tori e a “gangue” saibam do envolvimento dos dois, o resto do colégio não. Ou pelo menos eles pensam que não. E, em uma viagem para Paris, a cidade do romance, isso pode se tornar um problema. Principalmente para Charlie que ainda sofre com os receios de atravessar outro período turbulento como o do ano anterior.

Todos esses debates internos prometem tornar essa história mais palpável, permitindo que não sejam apenas dois garotos apaixonados em um conto de fadas. Esse balanceamento, entre o fofo e o real, é um ponto forte dos quadrinhos que precisaremos ver nas próximas temporadas.

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Isaac terá um relacionamento?

Isaac pode não existir nos quadrinhos, mas ele ainda representa o amigo quieto no grupo. Sendo que na história original, esse amigo é Aled. No terceiro volume, durante a viagem à Paris, descobrimos que o garoto, assim como Charlie, tem um relacionamento escondido da maioria.

Aled conta sobre como ele não vê necessidade em oficializar nada pois “é algo apenas deles”. Já foi confirmado pela autora que Isaac é arromântico, porém, isso não é empecilho para ter um relacionamento.

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Tao e a sua relação com Charlie

A jovialidade do roteiro de Heartstopper não foi feita apenas com o intuito de ser agradável, mas uma forma de evidenciar como todos os personagens tem muito o que amadurecer. Principalmente quando falamos em Tao e sua forma de compreender o mundo.

Nos quadrinhos, descobrimos que o rapaz pode ou não ser a razão do resto do colégio ter descoberto sobre a sexualidade de Charlie. Além da descoberta causar preocupações na cabeça de Charlie, também se torna um motivo de desconforto para os dois. Talvez esse ponto não seja adaptado de forma direta, mas o que podemos esperar é que Tao ainda não se sinta tão bem com a presença de Nick à princípio.

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Charlie e seu distúrbio alimentar

Como foi dito anteriormente, o Volume 3 serve como um trampolim para a autora desenvolver outros assuntos. E, distúrbios alimentares se tornam um dos pilares para compreendermos melhor as dores de Charlie e como o suporte de Nick e seus amigos é imprescindível para o garoto.

Alice Oseman usa uma linguagem jovem, mas um tom sério para abordar isso e, com a sua supervisão na série, podemos esperar um diálogo bem interessante sobre saúde mental. O que seria um acerto para a Netflix depois de ser criticada por produções como Os 13 Porquês.

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Mr. Ajayi e Mr. Farouk

Entre croissants e novos personagens, Paris dá aos leitores e a Ajayi um novo interesse romântico: Mr. Farouk. O professor da Higgs é, junto de Ajayi, um dos responsáveis por manter a ordem durante a viagem e é quando vemos um flerte surgir entre os dois.

A relação dos professores é um ótimo contraponto para esse universo jovem repleto de hormônios. Farouk é uma lembrança que nem todos tiveram a oportunidade de viver um romance adolescente caloroso, enquanto Ajayi nos mostra que não importa a idade, ainda há tempo.

Porém, se Alice acerta nesses momentos casuais, ela perde por apresentar essa relação, mas não tem tempo de desenvolvê-la propriamente. Como já tivemos bastante de Ajayi na primeira temporada, podemos esperar que teremos bem mais sobre esse casal.

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A “gangue” e as suas relações

Além de Farouk, Sahar Zahid é outra personagem que inicia sua história no terceiro volume dos quadrinhos. Ela pode não ter arcos conturbados como os outros, mas ainda é uma adição bem-vinda. Diferente das demais garotas, Sahar está estudando na mesma turma de Nick, uma vez as salas do último ano da Truham são mistas.

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A assexualidade de Tori

Outro destaque subestimado dos quadrinhos é Tori, irmã de Nick. E a sua presença era tão misteriosa que a garota ganhou um livro contando um pouco mais sobre como é confuso amar romances, mas não conseguir se apaixonar de fato.

“Sem Amor” é uma das histórias do universo de Heartstopper e nela aprendemos um pouco mais sobre a complicada Tori. Não há motivos para esperar que a presença da garota vá além do que é mostrado nos quadrinhos, invisível, mas sempre marcante.

Porém, seria bom ver mais da personagem na série. Não apenas por se tratar de alguém assexual, isto é, fora do espectro LGBTQIA+ que é convencionalmente utilizado em séries e filmes, mas para que possamos vê-la além de uma figura amigável que parece não ter nenhum problema em sua vida.

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A família de Nick

No segundo volume, descobrimos duas características peculiares sobre Nick: (1) ele não é filho único e (2) ele fala francês fluentemente. Sendo que essa segunda particularidade da personalidade do garoto é por conta de seu pai, Stéphane, que é francês.

Tanto seu irmão, David, quanto seu pai se tornam menções recorrentes na trama. Começando por Nick ser importunado pelo irmão por conta de seu relacionamento com Charlie. Mas também porque sair do armário para o pai é algo importante para Nick.

É importante dizer que esse enredo, além de outros da lista, podem precisar de mais do que apenas duas temporadas para serem concluídos. Inclusive, um ótimo gancho para fim de temporada seria o jantar entre a família de Charlie e a de Nick.

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Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ. Ele | Elu