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[Crítica] Onimusha: Warlords HD Remaster – Tempos mais simples!

Por Lucas Rafael

Eis que a Capcom lança uma versão remasterizada do primeiríssimo Onimusha, game lá da época do Playstation 2, quando a indústria deste tipo de mídia era mais simplória que hoje em dia.

Samurais, demônios, rituais infernais e intrigas entre clãs do Japão Feudal são alguns dos ingredientes que permeiam a mitologia de Onimusha. Será que essa gema da Capcom merece sua atenção ainda em 2019?

* O jogo foi testado em um PS4.

Créditos: Capcom

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Onimusha: Warlords é mais videogame em sua essência do que muito videogame atual. É um jogo com gráficos que (para a época) flertavam com realismo, mas cuja arquitetura e geografia do mapa requerem chaves coloridas para que possamos acessar cômodos, tumbas e regiões.

Às vezes, você precisa encontrar cabeças de monges e espadas cerimoniais para abrir portas e portões. É um jogo cujo seu mundo é construído ao redor de mecanismos que, se você os trouxer para nossa realidade, não fazem sentido algum. Quem foi o arquiteto desse castelo japonês maluco?

Porém, quando você aplicar tais conceitos em um videogame, é algo estimulante. A gente sente falta desse tipo de coisa hoje em dia.

Talvez, seja por isso que boa parte da comunidade gamer saliva por remakes e remasterizações, e toda vez que Resident Evil 4 é lançado para um novo console (e sempre é) as vendas são boas. A gente se amarra nesse formato absurdo. Nem todo game precisa ser ultra-realista no pique de um Red Dead Redemption 2. Ainda bem.

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Salvando a princesa, mais uma vez

A história de Onimusha Warlords é uma bastante manjada dentro da mídia dos games.

Castelo tomado por monstros, princesa em perigo. Neste cenário, você é o estoico samurai Samanosuke e deve resgatá-la.

Tem outras coisas, como um Senhor da Guerra de um clã inimigo que fez um pacto com um demônio para ter um exército incrível e esse tipo de coisa boba que rende bons videogames.

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Onimusha funciona como um mini-Resident Evil ambientado no japão antigo. O jogo é curtinho e, se você entender os meandros do mapa e seus puzzles de antemão, dá pra terminar tudo em umas duas horas e pouco tranquilamente. Existe valor replay generoso se você for um complecionista.

O combate é simples, mas requer precisão para ser masterizado. Veja bem, Onimusha não é um jogo difícil, é desafiador(zinho). Em sua dificuldade difícil, pontualmente penoso, mas você não vai lembrar dele por querer jogar o controle contra a parede ou algo do tipo.

Portanto, é aquele jogo que parece estimulante de se explorar cada cantinho e zerar em todas as dificuldades para ir obtendo um desempenho superior. O jogo até te dá uma nota na conclusão, pique Arcade mesmo.

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A progressão é estimulante. Você libera novas espadas para Samanosuke. Dá pra sentir a diferença no peso e velocidade delas. Também é possível melhorá-las, usando almas de demônios.

Cada vez que você mata demônios, é necessário apertar bolinha para selar suas almas na manopla que Samanosuke carrega no braço. É maravilhosamente bobo.

Eventualmente, o jogo coloca você pra jogar com a ninja Kaede. Ela pode passar por portas que Samanosuke não consegue, embora seja mais limitada em termos de combate.

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A dublagem em inglês do jogo é porca. Eventualmente, o dublador até desiste de sincronizar sua fala com os lábios do personagem, dando um aspecto hilário ao jogo. Até em suas falhas técnicas, Onimusha diverte, sendo o equivalente de um filme B nos videogames.

A fala de alguns dos chefes são ameaças super piegas, ecoando o melhor da breguice que a Capcom consegue entregar. É coisa digna de ser colocada lado-a-lado com o sanduíche de Jill.

Um dos monstros infernais com adornos cósmicos Lovecratianos é chamado de Reynaldo, inclusive. Onimusha é um poço de humor.

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Os elementos de survival horror são mais escassos aqui, sendo um game mais orientado para a ação. Você vai fatiar diversos demônios com o uso de diferentes lâminas e golpes especiais elementares. Você desbloqueia armas de longo alcance também, como arcos e até uma espingarda, mas o uso delas é um tanto truncado. Eu só usei em situações bastante específicas.

É no núcleo do combate que Onimusha definitivamente parte caminhos de seu primo mais sombrio, Resident Evil. Aqui, a ação reverbera títulos que viriam depois, como Devil May Cry, sem o ritmo frenético e os combos estilosos, no entanto.

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Os puzzles de Onimusha: Warlords são, em sua maioria, extremamente simplórios. Apenas durante um eu tive dificuldade por ele precisar ser solucionado dentro de um tempo-limite. No mais, você não vai se desdobrar em lógica.

Onimusha possui um senso de progressão extremamente fluído. E de repente, ali está o chefe final e sobem os créditos.

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Os méritos da remasterização em si, bem, o jogo não tem uma direção artística digna de ser ovacionada. Era competente na época do PS2, ficou competente agora. É um jogo com visuais aceitáveis que nem querem ser mais que isso. No entanto, algumas texturas específicas saltam aos olhos aqui e ali.

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Onimusha é um jogo extremamente videogame. Você precisa coletar itens esotéricos para abrir passagens mais esotéricas ainda enquanto lida com uma legião de demônios de formas e cores variadas. Você precisa resolver combinações numéricas e traduzir livros para obter tesouros. Só dá pra salvar em lanterninhas específicas, que o jogo chama de espelhos, o que é uma raridade hoje em dia. O auto-save e a memória dos consoles modernos mataram o memory card, mas remasterizações como Onimusha funcionam como um pedaço do passado no presente

Onimusha Warlords representa uma época onde jogos eram mais simples e não tinham medo de abraçar um formato mais lúdico e estimulante do que tentar emular uma experiência cinematográfica ou um nível absurdo de realismo. É refrescante jogar algo assim.

Quando você termina o jogo no médio pela primeira vez, você libera uma roupinha de panda para o protagonista. Incrível.

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Existe uma variedade considerável de chefes, e a abordagem no combate de cada um é diferenciada, algo que torna cada embate algo bastante único.

Onimusha é um bom jogo, ainda que seja bastante curto e cravejado de arestas técnicas. Se bem que até estes defeitos contribuem pro charme do título. Charme este que se deve também ao período no qual Onimusha foi desenvolvido, uma época muito específica dentro da cultura dos games que a gente gosta de resgatar hoje em dia. O remake de Resident Evil 2 tá aí pra provar isso.

A nota final de Onimusha: Warlords remasterizado são 4 memory cards de 5.

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Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais